Heidi e o Lince da Montanha: crítica antecipada de uma aventura feita para os pequenos
Heidi está de volta às montanhas e, desta vez, em vez de cuidar de cabras, ela vai salvar um filhote de lince. A coprodução animada entre Alemanha, Espanha e Bélgica coloca a clássica menina dos Alpes numa aventura ecológica redondinha e feita sob medida para a criançada. Ainda não assisti ao filme, mas a sinopse, o gênero e o público-alvo já deixam bem claro o que podemos esperar.
Um filme família delicado, curto e cheio de boas intenções para os pequenos. Não espere uma revolução, mas sim uma tarde agradável no cinema.
Ficha do filme
| Original | Heidi - Die Legende vom Luchs |
|---|---|
| Direção | Aizea Roca Berridi, Toby Schwarz |
| Gênero | Animações para a família |
| Duração | 79 min |
| País | Filmes alemães, Filmes espanhóis, Filmes belgas |
Do que se trata? Uma menina, uma cabana e um filhote em apuros
Heidi mora com o avô numa cabana nas montanhas, uma configuração familiar para quem conheceu a personagem na infância. O ponto de partida também é simpático: Clara, amiga de Heidi, a convida para passarem um verão juntas. Só que os planos das meninas vão por água abaixo quando aparece um filhote de lince ferido, que Heidi acolhe e começa a tratar.
O pequeno lince, porém, precisa voltar para a família que vive nas montanhas. Heidi e Peter decidem, sem o avô saber, levar o novo amigo de volta para casa, o que por si só já é um ótimo motor para um filme infantil: segredo, responsabilidade e aventura. Quem aumenta a tensão é um empresário ganancioso que quer construir uma serraria nas montanhas e espalha armadilhas para pegar o lince. A partir daí, o que está em jogo não é só um animal, mas o vilarejo e toda a natureza ao redor.
Não vou contar mais do que isso e, sinceramente, nem saberia: é isso que a sinopse oficial revela. Não conheço o final, mas numa animação familiar voltada para crianças pequenas não é preciso ser vidente para imaginar para onde a história caminha.
Heidi com pelagem nova: por que justo um lince?
O que realmente me agrada na premissa é a escolha do lince. Não é um bicho batido de desenho animado, como esquilo ou coelhinho, e sim um predador misterioso, raramente visto, que aos olhos de uma criança é ao mesmo tempo assustador e encantador. Um filhote de lince animado é praticamente uma bomba de fofura garantida, e os produtores sabem muito bem disso.
Outra decisão esperta é unir o idílio alpino do material clássico de Heidi a um tema bem atual: a preservação da natureza. A serraria e as armadilhas são uma maldade óbvia, fácil de entender até para os menores, sem precisar de explicações políticas complicadas. Para uma criança de seis anos, o conflito é claríssimo: tem quem ame a montanha e tem quem só queira ganhar dinheiro com ela.
O risco, claro, é o mesmo: o empresário ganancioso como vilão é a carta mais gasta da animação familiar. Se o filme não der a ele um pouco de humor ou personalidade, ele pode virar um antagonista de papelão, que só vai assustar mesmo os bem pequenininhos.
Dois diretores, três países
O filme é assinado por Aizea Roca Berridi e Toby Schwarz, e a produção é fruto de uma parceria entre Alemanha, Espanha e Bélgica. Esse modelo europeu de coprodução vem rendendo nos últimos anos várias animações familiares honestas, de orçamento médio, que não tentam competir com os grandes estúdios americanos e preferem seguir seu próprio ritmo, mais tranquilo.
Isso também indica o que esperar: provavelmente nada daquele estilo hollywoodiano reluzente, que dispara dez piadas por segundo, e sim uma fábula mais calma e afetuosa, que dá mais tempo para a paisagem e para os personagens. Eu gosto bastante disso, principalmente pensando nos espectadores menores, que às vezes ficam mais cansados do que entretidos com animações aceleradas demais.
79 minutos: na medida certa ou pouco?
O filme tem 79 minutos, e considero isso um ponto claramente positivo. A atenção de uma criança da educação infantil ou dos primeiros anos do fundamental raramente aguenta produções de duas horas, e aqui cabem os trailers, a pipoca e até a ida ao banheiro sem nenhum drama. Para os pais, também é um alívio um filme que não se estica além da própria história.
Por outro lado, a duração curta significa que não sobra muito espaço para aprofundar os personagens. Heidi, Peter, Clara, o avô, o lince e o vilão: com tanta gente em 79 minutos, é bem provável que cada um ganhe só um traço marcante. O convite de Clara e a ideia do verão juntas, por exemplo, podem facilmente ficar em segundo plano diante do resgate do lince. Estou curioso para ver quanto peso a amizade das duas vai ter.
Onde o filme pode escorregar?
- Previsibilidade: a missão de resgate, o empresário malvado e a defesa da natureza formam uma receita clássica, e o espectador adulto provavelmente vai antecipar as reviravoltas.
- Qualidade da animação: o visual das animações europeias de orçamento médio varia bastante. A paisagem montanhosa pode ajudar muito, mas a fluidez dos movimentos talvez fique atrás dos grandes estúdios.
- Dublagem: boa parte da experiência depende das vozes. Uma voz mal escolhida para o lince ou um vilão exagerado demais pode atrapalhar bastante.
Ao mesmo tempo, não dá para esquecer: este filme não foi feito para críticos adultos. Se uma criança de seis anos sair do cinema dizendo que também quer proteger uma floresta, o filme cumpriu sua missão.
Para quem é?
- É para você se: Para crianças pequenas e seus pais que procuram uma aventura curta, fofa, com bichos e muito amor pela natureza.
- Melhor pular se: Para adolescentes e adultos que esperam da animação a enxurrada de piadas dos grandes estúdios ou reviravoltas complexas e surpreendentes.
Se gostar, veja também: Heidi (2015), Moana: Um Mar de Aventuras (2016), Robô Selvagem (2024), Bambi (1942)
Perguntas frequentes
Qual é a história de Heidi e o Lince da Montanha?
Heidi começa a cuidar de um filhote de lince ferido e, junto com Peter e sem o avô saber, tenta levá-lo de volta para a família, enquanto um empresário ganancioso quer construir uma serraria nas montanhas e arma armadilhas para o lince.
Qual é a duração de Heidi e o Lince da Montanha?
O filme tem 79 minutos.
Quem dirigiu o filme?
Heidi e o Lince da Montanha é dirigido por Aizea Roca Berridi e Toby Schwarz.
Quais países produziram o filme?
É uma coprodução entre Alemanha, Espanha e Bélgica.
Vale a pena subir a montanha por causa do lince?
Minha aposta antecipada: se você procura um programa de cinema com crianças pequenas, Heidi e o Lince da Montanha promete ser uma escolha segura e carinhosa. É curto, fácil de acompanhar, tem bichinhos e fala sobre amor à natureza, o que nunca é uma mensagem ruim. Não espero dele nenhum milagre da história do cinema, e o vilão de manual e o resgate previsível devem estar lá, mas o filhote de lince e a paisagem das montanhas podem carregar muita coisa nas costas. Minha expectativa é de um mediano sólido e simpático, o que para o público-alvo pode valer bem mais do que isso. Os adultos levam a paciência, as crianças levam a empolgação, e todo mundo sai ganhando.
