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Crítica · Estreia: 08/09/2022

Ingresso Para o Paraíso crítica: Julia Roberts e George Clooney juntos de novo, e ainda é uma delícia ver os dois

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Tem filme que não se sustenta pelo roteiro, e sim por duas pessoas que sabem há décadas como roubar uma cena. Ingresso Para o Paraíso é exatamente assim: Julia Roberts e George Clooney se alfinetam como se fossem pagos para isso, e, bom, eles são pagos para isso. O resultado não é revolucionário, mas é tão agradável quanto aquela viagem de férias que deu certo e que você nem quer ficar analisando muito depois.

6,5/10
Nota
Vale a pena não pela história, mas pela química entre os dois astros, e essa química sobra para garantir uma noite gostosa.
História
5
Atuação
8
Direção
6
Visual
8
Música e som
6
Emoção
6

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalTicket to Paradise
Estreia no Brasil08/09/2022
DireçãoOl Parker
ElencoJulia Roberts, George Clooney, Kaitlyn Dever, Billie Lourd, Maxime Bouttier, Lucas Bravo
GêneroDramas, Comédias, Filmes românticos
Duração104 min
Classificação12
PaísFilmes americanos, Filmes britânicos

Do que se trata? Dois ex e uma missão em comum

A premissa é simples demais, e isso não é problema nenhum. David e Georgia Cotton são divorciados e, para dizer o mínimo, não fazem parte daquele grupo de ex que toma café junto no domingo. Aí chega a notícia: a filha deles, Lily, está apaixonadíssima e quer se casar. Os dois concordam em uma única coisa: é preciso impedir esse casamento, porque, na visão deles, Lily está prestes a cometer o mesmo erro que eles cometeram lá atrás.

Começa então uma aliança que parece mais uma trégua em que cada lado esconde a faca nas costas. O filme não disfarça para onde vai e nem tenta surpreender. Esse tipo de comédia romântica aposta justamente no fato de você saber o que vai acontecer e, mesmo assim, curtir o caminho até lá. Quem procura uma trama cheia de reviravoltas bateu na porta errada. Agora, quem sente falta daquela velha receita das comédias românticas de verão está no lugar certo.

Roberts e Clooney: os veteranos continuam com tudo

Sem rodeios: este filme é deles. Julia Roberts como Georgia e George Clooney como David trocam provocações com uma leveza tão natural que a gente quase esquece como o material de base é fino. Essa sintonia não surgiu do nada, já vimos os dois juntos nos filmes da franquia Onze Homens e um Segredo, e dá para sentir que eles conhecem o ritmo um do outro.

Roberts trabalha com aquele mesmo sorriso enorme que ilumina tudo e que conquistou o mundo nos anos 90, só que agora com uma personagem um pouco mais azeda, mais ácida, e ela claramente se diverte com isso. Clooney, por sua vez, usa o charme autoirônico de sempre para viver um pai que sabe muito bem que nem sempre é o mais esperto da sala. Os melhores momentos são aqueles em que os dois personagens trabalham um contra o outro e o filme deixa os atores exagerarem um pouquinho. Aí não tem jeito, é rir mesmo.

Sinceramente, se trocassem qualquer um dos dois, o filme valeria a metade. Essa é, ao mesmo tempo, a maior força e a maior fraqueza dele.

A geração mais jovem: rostos bons, poucas chances

Kaitlyn Dever, como Lily Cotton, é simpática e convincente, o que não surpreende ninguém que a viu em Fora de Série (Booksmart) e sabe como ela transita bem entre a comédia e o drama. O problema é que o roteiro a usa mais como motor da história do que como personagem de verdade. Lily é o motivo da guerra dos pais, mas a trajetória dela mesma fica meio de lado.

Billie Lourd, como Wren Butler, faz o tipo da amiga desencanada e boca suja, e leva uma energia atrevida para cada cena em que aparece. Maxime Bouttier, no papel de Gede, é gentil e equilibrado, o que contrabalança bem o chilique dos pais. Lucas Bravo, que muita gente conhece da série Emily em Paris, é um dos coadjuvantes mais engraçados do filme como Paul, e é uma pena que não tenha ganhado mais tempo de tela. Completam o elenco Cintya Dharmayanti (Losi) e Geneviève Lemon (Beth-Ann).

