Corra que a Polícia Vem Aí! crítica: Frank Drebin, o desastre mais confiante do mundo
Tem comédia que você não assiste, você sobrevive, porque simplesmente falta ar de tanto rir. Corra que a Polícia Vem Aí! é exatamente assim: 81 minutos de besteira concentrada, apresentada com uma seriedade mortal. Foi aqui que Leslie Nielsen virou de vez o rei da paródia, e até hoje ninguém tirou esse trono dele.
Um dos picos do cinema de paródia, com uma densidade de piadas quase impossível de acompanhar e um Leslie Nielsen que transforma tudo em loucura sem mexer um músculo do rosto.
Ficha do filme
| Original | The Naked Gun: From the Files of Police Squad! |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 06/01/1989 |
| Direção | David Zucker |
| Elenco | Leslie Nielsen, Priscilla Presley, Ricardo Montalban, George Kennedy, O. J. Simpson, Susan Beaubian |
| Gênero | Comédias, Filmes policiais |
| Duração | 81 min |
| Classificação | L |
| País | Filmes americanos |
Onde assistir Corra que a Polícia Vem Aí!?
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Um atentado contra a rainha, com um tira desastrado em campo
No papel, a história tem o esqueleto de um policial clássico: Frank Drebin, o tira de queixo de granito e totalmente incorruptível, tenta impedir um atentado contra a rainha da Inglaterra. É isso. E, sinceramente? Nem precisa de mais. O enredo aqui é só um cabide onde os realizadores penduram as piadas, e piada é o que não falta.
No caso aparecem um agente crivado de balas, mas com uma cor ótima até, uma loira estonteante, dois times de beisebol e tanta figura esquisita que no final você nem tenta mais contar. Só que os verdadeiros inimigos de Drebin não são os bandidos. São as próprias mãos dele, que a cada oportunidade levam os acontecimentos para a direção mais absurda possível.
Quem espera uma investigação cheia de reviravoltas veio ao lugar errado. Agora, quem quer ver todos os clichês do filme policial desmontados peça por peça e depois montados do jeito errado encontrou o paraíso.
Leslie Nielsen, o homem que nunca ri da própria piada
O segredo do filme tem nome e sobrenome: Leslie Nielsen. O Frank Drebin dele funciona porque Nielsen nunca, nem por um segundo, pisca para o espectador. Ele interpreta as cenas mais absurdas como se estivesse num drama policial gravíssimo. Essa cara de paisagem é uma das armas mais poderosas da comédia, e Nielsen a usa com maestria.
Nielsen passou muito tempo fazendo papéis sérios, e é justamente esse passado que dá a mágica: existe nele uma autoridade que deixa tudo ainda mais engraçado quando ele provoca o caos total numa cena. Drebin é confiante, durão e completamente incompetente, e essa combinação é simplesmente irresistível.
Ao lado dele, Priscilla Presley, como Jane Spencer, é uma parceira surpreendentemente boa, porque também leva o ridículo a sério, e o romance dos dois é uma das linhas mais engraçadas do filme. George Kennedy vive Ed Hocken, o colega inabalável, e Ricardo Montalban entrega como Vincent Ludwig um vilão elegante e contido, que se leva a sério na medida certa. Entre os coadjuvantes está também O. J. Simpson como Nordberg, um personagem que no filme funciona mais como uma sequência ambulante de azares.
David Zucker e a metralhadora de piadas
A direção de David Zucker não se apoia no visual, e sim no timing e na densidade. É aquele tipo de comédia em que tem coisa acontecendo no fundo do quadro, tem piada até nos letreiros, e se uma gag não acerta, três segundos depois chega a próxima. A essência do estilo de Zucker é não deixar o espectador respirar, e aqui isso funciona perfeitamente.
Vale parar um instante, porque esse tipo de humor desanda com muita facilidade. Em Corra que a Polícia Vem Aí!, porém, existe disciplina: os trocadilhos, as gags visuais e as expressões levadas ao pé da letra giram dentro de uma engrenagem bem azeitada. E os 81 minutos de duração são uma bênção, porque o filme acaba bem antes de você cansar.
O que ainda funciona hoje?
Muita coisa, surpreendentemente. O humor de Corra que a Polícia Vem Aí! não depende tanto de referências pop presas à época, e sim de clichês de gênero, mal entendidos de linguagem e comédia física. E isso não envelhece. Um policial que estraga com toda a confiança do mundo a coisa mais simples continua tão engraçado hoje quanto antes.
- A densidade de piadas: a cada nova sessão você encontra algo que tinha passado batido.
- A seriedade: ninguém está fazendo comédia, todo mundo está fazendo filme policial, e é daí que vem a genialidade.
- O ritmo: não tem barriga, não tem cena sobrando.
- A paródia do romance: a relação de Drebin e Jane tira sarro de toda a breguice dos filmes românticos.
Onde a arma falha?
Sejamos honestos: esse humor não é para todo mundo. Quem prefere comédias mais sutis, construídas a partir dos personagens, pode achar Corra que a Polícia Vem Aí! barulhento e insistente demais depois de um tempo. A história é fina de propósito, e se as piadas não pegarem você, não sobra nada para segurar.
Algumas gags hoje soam mais estranhas, e há momentos em que o humor fica mais preso à própria época. Visualmente também não vai impressionar ninguém: é um filme feito de forma funcional, em que a imagem não é o ponto. Mas são pequenos defeitos numa obra que entrega exatamente o que promete.
Se posso dar um conselho: assista acompanhado. É o tipo de filme que fica ainda melhor com a risada coletiva, porque sempre tem alguém que pega uma piada que você deixou escapar.
Para quem é?
- É para você se: Para todo mundo que curte paródias absurdas e de ritmo acelerado, trocadilhos e besteira apresentada com cara de paisagem. Obrigatório para fãs de comédia.
- Melhor pular se: Para quem procura um policial sério, uma trama bem construída ou um humor delicado e silencioso. Quem não aguenta gags sem parar cansa rápido.
Se gostar, veja também: Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu! (1980), Corra que a Polícia Vem Aí 2½ (1991), Corra que a Polícia Vem Aí 33 1/3 (1994), Top Gang! Ases Muito Loucos (1991), Top Secret! Superconfidencial (1984)
Perguntas frequentes
Quando Corra que a Polícia Vem Aí! estreou no Brasil?
O filme chegou aos cinemas brasileiros em 6 de janeiro de 1989.
Sobre o que é Corra que a Polícia Vem Aí!?
Frank Drebin, um tira desastrado mas incorruptível, tenta impedir um atentado contra a rainha da Inglaterra enquanto se mete em situações cada vez mais absurdas.
Qual a duração de Corra que a Polícia Vem Aí!?
O filme tem 81 minutos.
Quem dirigiu Corra que a Polícia Vem Aí!?
O filme foi dirigido por David Zucker.
Quem interpreta Frank Drebin?
Frank Drebin é vivido por Leslie Nielsen, e Priscilla Presley aparece como Jane Spencer.
Corra que a Polícia Vem Aí! ainda acerta as piadas depois de tantos anos?
Sim, e com folga. Corra que a Polícia Vem Aí! é um dos pilares do gênero paródia e ainda mostra direitinho como se faz uma comédia em ritmo implacável e com seriedade mortal. A atuação de Leslie Nielsen é de livro didático, e a direção de David Zucker tem precisão de relógio. Não é um filme perfeito, nem quer ser: é uma máquina de risada de 81 minutos que dá para tirar da prateleira a qualquer hora. Se ainda não viu, corra atrás; se já viu, veja de novo. Com certeza vai achar uma piada nova.
