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Crítica · Estreia: 20/05/2011

Blitz crítica: Jason Statham caça um assassino de policiais nas ruas mais sombrias de Londres

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Desta vez Jason Statham não é motorista nem matador de aluguel. Ele vive um policial londrino que responde a processo disciplinar e não está nem aí para o protocolo. Blitz é um policial cru, sujo e às vezes bem cruel, construído em torno de um maluco que sai por aí matando tiras. Não reinventa nada, mas sabe exatamente o que quer: bater forte.

6,2/10
Nota
Um policial britânico duro e seco, sustentado pelo carisma de Statham e por um elenco de apoio surpreendentemente forte, mesmo que o roteiro tropece aqui e ali.
História
6
Atuação
7
Direção
6
Visual
6
Música e som
6
Emoção
6

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

Estreia no Brasil20/05/2011
DireçãoElliott Lester
ElencoJason Statham, Paddy Considine, Aidan Gillen, Zawe Ashton, Luke Evans, David Morrissey
GêneroFilmes de crime, Filmes de ação, Thrillers
Duração97 min
Classificação16
PaísFilmes franceses, Filmes britânicos, Filmes americanos

Sobre o que é Blitz, sem spoilers?

A delegacia do sudeste de Londres, para dizer o mínimo, não vive seus melhores dias. O melhor detetive da casa, Tom Brant, está sendo processado por ter agredido um psiquiatra. O chefe da delegacia perdeu a esposa há pouco tempo num acidente de carro terrível. E Elizabeth Falls, policial negra da equipe, vive brigando com o complexo de inferioridade que carrega por ser mulher e por causa da cor da pele.

É nesse time bastante abalado que cai um serial killer que a imprensa passa a chamar de Blitz. E ele não escolhe qualquer alvo: mata apenas policiais, tudo para conquistar fama. A partir daí as coisas só pioram, e os tiras, que já estavam no chão, precisam encarar ao mesmo tempo seus próprios demônios e um assassino que se alimenta de atenção.

É isso que vale saber antes. A força do filme não está num grande mistério, e sim no clima e nos personagens, então o resto fica para você descobrir.

Statham, o policial indisciplinado

A carreira de Jason Statham decolou com Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch: Porcos e Diamantes. Depois vieram Carga Explosiva e Adrenalina, e pronto, ele ficou rotulado: virou o careca durão que bate primeiro e pergunta depois. Blitz não muda essa imagem de forma radical, mas acrescenta uma nuance interessante. Tom Brant é policial, ou seja, em tese está do lado da lei, só que é tão violento quanto os caras que persegue.

Aqui Statham finalmente joga em casa, em ambiente inglês e com sotaque inglês. Ele tem um humor ácido e rabugento que cai muito bem, e embora ninguém deva esperar grande profundidade dramática, a raiva do personagem convence. Ele é o motor do filme, e quando está em cena, Blitz funciona.

Os coadjuvantes que roubam a cena

Se existe um motivo de verdade para assistir a Blitz, é o elenco. Paddy Considine vive Porter Nash, e quem já o viu em Dead Man's Shoes sabe o quanto ele é um ator intenso. A presença mais contida e introspectiva de Considine é um contraponto perfeito ao jeito espalhafatoso de Statham, e a dinâmica entre os dois está entre o que o filme tem de melhor.

Aidan Gillen, que a maioria conhece como o Mindinho de Game of Thrones, aparece como Barry Weiss, enquanto Zawe Ashton ganha, como Elizabeth Falls, uma das personagens mais interessantes e vulneráveis da trama. A lista ainda tem Luke Evans (Craig Stokes), David Morrissey (Dunlop), Ron Donachie (Sargento Cross) e Joe Dempsie (Theo Nelson). É um time de atores britânicos de dar inveja a produções com orçamento bem maior.

O problema é que nem todo mundo ganha espaço suficiente. Algumas linhas da história se rompem justamente quando começavam a ficar boas.

A direção de Elliott Lester: Londres suja, pouco brilho

Quem dirige é Elliott Lester, e a melhor decisão dele foi não tentar deixar Londres bonitinha. Essa não é a cidade dos cartões-postais: prédios cinzentos, ruas úmidas, uma delegacia gasta onde todo mundo está cansado e irritado. O clima é escuro, seco, às vezes francamente opressivo, e isso combina direitinho com um policial sobre um assassino de tiras.

Os 97 minutos correm enxutos, sem enrolação, mas dá para sentir que o filme oscila entre dois gêneros. De um lado, quer ser um drama de personagens sobre policiais quebrados; do outro, um clássico filme de ação do Statham. Os dois nem sempre se encaixam, e o tom às vezes muda aos solavancos entre o sombrio e o quase histórico em quadrinhos.

Onde Blitz escorrega?

O ponto mais fraco é o roteiro. A motivação do assassino, a busca pela fama, é uma ótima ideia de partida, que poderia dizer algo mais afiado sobre a mídia e o culto às celebridades, mas o filme prefere ficar na superfície. Ele apresenta os traumas por trás dos personagens e depois, muitas vezes, não faz muita coisa com eles.

Além disso, quem já viu muito suspense de serial killer vai reconhecer a estrutura de gato e rato. Falta aquela tensão cerebral, cheia de reviravoltas, que os grandes nomes do gênero entregam. Blitz é mais pancada do que inteligência, e é bom saber disso antes.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995), Harry Brown (2009), Efeito Dominó (2008), Zodíaco (2007), Assassino a Preço Fixo (2011)

Perguntas frequentes

Quando Blitz estreou no Brasil?

Blitz estreou no Brasil em 20 de maio de 2011.

Sobre o que é Blitz?

A equipe abalada de uma delegacia de Londres precisa capturar um serial killer que a imprensa chama de Blitz e que mata apenas policiais para ficar famoso.

Quanto tempo dura Blitz?

O filme tem 97 minutos.

Quem dirigiu Blitz?

O filme foi dirigido por Elliott Lester.

Quem está no elenco de Blitz?

Jason Statham (Tom Brant), Paddy Considine (Porter Nash), Aidan Gillen (Barry Weiss), Zawe Ashton (Elizabeth Falls), Luke Evans (Craig Stokes), David Morrissey (Dunlop), Ron Donachie (Sargento Cross) e Joe Dempsie (Theo Nelson).

Quais países produziram Blitz?

O filme é uma coprodução entre França, Reino Unido e Estados Unidos.

Vale a pena encarar o policial mais sujo da carreira do Statham?

Vale, se você souber no que está se metendo. Blitz não é obra-prima do gênero e nem tenta ser. É um policial britânico duro e sombrio de 97 minutos, que trabalha com um elenco forte e uma boa ideia de partida, mesmo que o roteiro não tire dela tudo o que podia. Statham entrega o que se espera dele, e Considine, na moita, rouba as cenas. Numa noite de chuva, com uma cerveja na mão, o filme entrega exatamente o que promete: escuridão londrina e muita pancada bem dada.

Nota: 6,2/10 · História 6 · Atuação 7 · Direção 6 · Visual 6 · Música e som 6 · Emoção 6