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Crítica · Estreia: 19/08/2021

Free Guy: Assumindo o Controle, crítica: Ryan Reynolds sai do fundo da cena e fica melhor do que a gente imaginava

Filmes americanosComédiasFilmes de aventuraFilmes de ficção científica

E se você fosse aquele figurante que pede o mesmo café todo santo dia enquanto todo mundo ao redor é protagonista? Free Guy: Assumindo o Controle constrói em cima dessa pergunta uma comédia barulhenta, colorida e surpreendentemente cativante. Não é nenhuma revolução, mas é aquele tipo de filme que faz você levantar do sofá com um sorriso no rosto.

7,3/10
Nota
Pipocão ágil, simpático e engraçado, que entrega mais do que uma simples piada de videogame, mesmo quando exagera nas próprias palhaçadas.
História
7
Atuação
8
Direção
7
Visual
8
Música e som
7
Emoção
7

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalFree Guy
Estreia no Brasil19/08/2021
DireçãoShawn Levy
ElencoRyan Reynolds, Jodie Comer, Lil Rel Howery, Joe Keery, Utkarsh Ambudkar, Taika Waititi
GêneroComédias, Filmes de aventura, Filmes de ficção científica
Duração115 min
Classificação12
PaísFilmes americanos

Sobre o que é Free Guy? Um figurante que descobre que é figurante

Guy é um sujeito comum levando uma vida comum. Pelo menos é o que ele acha, até perceber que, na verdade, é um personagem de fundo num videogame de mundo aberto. Daqueles em quem os jogadores nem reparam, que estão ali só para o mundo não parecer vazio. Só que essa descoberta não o derruba, pelo contrário: ela o sacode. Ele decide tomar as rédeas da situação e virar o herói da própria história.

Pela sinopse oficial, Guy quer se tornar o cara que, se virando nesse território sem limites, salva o mundo do seu jeito, antes que seja tarde demais. Melhor não saber muito mais do que isso, porque um dos grandes prazeres do filme é ver a premissa se desenrolando aos poucos. A ideia central é engraçada e, ao mesmo tempo, um pouquinho existencial: quem nunca se sentiu coadjuvante da própria vida?

Ryan Reynolds, o eternamente sorridente Guy

Ryan Reynolds entrega aqui exatamente aquilo que faz o público gostar dele, só que com outro arranjo. No lugar do humor debochado e cínico de Deadpool, temos um personagem ingênuo, ensolarado, com um otimismo quase infantil, e isso cai surpreendentemente bem nele. Guy não fica dando uma de esperto: ele se encanta com o mundo, e Reynolds interpreta esse deslumbramento de um jeito convincente e sincero.

Claro que o ritmo típico do ator, as piadas rápidas e os trejeitos continuam lá. Quem já tinha alergia a ele não vai mudar de ideia com este filme. Mas quem curte provavelmente vai ver uma das atuações mais adoráveis da carreira dele.

Jodie Comer e o elenco de apoio que rouba a cena

A grande surpresa do filme, para mim, é Jodie Comer, que vive Millie Rusk e também Molotovgirl, numa missão dupla. Ela precisa dar conta de uma heroína de ação descolada dentro do jogo e de uma pessoa de carne e osso, e convence nas duas. É ela quem mantém o coração do filme com os pés no chão quando Reynolds ameaça sair voando.

O elenco de apoio também é forte:

Essa turma responde por boa parte da energia do filme, e é raro um blockbuster desse porte ter tantos personagens pequenos e memoráveis.

A direção de Shawn Levy: entretenimento profissional, pouco risco

Shawn Levy é aquele diretor que sabe direitinho como fazer cinema familiar para o grande público. Depois dos filmes de Uma Noite no Museu, ele repete aqui o estilo animado, colorido e acessível a todo mundo, sem muita ousadia, mas que raramente deixa a gente entediado.

Os 115 minutos são bem distribuídos e o ritmo, na maior parte do tempo, é enxuto. O universo do game é visualmente espalhafatoso, cheio de explosões, personagens esquisitos e piadas típicas do mundo gamer, que os jogadores pegam na hora, mas que quem não joga também entende. Levy não quer fazer filme de arte, e aqui isso é mais virtude do que defeito: o filme sabe o que quer ser.

Onde ele tropeça? Quando a propaganda fala mais alto que a história

Free Guy não é perfeito. O humor às vezes passa do ponto, e em um ou outro momento parece que o filme está mais ocupado aplaudindo a própria criatividade do que fazendo a história andar. A trama ambientada no mundo real é menos empolgante que as aventuras dentro do jogo, e essas trocas de vez em quando quebram o embalo.

Tem também uma boa dose de autopromoção de grande estúdio, com piscadelas para a cultura pop que você vai amar ou vai revirar os olhos. Eu fiquei no meio do caminho: algumas piadas acertaram em cheio, outras soaram baratas. A maior força do filme, o tom ingênuo e gentil, às vezes se perde um pouco atrás dessas referências.

Ainda assim, olhando para o essencial, a mensagem é simples e funciona: você não precisa aceitar ser só um personagem de fundo. Parece meio brega, mas Reynolds e Comer vendem a ideia com tanta sinceridade que eu acredito.

Para quem é?

Se gostar, veja também: O Show de Truman: O Show da Vida (1998), Detona Ralph (2012), Jogador Nº 1 (2018), Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017), Uma Aventura LEGO (2014)

Perguntas frequentes

Sobre o que é Free Guy: Assumindo o Controle?

Guy descobre que é, na verdade, um personagem de fundo em um videogame de mundo aberto e decide se tornar o herói da própria história, salvando o mundo do seu jeito.

Quando Free Guy: Assumindo o Controle estreou no Brasil?

O filme estreou nos cinemas brasileiros em 19 de agosto de 2021.

Qual a duração de Free Guy: Assumindo o Controle?

O filme tem 115 minutos.

Quem dirigiu Free Guy: Assumindo o Controle?

O filme foi dirigido por Shawn Levy.

Quem está no elenco de Free Guy: Assumindo o Controle?

Ryan Reynolds vive o protagonista Guy, ao lado de Jodie Comer, Lil Rel Howery, Joe Keery, Utkarsh Ambudkar, Taika Waititi e Channing Tatum.

Topa sair do fundo da cena por uma noite com o Guy?

Free Guy: Assumindo o Controle não é o tipo de filme que vai render anos de discussão com os amigos, mas é daqueles que dá gosto rever num domingo chuvoso. É simpático, engraçado, bonito de ver e tem um coração simples, mas que funciona. Ryan Reynolds raramente esteve tão adorável, e Jodie Comer prova que se sente em casa numa grande produção de Hollywood. Se você está a fim de um filme leve e bem-humorado, vale muito os 115 minutos. Para mim, um 7,5 sólido, com leve tendência a arredondar para cima.

Nota: 7,3/10 · História 7 · Atuação 8 · Direção 7 · Visual 8 · Música e som 7 · Emoção 7