Free Guy: Assumindo o Controle, crítica: Ryan Reynolds sai do fundo da cena e fica melhor do que a gente imaginava
E se você fosse aquele figurante que pede o mesmo café todo santo dia enquanto todo mundo ao redor é protagonista? Free Guy: Assumindo o Controle constrói em cima dessa pergunta uma comédia barulhenta, colorida e surpreendentemente cativante. Não é nenhuma revolução, mas é aquele tipo de filme que faz você levantar do sofá com um sorriso no rosto.
Pipocão ágil, simpático e engraçado, que entrega mais do que uma simples piada de videogame, mesmo quando exagera nas próprias palhaçadas.
Ficha do filme
| Original | Free Guy |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 19/08/2021 |
| Direção | Shawn Levy |
| Elenco | Ryan Reynolds, Jodie Comer, Lil Rel Howery, Joe Keery, Utkarsh Ambudkar, Taika Waititi |
| Gênero | Comédias, Filmes de aventura, Filmes de ficção científica |
| Duração | 115 min |
| Classificação | 12 |
| País | Filmes americanos |
Sobre o que é Free Guy? Um figurante que descobre que é figurante
Guy é um sujeito comum levando uma vida comum. Pelo menos é o que ele acha, até perceber que, na verdade, é um personagem de fundo num videogame de mundo aberto. Daqueles em quem os jogadores nem reparam, que estão ali só para o mundo não parecer vazio. Só que essa descoberta não o derruba, pelo contrário: ela o sacode. Ele decide tomar as rédeas da situação e virar o herói da própria história.
Pela sinopse oficial, Guy quer se tornar o cara que, se virando nesse território sem limites, salva o mundo do seu jeito, antes que seja tarde demais. Melhor não saber muito mais do que isso, porque um dos grandes prazeres do filme é ver a premissa se desenrolando aos poucos. A ideia central é engraçada e, ao mesmo tempo, um pouquinho existencial: quem nunca se sentiu coadjuvante da própria vida?
Ryan Reynolds, o eternamente sorridente Guy
Ryan Reynolds entrega aqui exatamente aquilo que faz o público gostar dele, só que com outro arranjo. No lugar do humor debochado e cínico de Deadpool, temos um personagem ingênuo, ensolarado, com um otimismo quase infantil, e isso cai surpreendentemente bem nele. Guy não fica dando uma de esperto: ele se encanta com o mundo, e Reynolds interpreta esse deslumbramento de um jeito convincente e sincero.
Claro que o ritmo típico do ator, as piadas rápidas e os trejeitos continuam lá. Quem já tinha alergia a ele não vai mudar de ideia com este filme. Mas quem curte provavelmente vai ver uma das atuações mais adoráveis da carreira dele.
Jodie Comer e o elenco de apoio que rouba a cena
A grande surpresa do filme, para mim, é Jodie Comer, que vive Millie Rusk e também Molotovgirl, numa missão dupla. Ela precisa dar conta de uma heroína de ação descolada dentro do jogo e de uma pessoa de carne e osso, e convence nas duas. É ela quem mantém o coração do filme com os pés no chão quando Reynolds ameaça sair voando.
O elenco de apoio também é forte:
- Lil Rel Howery, como Buddy, o melhor amigo de Guy, é uma das figuras mais calorosas do filme.
- Joe Keery, no papel de Keys, tem uma presença simpática e pé no chão.
- Utkarsh Ambudkar, como Mouser, é um bom parceiro nas cenas do mundo real.
- Taika Waititi, como Antwan, se solta completamente, o que pode ser genial ou irritante, dependendo da sua tolerância a caricaturas aceleradas. Eu mais ri do que torci o nariz.
- Channing Tatum aparece como Revenjamin Buttons, e só o nome do personagem já mostra o clima que vem por aí.
Essa turma responde por boa parte da energia do filme, e é raro um blockbuster desse porte ter tantos personagens pequenos e memoráveis.
A direção de Shawn Levy: entretenimento profissional, pouco risco
Shawn Levy é aquele diretor que sabe direitinho como fazer cinema familiar para o grande público. Depois dos filmes de Uma Noite no Museu, ele repete aqui o estilo animado, colorido e acessível a todo mundo, sem muita ousadia, mas que raramente deixa a gente entediado.
Os 115 minutos são bem distribuídos e o ritmo, na maior parte do tempo, é enxuto. O universo do game é visualmente espalhafatoso, cheio de explosões, personagens esquisitos e piadas típicas do mundo gamer, que os jogadores pegam na hora, mas que quem não joga também entende. Levy não quer fazer filme de arte, e aqui isso é mais virtude do que defeito: o filme sabe o que quer ser.
Onde ele tropeça? Quando a propaganda fala mais alto que a história
Free Guy não é perfeito. O humor às vezes passa do ponto, e em um ou outro momento parece que o filme está mais ocupado aplaudindo a própria criatividade do que fazendo a história andar. A trama ambientada no mundo real é menos empolgante que as aventuras dentro do jogo, e essas trocas de vez em quando quebram o embalo.
Tem também uma boa dose de autopromoção de grande estúdio, com piscadelas para a cultura pop que você vai amar ou vai revirar os olhos. Eu fiquei no meio do caminho: algumas piadas acertaram em cheio, outras soaram baratas. A maior força do filme, o tom ingênuo e gentil, às vezes se perde um pouco atrás dessas referências.
Ainda assim, olhando para o essencial, a mensagem é simples e funciona: você não precisa aceitar ser só um personagem de fundo. Parece meio brega, mas Reynolds e Comer vendem a ideia com tanta sinceridade que eu acredito.
Para quem é?
- É para você se: Para quem quer uma comédia leve, divertida e colorida e curte o humor de Ryan Reynolds. Quem joga videogame vai se divertir em dobro.
- Melhor pular se: Se você se irrita com humor de blockbuster barulhento e lotado de referências pop, ou espera uma ficção científica profunda e séria, melhor procurar outra coisa.
Se gostar, veja também: O Show de Truman: O Show da Vida (1998), Detona Ralph (2012), Jogador Nº 1 (2018), Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017), Uma Aventura LEGO (2014)
Perguntas frequentes
Sobre o que é Free Guy: Assumindo o Controle?
Guy descobre que é, na verdade, um personagem de fundo em um videogame de mundo aberto e decide se tornar o herói da própria história, salvando o mundo do seu jeito.
Quando Free Guy: Assumindo o Controle estreou no Brasil?
O filme estreou nos cinemas brasileiros em 19 de agosto de 2021.
Qual a duração de Free Guy: Assumindo o Controle?
O filme tem 115 minutos.
Quem dirigiu Free Guy: Assumindo o Controle?
O filme foi dirigido por Shawn Levy.
Quem está no elenco de Free Guy: Assumindo o Controle?
Ryan Reynolds vive o protagonista Guy, ao lado de Jodie Comer, Lil Rel Howery, Joe Keery, Utkarsh Ambudkar, Taika Waititi e Channing Tatum.
Topa sair do fundo da cena por uma noite com o Guy?
Free Guy: Assumindo o Controle não é o tipo de filme que vai render anos de discussão com os amigos, mas é daqueles que dá gosto rever num domingo chuvoso. É simpático, engraçado, bonito de ver e tem um coração simples, mas que funciona. Ryan Reynolds raramente esteve tão adorável, e Jodie Comer prova que se sente em casa numa grande produção de Hollywood. Se você está a fim de um filme leve e bem-humorado, vale muito os 115 minutos. Para mim, um 7,5 sólido, com leve tendência a arredondar para cima.
