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Crítica antes da estreia · Nos cinemas desde 07/01/2027

Tigre de Papel, crítica antecipada: James Gray volta ao submundo do crime, agora com Adam Driver

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Tem diretor que basta aparecer o nome nos créditos para a gente parar de fazer perguntas e só marcar a data na agenda. James Gray é exatamente esse tipo de cineasta. Tigre de Papel chega aos cinemas brasileiros em 7 de janeiro de 2027 e, embora quase nada se saiba sobre a trama, o elenco já basta para colocar o filme entre as apostas mais promissoras da virada do ano. Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller num filme de gângster de James Gray: no papel, isso está mais para leão do que para tigre.

8,0/10
Nota esperada
No papel, Tigre de Papel é uma das estreias mais fortes do começo de 2027 e, se Gray entregar o que costuma entregar, pode ser a grande surpresa de queima lenta do nosso verão nos cinemas.
História
7
Atuação
9
Direção
9
Visual
8
Música e som
7
Emoção
8

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalPaper Tiger
Estreia no Brasil07/01/2027
DireçãoJames Gray
ElencoAdam Driver, Scarlett Johansson, Miles Teller, Gavin Goudey, Roman Engel, Cindy Katz
GêneroFilmes de gângster
PaísFilmes franceses, Filmes ingleses, Filmes poloneses, Filmes italianos

Do que se trata? Por enquanto, um filme de mistérios

Vou ser direto: neste momento não há muito o que contar sobre a trama de Tigre de Papel, porque as informações oficiais praticamente se resumem à equipe, ao gênero e à data de estreia. O que se sabe com certeza é que se trata de um filme de gângster e que quem está na cadeira de diretor é James Gray. Só que essas duas coisas juntas já dizem bastante, pelo menos para quem acompanha a carreira dele.

O próprio título é cheio de sugestões. A expressão "tigre de papel" designa alguém ou algo que parece ameaçador, mas que por dentro é oco, sem força de verdade. No contexto de um filme de gângster, isso pode ir para vários lados: um chefão que perdeu o poder, uma figura que fala grosso mas é vulnerável, ou até um sistema inteiro que só continua de pé pelas aparências. Qual dessas leituras vale, o filme é que vai dizer, e eu não vou inventar nada aqui. Mas confesso que só o título já me deixa mais curioso do que o trailer inteiro de muito filme por aí.

James Gray, o cineasta discreto do crime

Gray faz parte de um grupo raro de diretores americanos que trabalham sempre no próprio ritmo, sem se importar com o que o mercado está pedindo. Desde o início da carreira, ele se interessa pelo entrelaçamento entre crime e família. Basta lembrar de Os Donos da Noite, de 2007, em que a fronteira entre a polícia e o submundo passava dentro de uma mesma família. Depois ele foi do drama de época (Era Uma Vez em Nova York) até o espaço (Ad Astra: Rumo às Estrelas), mas os temas no fundo continuaram os mesmos: pais e filhos, culpa, lealdade, traição e aquela melancolia que deixa a gente remoendo o filme por dias.

Por isso aposto que Tigre de Papel não vai ser um filme de ação acelerado, cheio de tiroteio. Os filmes de gângster de Gray bebem da tradição clássica, daquele universo em que a tensão numa mesa de jantar é tão grande quanto num beco escuro. Quem espera explosões está no lugar errado. Já quem gosta de um filme que aperta o estômago devagar, mas sem dó, pode ganhar um belo presente.

Driver, Johansson, Teller: um elenco que já vale o ingresso

A maior arma de Tigre de Papel é claramente o elenco. Adam Driver é um dos atores mais interessantes dos últimos anos, capaz de nos convencer de tudo, do lado sombrio de Star Wars ao poeta silencioso de Paterson. Driver tem uma tensão inquieta e imprevisível que, num filme de gângster, pode valer ouro.

A presença de Scarlett Johansson também é uma grande promessa. Ao lado deles está Miles Teller, que muita gente conhece como o baterista obstinado de Whiplash: Em Busca da Perfeição ou o piloto de Top Gun: Maverick, e que sabe muito bem interpretar personagens em que a autoconfiança esconde uma rachadura.