No geral, o time não é ruim, só que todo mundo fica à sombra dos dois grandes nomes. E isso não é por acaso: quem compra ingresso para este filme quer ver, antes de tudo, Roberts e Clooney.

Ol Parker e a arte do cinema ensolarado

O diretor Ol Parker não é novato no gênero: foi ele quem dirigiu a continuação Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo, e isso fica evidente. Parker sabe filmar de um jeito que faz o espectador sentir, ainda na poltrona do cinema, o calor, o ar salgado e aquele clima de férias que tanta falta faz no dia a dia.

Visualmente, Ingresso Para o Paraíso é muito agradável. As imagens brilham, as locações são tentadoras e há algo bem calculado na forma como o filme vende a fantasia da fuga. Esse tipo de cinema é meio propaganda de turismo, meio comédia romântica, e Parker não tem vergonha nenhuma disso. Eu também não jogaria isso contra ele.

Onde ele escorrega é no ritmo. Os 104 minutos não são longos, mas o miolo do filme dá uma arrastada quando as sabotagens dos pais começam a se repetir. Com uma montagem mais enxuta, a coisa teria ficado ainda mais ágil.

Onde o caminho para o paraíso dá uns solavancos?

O maior problema é a previsibilidade. Cada virada do filme parece ter saído direto de um manual de comédia romântica. Isso, por si só, não é pecado, já que o gênero vive do familiar, mas depois de um tempo faz falta um pouco de ousadia, uma jogada inesperada, uma cena que fuja da fórmula.

As camadas dramáticas também ficam bem na superfície. O divórcio, as feridas antigas e os medos de pai e mãe poderiam render temas sérios, mas o filme só encosta neles e corre de volta para as piadas. Talvez seja o certo para uma comédia leve, mas em alguns momentos senti que dava para ir além.

A volta das comédias românticas de antigamente

Este filme tem um valor que não dá para medir com nota. Durante um tempo, as comédias românticas para adultos, apoiadas em grandes estrelas, praticamente sumiram dos cinemas, e Ingresso Para o Paraíso funciona como um retorno nostálgico a esse gênero. Basta o nome de Julia Roberts para a gente lembrar da época de O Casamento do Meu Melhor Amigo e Uma Linda Mulher, e o filme brinca de propósito com essa memória.

Ele não quer ser mais esperto que o público nem fazer um grande comentário social. Ele simplesmente diz: aqui estão duas pessoas de quem você gosta, sente aí, ria e esqueça um pouco dos seus problemas. Hoje, com os cinemas dominados por super-heróis e franquias, essa modéstia chega a soar refrescante.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (2018), O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997), O Pai da Noiva (1991), Onze Homens e um Segredo (2001), Sintonia de Amor (1993)

Perguntas frequentes

Do que se trata Ingresso Para o Paraíso?

David e Georgia são divorciados, mas precisam se aliar para impedir o casamento da filha apaixonada, Lily, porque acham que ela está prestes a cometer o mesmo erro que eles cometeram no passado.

Quando Ingresso Para o Paraíso estreou no Brasil?

O filme estreou nos cinemas brasileiros em 8 de setembro de 2022.

Qual é a duração de Ingresso Para o Paraíso?

O filme tem 104 minutos de duração.

Quem está no elenco e quem dirigiu?

Os protagonistas são Julia Roberts (Georgia Cotton) e George Clooney (David Cotton), ao lado de Kaitlyn Dever, Billie Lourd, Maxime Bouttier e Lucas Bravo. A direção é de Ol Parker.

Qual é o título original do filme?

O título original desta produção americana e britânica é Ticket to Paradise.

Vale a pena embarcar nessa escapada para o paraíso?

Vale, se você souber o que vai ver. Ingresso Para o Paraíso não vai mudar a sua vida e, provavelmente, em poucas semanas você nem vai lembrar dos detalhes. Mas vai lembrar que se divertiu. Julia Roberts e George Clooney conduzem o filme com uma leveza tão segura que os pontos fracos quase derretem no sol.

É previsível? É. Superficial? Às vezes. Mas é feito com carinho, divertido e bonito, e tem noite em que é exatamente disso que a gente precisa. Com uma taça de vinho, no fim de uma semana cansativa, é difícil achar companhia melhor. Eu toparia fácil mais uma rodada com esses dois.

Nota: 6,5/10 · História 5 · Atuação 8 · Direção 6 · Visual 8 · Música e som 6 · Emoção 6