Kinoster
BR ▾

Crítica · Estreia: 07/07/2022

Thor: Amor e Trovão, crítica: quando o raio cai vezes demais no mesmo lugar

Filmes americanosFilmes de fantasiaFilmes de açãoComédiasFilmes de super-heróisSequênciasAdaptações de quadrinhos

Chega uma hora em que a piada deixa de ser arma e vira muleta. Thor: Amor e Trovão se equilibra exatamente nesse ponto, em quase duas horas de festa cósmica colorida, barulhenta, às vezes genial e às vezes cansativa. Jane Foster está de volta, surge um vilão realmente arrepiante e Taika Waititi aumenta tudo para o volume máximo de novo.

6,2/10
Nota
Christian Bale entrega um vilão que pertence a um filme mais sombrio e melhor, enquanto ao redor dele a saga do Thor se dissolve numa comédia que ora diverte, ora irrita.
História
5
Atuação
7
Direção
6
Visual
7
Música e som
7
Emoção
5

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalThor: Love and Thunder
Estreia no Brasil07/07/2022
DireçãoTaika Waititi
ElencoChris Hemsworth, Natalie Portman, Christian Bale, Tessa Thompson, Taika Waititi, Russell Crowe
GêneroFilmes de fantasia, Filmes de ação, Comédias
Duração119 min
Classificação14
PaísFilmes americanos

Onde assistir Thor: Amor e Trovão?

Por assinaturaDisney Plus

Dados de streaming: JustWatch · atualizado em: 13/10/2026

Do que se trata? Um Carniceiro dos Deuses no horizonte

A premissa é simples, e isso não é defeito. Desta vez, Thor enfrenta um inimigo que não quer dominar o mundo nem conquistar poder infinito. O que move Gorr, o Carniceiro dos Deuses, é algo muito mais pessoal: ele quer exterminar os deuses. Todos eles. Para Thor, não se trata de só mais uma emergência cósmica, já que ele mesmo está na lista de alvos.

Claro que ele não encara a missão sozinho. Leva junto a Rei Valquíria, o gentil Korg, com seu coração de pedra, e, aí vem a reviravolta que os trailers já entregaram, a ex-namorada Jane Foster, que, por incrível que pareça, consegue empunhar o Mjölnir. O grupo parte numa aventura cósmica para descobrir o que alimenta a vingança de Gorr e detê-lo antes que seja tarde demais.

Esse é o ponto de partida, e não vale a pena saber mais do que isso antes de ver. A força do filme, aliás, nem está nas reviravoltas, mas no jeito como esses personagens se esbarram, se provocam e, enquanto isso, lá no fundo, as apostas vão subindo devagar e sempre.

Christian Bale: o vilão que rouba a cena

Vamos começar pelo melhor, porque aqui não tem discussão. O Gorr de Christian Bale é um dos vilões mais marcantes que a Marvel levou às telas nos últimos tempos. Quem o viu na trilogia do Batman ou em Psicopata Americano sabe que Bale é capaz de se transformar por completo, e é exatamente isso que ele faz aqui: sua presença silenciosa, sinistra, quase fantasmagórica, congela o ar em todas as cenas.

O problema é que Bale parece estar atuando em outro filme. Enquanto ele constrói um vingador trágico, digno de um terror, todo mundo ao redor está fazendo stand-up. O contraste às vezes funciona, e em uma ou duas cenas é até bem forte, mas muitas vezes tive a sensação de que o filme não tem coragem de levar o próprio vilão a sério. E ele mereceria.

Hemsworth, Portman e a turma toda

Chris Hemsworth é Thor há anos, e dá para perceber: ele está completamente à vontade no papel, e seu timing cômico só melhorou desde Ragnarok. Aqui, porém, o roteiro muitas vezes o reduz a um palhaço, e embora o carisma de Hemsworth segure até isso, em alguns momentos senti falta do peso que o personagem já carregou.

A volta de Natalie Portman como Jane Foster é uma das grandes cartadas do filme. É bom vê-la, finalmente, deixar de ser coadjuvante da própria história: como a Poderosa Thor, ela mostra um lado novo, e Portman visivelmente aproveita o momento. Tessa Thompson, como Rei Valquíria, está solta e segura, mas recebe menos do que merecia.

Entre os coadjuvantes, quem se destaca é Russell Crowe como Zeus, numa atuação totalmente descontrolada e autoparódica. Ou você vai amar, ou vai colocar a mão na cabeça. Aparecem ainda Jaimie Alexander como Sif e Idris Elba como Heimdall, e Korg e um velho deus kronano ganham a voz do próprio diretor, Taika Waititi.

Taika Waititi: quando o estilo engole o conteúdo

Ninguém nega que Waititi tem uma voz própria. Foi ele quem levou cor, humor e autoironia para a saga do Thor, e muita gente diz que salvou o personagem da mesmice. Neste filme, porém, parece que a coisa fugiu do controle. As piadas são tão frequentes que os momentos dramáticos mal conseguem respirar, e quando o filme ensaia ficar sério, a próxima gag já está ali para estourar o clima.

Isso não quer dizer que faltem boas ideias. Há cenas visualmente ousadas e realmente memoráveis, e a energia do filme é inegável. A questão é para onde essa energia leva. Aqui, muitas vezes, para lugar nenhum: dando voltas e voltas, com muita cor.

O que funciona e onde escorrega?

Em poucas palavras e em tópicos, já que o próprio filme adora um ritmo acelerado:

Vale lembrar que os momentos mais sombrios do filme, sobretudo as cenas de Gorr, não são para os pequenos, mesmo que a embalagem seja colorida como um arco-íris.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Thor: Ragnarok (2017), Guardiões da Galáxia (2014), Thor (2011), Thor: O Mundo Sombrio (2013), Vingadores: Ultimato (2019)

Perguntas frequentes

Quando Thor: Amor e Trovão estreou no Brasil?

O filme estreou nos cinemas brasileiros em 7 de julho de 2022.

Qual é a história de Thor: Amor e Trovão?

Com a ajuda da Rei Valquíria, de Korg e da ex-namorada Jane Foster, Thor enfrenta Gorr, o Carniceiro dos Deuses, que quer exterminar todos os deuses. Surpreendentemente, Jane consegue usar o Mjölnir.

Quanto tempo dura o filme?

Thor: Amor e Trovão tem 119 minutos.

Quem dirigiu e quem está no elenco principal?

A direção é de Taika Waititi. O elenco principal conta com Chris Hemsworth (Thor), Natalie Portman (Jane Foster / Poderosa Thor), Christian Bale (Gorr) e Tessa Thompson (Rei Valquíria).

Quem interpreta Zeus?

Zeus é interpretado por Russell Crowe.

Vale a pena pegar o martelo de novo?

Thor: Amor e Trovão não é um filme ruim, só é um filme que ri alto demais das próprias piadas. Tem um vilão excelente, um retorno que aquece o coração e vários momentos espetaculares, mas o vaivém constante de tom impede que tudo se encaixe. Se você quer uma noite leve e colorida e não se importa de ver o drama ser sacrificado pela piada a toda hora, vai se divertir. Agora, se está atrás daquele Thor cujo destino realmente importa, melhor rever Ragnarok. Da minha parte, fica uma recomendação mediana, mas que, por causa de Christian Bale, vale bem a pena.

Nota: 6,2/10 · História 5 · Atuação 7 · Direção 6 · Visual 7 · Música e som 7 · Emoção 5