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Crítica · Estreia: 04/03/2021

Raya e o Último Dragão crítica: quando a Disney fala de confiança, e não de princesas

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Tem filme da Disney que a criançada ama e os pais só aguentam, e tem aqueles em que o adulto se pega inclinado para a frente no sofá. Raya e o Último Dragão está no segundo grupo, mesmo sem ser perfeito. Revendo o filme anos depois da estreia em 2021, continuo achando que é uma das aventuras mais corajosas do estúdio, com um tema surpreendentemente adulto.

8,2/10
Nota
Uma aventura de fantasia linda de ver e cheia de coração sobre a dificuldade de confiar, que só não chega ao posto de clássico por causa do humor às vezes forçado e do ritmo apressado.
História
7
Atuação
8
Direção
8
Visual
10
Música e som
8
Emoção
8

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalRaya and the Last Dragon
Estreia no Brasil04/03/2021
DireçãoDon Hall, Carlos López Estrada
ElencoKelly Marie Tran, Awkwafina, Gemma Chan, Alan Tudyk, Izaac Wang, Benedict Wong
GêneroFilmes de animação, Filmes de ação, Filmes de aventura, Filmes de fantasia, Filmes para a família
Duração107 min
ClassificaçãoL
PaísFilmes americanos

Kumandra, onde um dia tudo foi um só

A premissa é de conto de fadas, mas sem infantilizar ninguém. Na terra de Kumandra, humanos e dragões já viveram lado a lado em harmonia. Até que surgiu uma força maligna e os dragões se sacrificaram para salvar a humanidade. Um gesto bonito, só que a gratidão não virou união: a região se despedaçou e os povos se dividiram.

Quinhentos anos depois, o mal volta, e cabe a uma guerreira solitária, Raya, encontrar o lendário último dragão. É isso que vale a pena saber antes de assistir; o resto fica por conta do filme. O que importa: aqui não temos aquela velha fórmula da "garota que se descobre e encontra o amor". O que está em jogo é reunir um mundo inteiro, e o mais interessante é que a pergunta não é quem é o mais forte, e sim em quem dá para confiar.

Para mim, essa é a maior força do filme. A Disney costuma se apoiar no confronto claro entre bem e mal, mas aqui o verdadeiro inimigo é a divisão, a desconfiança e o ressentimento. Para um filme de família, é uma ideia surpreendentemente madura, e chega às crianças de um jeito que elas conseguem entender.

Raya não é princesa, e isso faz bem a ela

Raya é guerreira. Não canta para a lua nem sonha com o mundo além dos muros do palácio: ela faz o que precisa ser feito, de espada na mão, coberta de poeira, de dentes cerrados. A voz de Kelly Marie Tran traz exatamente essa dureza, e por baixo dela estão o cansaço e a ferida que deixam Raya tão fechada. Muita gente conhece Tran da trilogia mais recente de Star Wars, e aqui ela finalmente ganhou um papel em que pode mostrar do que é capaz.

A melhor sacada do filme é que a desconfiança da protagonista não é um defeitinho fofo, e sim um obstáculo de verdade. Muitas vezes Raya não é simpática, e tudo bem. Uma personagem que precisa aprender a confiar só convence quando a gente vê o quanto isso é difícil para ela.

Awkwafina e companhia: uma turma barulhenta e colorida

Awkwafina, como a voz de Sisu, é o motor do filme. A energia cômica rouca, rápida e meio avoada é toda dela, e isso vai dividir opiniões: tem gente que vai se derreter, e tem gente que vai achar demais depois de um tempo. Eu fico no meio do caminho. Nos melhores momentos, Sisu leva calor para a dureza de Raya; nos piores, parece que um número de stand-up foi parar no meio de uma epopeia.

Gemma Chan, como Namaari, é o contraponto, e foi uma ótima escolha: fria, contida, mas dá para sentir que ela também tem camadas. Daniel Dae Kim, como Benja, pai de Raya, tem presença forte mesmo com pouco tempo em cena. Entre os coadjuvantes estão Benedict Wong (Tong), Izaac Wang (Boun) e Thalia Tran (Little Noi), que dão cor à equipe que vai se formando ao longo da aventura.

