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Crítica antes da estreia · Nos cinemas desde 10/09/2026

A Ilha Esquecida, crítica antecipada: amizade, mitos filipinos e um monstro temido na nova aventura da DreamWorks

Filmes americanosAnimações de aventuraFilmes infantis

Tem despedida que dói mais do que qualquer monstro, e a DreamWorks resolveu construir uma ilha inteira em cima dessa ideia. A Ilha Esquecida joga duas melhores amigas num mundo repleto de mitologia filipina, onde o preço para voltar para casa é justamente o passado que elas dividem. Esta crítica antecipada fala sobre por que a proposta me fisgou tanto e onde ela ainda pode tropeçar.

8,0/10
Nota esperada
No papel, uma das aventuras animadas mais comoventes da temporada, desde que os diretores tenham coragem de levar a sério a própria premissa.
História
8
Atuação
7
Direção
8
Visual
9
Música e som
7
Emoção
9

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalForgotten Island
Estreia no Brasil10/09/2026
DireçãoJoel Crawford, Januel Mercado
GêneroAnimações de aventura
Classificação10
PaísFilmes americanos

A última noite juntas, que não termina como o planejado

Jo e Raissa são inseparáveis desde o ensino fundamental, mas a vida está puxando cada uma para um lado. Situação conhecida, né? Todo mundo já teve pelo menos aquele amigo com quem jurava que ia estar junto para sempre, até que veio a mudança de cidade, a faculdade, o trabalho, e de repente sobraram só as fotos antigas.

O filme começa exatamente nesse momento: as meninas estão comemorando a última noite juntas quando um portal misterioso as leva para a ilha de Nakali. Lá vivem criaturas mágicas e mitológicas sobre as quais elas ouviam histórias na infância, dentro das próprias famílias filipinas. Algumas viram amigas. Outras, inimigas.

E a virada é o que me ganhou na hora: o preço para voltar para casa são todas as memórias da amizade delas. Ou seja, dá para sair, mas só esquecendo uma da outra. Difícil pensar numa metáfora melhor para aqueles afastamentos silenciosos que acontecem quando a gente cresce.

Manananggal e companhia: finalmente uma mitologia que ainda não foi mastigada

Vou ser sincero: cansei de deuses gregos e dragões nórdicos. Há décadas os estúdios de animação giram em torno das mesmas poucas cestas mitológicas, então é uma alegria à parte ver A Ilha Esquecida mergulhar no folclore filipino.

A grande vilã é a Temida Manananggal, a criatura mais assustadora da ilha. Quem conhece essa figura das crenças populares das Filipinas sabe que ela está longe de ser um bichinho de pelúcia fofo, e tudo indica que o filme não vai arrancar todos os dentes dela. Estou muito curioso para ver até onde eles topam ir no susto. A DreamWorks, quando está em boa forma, sabe trabalhar tons mais sombrios, e se fizer isso aqui, a Manananggal pode virar uma das vilãs animadas mais marcantes do ano.

Entre os coadjuvantes aparecem um cão de caça bem intencionado, mas atrapalhado, e um bando de parceiros pequenos, porém valentes. É a receita clássica da DreamWorks: precisa de humor, precisa de mascote, precisa de personagem que vira pelúcia no Natal. Não me incomoda, contanto que isso não abafe a história das duas meninas.

Joel Crawford e Januel Mercado: a ilha está em boas mãos

Só o nome de Joel Crawford já tranquiliza. Ele dirigiu Os Croods 2: Uma Nova Era e, mais importante, Gato de Botas 2: O Último Pedido, que para mim é um dos melhores filmes da DreamWorks na última década. Aquele longa provou que uma animação para crianças pode falar sobre medo da morte e continuar divertida e visualmente deslumbrante. Se essa coragem chegar até aqui, o jogo está ganho.

O codiretor é Januel Mercado, que também vem da equipe do Gato de Botas. Ou seja, a dupla não é um experimento, é uma parceria criativa já testada e bem afinada. E, para a autenticidade de uma história com raízes filipinas, o que cada pessoa da equipe traz na bagagem pode fazer muita diferença.

Depois do visual pictórico e cheio de textura de O Último Pedido, fico especialmente interessado em saber qual linguagem visual eles escolheram para Nakali. Um mundo tropical lotado de criaturas mitológicas praticamente implora por cores ousadas e soluções de imagem mais experimentais.

O que pode fazer dele um grande filme?

O conflito central é genialmente simples, e essa é sua maior força. O que está em jogo não é salvar o mundo, é uma amizade. Isso é muito mais pessoal e dói muito mais. As melhores animações, pense em Divertida Mente ou Viva: A Vida é uma Festa, sempre se apoiaram num núcleo emocional assim: simples, mas visceral.

Onde a coisa pode desandar

Eu não seria honesto se só ficasse comemorando. A maior tentação da DreamWorks sempre foi encher o silêncio com piada demais e coadjuvante fofo demais. Um cão de caça e um bando inteiro de parceiros podem facilmente roubar o foco do que realmente importa: a relação entre Jo e Raissa.

O outro risco é o tom. Tudo indica que vai haver momentos assustadores, mas se o filme ficar com medo da própria escuridão, a Manananggal vira só mais um monstro barulhento e cheio de efeitos. E se pesar demais na mão, pode deixar o público mais novo de fora. Acertar esse equilíbrio não é fácil.

Por fim, tem a questão do desfecho. Com uma premissa dessas, é fácil fugir para uma solução confortável demais, que acalma todo mundo. Eu torço para que o filme tenha coragem de bancar um risco de verdade.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Gato de Botas 2: O Último Pedido (2022), A Viagem de Chihiro (2001), Divertida Mente (2015), Viva: A Vida é uma Festa (2017), Moana: Um Mar de Aventuras (2016)

Perguntas frequentes

Quando A Ilha Esquecida estreou nos cinemas brasileiros?

A Ilha Esquecida chegou aos cinemas do Brasil em 10 de setembro de 2026.

Sobre o que é A Ilha Esquecida?

Jo e Raissa, duas melhores amigas, atravessam um portal misterioso na última noite que passam juntas e vão parar na ilha de Nakali, cheia de criaturas da mitologia filipina. Elas precisam enfrentar a Temida Manananggal e descobrem que o preço para voltar para casa são todas as memórias da amizade delas.

Quem dirigiu A Ilha Esquecida?

O filme é dirigido por Joel Crawford e Januel Mercado, com produção da DreamWorks Animation.

Qual é o gênero de A Ilha Esquecida?

É uma animação de aventura americana que trabalha criaturas e lendas da mitologia filipina.

Vale a pena embarcar rumo à ilha de Nakali?

Acho que sim. A Ilha Esquecida traz tudo o que uma animação memorável precisa: algo simples, mas dolorosamente verdadeiro em jogo, uma mitologia fresca e pouco vista, e uma dupla de diretores que já provou que filme para a família também pode ser corajoso. Claro, o material de divulgação não responde se a DreamWorks sabe ficar em silêncio quando precisa ou se vai jogar uma gag de cachorro depois de cada momento dramático. Eu boto fé. O filme já está nos cinemas brasileiros desde 10 de setembro, e se no fim, durante os créditos, você se pegar pensando no seu melhor amigo, é sinal de que ele acertou em tudo. Minha nota esperada: um 8 firme, com chance de subir.

Nota esperada: 8,0/10 · História 8 · Atuação 7 · Direção 8 · Visual 9 · Música e som 7 · Emoção 9