A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta, crítica: um Halloween de massinha que arranca sorrisos de verdade
Se existe um personagem capaz de botar uma fazenda inteira abaixo sem dizer uma única palavra, esse personagem é Shaun. Em A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta, o alvo da vez é o Halloween: a plantação de abóboras some, o fazendeiro desaparece e, na floresta ali do lado, tem alguma coisa muito estranha acontecendo. O resultado é uma aventura familiar curta, cheia de energia e daquelas fáceis de gostar, que não deixa nem os adultos entediados.
Uma fábula de Halloween em massinha, simpática, criativa e com ótimo ritmo. Não revoluciona nada, mas entrega exatamente aquilo que faz a gente gostar do Shaun.
Ficha do filme
| Original | Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom |
|---|---|
| Direção | Steve Cox, Matthew Walker |
| Gênero | Filmes de animação |
| Duração | 81 min |
| País | Filmes ingleses, Filmes franceses |
Sem abóbora não tem festa: do que trata o filme, sem spoilers?
Em Mossy Bottom, todo mundo está em clima de festa. O Halloween está chegando e, nessa época, a fazenda inteira só pensa em esculpir abóboras, montar fantasias e preparar a grande comemoração. Aí entra em cena o fazendeiro, que, com a falta de jeito de sempre, consegue acabar com a plantação de abóboras inteirinha. E vamos combinar: Halloween sem abóbora é feito festa junina sem quentão.
Shaun, claro, não é do tipo que dá de ombros e volta a pastar. Ele fica obcecado em encontrar uma solução e, como é de costume, cada ideia nova só aumenta a confusão. A coisa fica séria de verdade quando o fazendeiro desaparece e um monstro começa a aprontar na floresta vizinha. Parece até que o mundo inteiro conspirou contra o Halloween. Mas a turma da fazenda não se intimida e parte junta para a aventura.
Melhor não saber mais do que isso antes de assistir. A graça do filme está justamente em ver pequenos problemas virarem uma reação em cadeia e uma simples festa do interior se transformar, de repente, num mistério no meio do mato.
Diz tudo sem falar nada: por que Shaun continua funcionando?
Quem conhece Shaun sabe que aqui não tem diálogos longos nem monólogos explicativos. O humor nasce dos movimentos, das caras e bocas, dos sons e das gags com timing perfeito. Esse tipo de comédia física, herdeira do cinema mudo e do pastelão, combina demais com a animação em massinha, porque cada gesto mínimo foi feito à mão, e dá para perceber isso na tela.
Para mim, essa é a maior qualidade do filme: ele conversa ao mesmo tempo com a criança de seis anos, que gargalha quando alguém cai de cara no chão, e com os pais, que se divertem com as piadinhas escondidas no fundo do quadro, as referências cinematográficas e a trapalhada calculada dos personagens. Não precisa entender idioma nenhum, não precisa de explicação. Shaun é universal, e o tema do Halloween deixa isso ainda mais evidente.
A dinâmica entre os personagens segue a base conhecida da série: Shaun é quem toma a iniciativa, o encrenqueiro e, ao mesmo tempo, a chave da solução, enquanto o fazendeiro é o fator caos adorável e totalmente imprevisível da fazenda. O sumiço dele é um ótimo ponto de partida, porque de repente o rebanho fica por conta própria e precisa colocar tudo em ordem.
Massinha, neblina e cabeça de abóbora: o visual
Não tem como dourar a pílula: num cenário de animação hoje quase todo digital, o stop-motion de massinha virou praticamente uma obra artesanal. Por trás de cada quadro existem horas de trabalho minucioso, e isso se sente especialmente bem aqui, já que o clima de Halloween abre um monte de possibilidades para brincar.
As cores de outono, os tons de laranja e marrom, a profundidade misteriosa da floresta e o jogo de luzes criam um conjunto muito charmoso. O filme equilibra com habilidade o assustador e o fofo: tem uma pitada de arrepio, mas nunca chega a dar medo de verdade. A trama do monstro traz mais aquela emoção gostosa de conto de fadas do que pavor, o que, pensando no público, está exatamente na medida certa.
Outro prazer é ver que a textura dos bonecos, com aquelas pequenas imperfeições do tamanho de uma impressão digital, continua lá na superfície. É um charme que nenhuma renderização impecável de computador consegue reproduzir.