Uma menção especial para Alan Tudyk, que dá voz ao Tuk Tuk. Tudyk é figurinha carimbada nas animações da Disney e prova mais uma vez que dá para construir um personagem com o mínimo de recursos. O Tuk Tuk vai ser o queridinho das crianças, pode apostar.

Don Hall e Carlos López Estrada: um visual de cair o queixo

A dupla de diretores, Don Hall e Carlos López Estrada, montou um mundo incrivelmente rico. Hall já estava por trás de Operação Big Hero e Moana: Um Mar de Aventuras, e isso se nota: ele sabe estruturar um filme de aventura de modo que cada cenário traga um sabor novo.

Não é à toa que minha nota para o visual é dez. A água, a luz, as texturas, a paleta própria de cada região, tudo é de primeira. As coreografias de luta são surpreendentemente dinâmicas para uma animação e lembram mais o ritmo dos filmes de artes marciais do que as briguinhas típicas da Disney. Para os menores, um ou outro momento pode ser um pouco mais tenso do que o ideal.

A trilha também é forte, épica, à altura da aventura. O que falta é aquela canção chiclete que a criançada fica cantarolando por semanas. Não é um defeito, e sim uma escolha consciente, já que o filme não é um musical, mas quem espera uma experiência no estilo Frozen pode estranhar.

Onde o dragão tropeça

Os 107 minutos parecem razoáveis à primeira vista, mas o filme quer encaixar coisa demais. Vários cenários, vários coadjuvantes, uma mitologia densa e um arco emocional, tudo num ritmo que às vezes parece mais correria do que viagem. Alguns personagens que poderiam render mais acabam virando só uma parada riscada da lista.

O outro problema é o tom. Os melhores momentos do filme são os silenciosos, os mais pesados, quando ele fala de confiança e de perda. Só que eles são interrompidos com frequência por uma piada cheia de gíria moderna que tira a gente daquele mundo. Entendo que é preciso divertir as crianças também, mas um pouco mais de coragem na seriedade teria feito bem.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Moana: Um Mar de Aventuras (2016), Como Treinar o Seu Dragão (2010), Mulan (1998), Kubo e as Cordas Mágicas (2016), Operação Big Hero (2014)

Perguntas frequentes

Quando Raya e o Último Dragão estreou no Brasil?

O filme estreou no Brasil em 4 de março de 2021.

Qual a duração de Raya e o Último Dragão?

O filme tem 107 minutos de duração.

Sobre o que é Raya e o Último Dragão?

Em Kumandra, os dragões um dia se sacrificaram pela humanidade, mas 500 anos depois o mal retorna. Raya precisa encontrar o último dragão, que pode reunir a terra dividida.

Quem está no elenco de Raya e o Último Dragão?

Entre as vozes originais estão Kelly Marie Tran (Raya), Awkwafina (Sisu), Gemma Chan (Namaari), Alan Tudyk (Tuk Tuk) e Daniel Dae Kim (Benja).

Quem dirigiu Raya e o Último Dragão?

O filme foi dirigido por Don Hall e Carlos López Estrada.

Ainda vale a pena embarcar na aventura de Raya hoje?

Vale, e não só por causa das crianças. Raya e o Último Dragão não é o filme mais redondinho da Disney, mas é um dos mais corajosos: não é sempre que uma animação para a família diz que o nosso maior inimigo é a nossa própria desconfiança. O visual continua deslumbrante, a dupla Kelly Marie Tran e Awkwafina funciona, e se a gente relevar o humor às vezes exagerado, fica com uma aventura cheia de coração e difícil de esquecer. Recomendo sem medo para uma sessão em família, e se você deixou passar achando que era "só mais um Disney", agora é a hora de dar uma chance.

Nota: 8,2/10 · História 7 · Atuação 8 · Direção 8 · Visual 10 · Música e som 8 · Emoção 8