Direção e ritmo: 81 minutos sem nada sobrando
O filme tem direção de Steve Cox e Matthew Walker, e se tem algo que preciso reconhecer é o senso de ritmo da dupla. Os 81 minutos de duração são ideais para uma animação familiar: tempo suficiente para um arco completo e curto o bastante para os pequenos não ficarem se remexendo na poltrona.
A estrutura é clássica: situação inicial, uma mancada, uma tentativa de consertar que só piora tudo e, depois, a aposta sobe com o desaparecimento do fazendeiro e a chegada do monstro. Não é complicado, nem precisa ser. Os diretores se concentram mais na mecânica interna das cenas: como uma gag é construída, como uma catástrofe escorrega para a próxima. Nisso eles mandam muito bem.
A coprodução entre Reino Unido e França, aliás, mostra bem como esse tipo de humor atravessa fronteiras. Não há nada ali que fale só com o público de um país específico.
Onde a abóbora racha um pouquinho?
Se for para implicar, e de vez em quando um crítico precisa, eu diria que a história não guarda grandes surpresas. Quem já viu alguns episódios de Shaun ou os longas anteriores vai sentir mais ou menos para onde a trama está indo. O Halloween e o monstro dão uma roupa nova, mas o esqueleto por baixo é conhecido.
Outro detalhe é que o ritmo, às vezes, acelera tanto que um ou outro momento mais emotivo não tem tempo de respirar. A relação de Shaun com o rebanho e o apego ao fazendeiro poderiam ter mais coração. Não é que falte, só que às vezes fica escondido atrás das piadas.
Mas são ressalvas pequenas de verdade. O filme não quer ser mais do que é: um filme de temporada, sincero, bem-humorado e para toda a família. E cumpre isso com folga.
Halloween no cinema para a família: por que é bom existir um filme assim?
O Halloween vem ganhando cada vez mais espaço entre as famílias, inclusive aqui no Brasil, onde o Dia das Bruxas virou desculpa para festa na escola e fantasia em casa. Só que, no cinema, ainda são poucos os filmes que falam com os menores sem subestimar ninguém. Este novo Shaun ocupa justamente esse espaço: tem um pouco de clima sombrio, um pouco de mistério, um monstro na floresta, mas tudo dentro de uma moldura amigável e divertida.
Se a ideia é apresentar às crianças o universo das histórias de arrepiar, é difícil encontrar uma porta de entrada mais suave. E os adultos ganham quase uma hora e meia agradável, que não vai ser nenhum sacrifício. Pelo contrário: é bem provável que deem algumas boas gargalhadas.
Para quem é?
- É para você se: Para famílias, crianças em idade escolar e todo mundo que curte o charme artesanal da animação em massinha e o humor sem palavras, todo construído em gags. Para os fãs de Shaun, programa obrigatório de outubro.
- Melhor pular se: Quem procura uma história cheia de reviravoltas, complexa, ou um clima de terror de verdade vai se decepcionar. Se humor pastelão não é a sua praia, este filme também não vai te convencer.
Se gostar, veja também: Shaun the Sheep Movie (2015), A Fuga das Galinhas (2000), O Fantástico Sr. Raposo (2009), Frankenweenie (2012), Hotel Transilvânia (2012)
Perguntas frequentes
Sobre o que é A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta?
Os moradores de Mossy Bottom se preparam para o Halloween, mas a falta de jeito do fazendeiro acaba com a plantação de abóboras. Shaun tenta resolver a situação e só piora tudo, o fazendeiro desaparece e um monstro começa a aprontar na floresta.
Qual é a duração do filme?
O filme tem 81 minutos.
Quem dirigiu o filme?
Steve Cox e Matthew Walker.
Qual é a origem do filme?
É uma animação feita em coprodução entre Reino Unido e França.
Vale trocar a escultura de abóbora por uma sessão com o Shaun?
Eu acho que sim, e dá até para fazer as duas coisas. A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta não quer reescrever as regras da animação, nem precisa. É uma fábula de massinha cheia de clima, engraçada e lindamente caprichada, emocionante para os pequenos e divertida para os pais. A história é previsível e a profundidade emocional às vezes se perde entre as piadas, mas os 81 minutos passam voando, feito morcego em noite de lua cheia. Se você está atrás de um programa em família para esta época do ano, difícil achar escolha melhor agora. Da minha parte, a recomendação é forte e sem medo.