Aliás, Driver e Johansson já se conhecem das telas: em História de um Casamento eles provaram que formam uma dupla impressionante. Que tipo de relação os personagens deles terão em Tigre de Papel ainda não sabemos, mas se houver metade da eletricidade daquele filme, já terá valido a pena. No elenco aparecem também Gavin Goudey, Roman Engel e Cindy Katz, cujos papéis ainda não foram detalhados.

Dinheiro europeu, submundo americano?

Um detalhe curioso é que o filme é uma coprodução entre França, Reino Unido, Polônia e Itália. À primeira vista, isso soa estranho para um diretor americano com um elenco majoritariamente americano, mas no caso de Gray não surpreende nem um pouco. Ele sempre foi mais querido na Europa, principalmente na França, do que em casa, e seus filmes têm um clima muito mais próximo do cinema de autor europeu do que da linha de montagem de Hollywood.

O que esse pano de fundo internacional significa para a história em si, eu não sei e não vou ficar especulando. Mas pode significar uma coisa: mais liberdade criativa. Para um diretor que detesta interferência na montagem, o financiamento europeu muitas vezes é a própria tábua de salvação. Para mim, isso é um bom sinal.

Onde a coisa pode desandar?

Não quero só celebrar, porque também há riscos. Os filmes de Gray são famosos pela lentidão, e isso não agrada a todo mundo. Se Tigre de Papel seguir essa linha, parte do público que busca diversão leve nas férias de janeiro vai sair da sala decepcionada. Não é por acaso que vários filmes do diretor foram mais sucesso de crítica do que de bilheteria.

O outro perigo é o próprio gênero. O filme de gângster é um dos territórios mais explorados da história do cinema, e a sombra de O Poderoso Chefão e Era Uma Vez na América ainda paira sobre qualquer nova tentativa. É muito difícil dizer algo novo aqui. Claro que Gray não é do tipo que simplesmente copia, mas a régua é altíssima, e hoje um filme de gângster mediano some rapidinho.

Estreia na primeira semana do ano: ousadia ou loucura?

Lançar um drama sombrio de gângster em 7 de janeiro, no meio das férias de verão, é no mínimo uma escolha curiosa. Nessa época, boa parte do público está na praia ou atrás de blockbusters e animações, não de um drama denso sobre crime e culpa. Por outro lado, a data coloca o filme bem no meio da temporada de premiações, e deixa claro que ele não foi pensado para liderar as bilheterias do fim de semana.

Eu acho que isso combina perfeitamente com Gray. Os filmes dele nunca quiseram alcançar as maiores multidões, e sim quem está disposto a sentar e mergulhar por duas horas num mundo denso e escuro. E quem não puder ir logo na estreia não perde nada: este não é o tipo de filme que você precisa correr para ver no primeiro fim de semana, e sim aquele sobre o qual ainda vamos conversar por semanas.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Os Donos da Noite (2007), O Poderoso Chefão (1972), Era Uma Vez na América (1984), O Irlandês (2019), Era Uma Vez em Nova York (2013)

Perguntas frequentes

Quando Tigre de Papel estreia no Brasil?

Tigre de Papel estreia nos cinemas brasileiros em 7 de janeiro de 2027.

Quem dirigiu Tigre de Papel?

O filme é dirigido por James Gray, responsável por títulos como Os Donos da Noite, Era Uma Vez em Nova York e Ad Astra: Rumo às Estrelas.

Quem está no elenco de Tigre de Papel?

Os protagonistas são Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, e o elenco conta ainda com Gavin Goudey, Roman Engel e Cindy Katz.

Qual é o gênero de Tigre de Papel?

Tigre de Papel é um filme de gângster.

Em que país Tigre de Papel foi produzido?

O filme é uma coprodução entre França, Reino Unido, Polônia e Itália.

Vale trocar a praia por uma caçada ao tigre?

Na minha opinião, vale, mesmo que não seja logo no dia da estreia. Tudo em Tigre de Papel indica que vamos receber um filme de gângster sério, adulto e cheio de atmosfera, de um diretor que se sente em casa nesse gênero e com atores que raramente decepcionam. O risco está no ritmo e na saturação do gênero, mas se alguém ainda consegue renovar esse território, é James Gray. Eu já estou garantindo meu lugar numa das primeiras sessões, e recomendo que quem gosta de cinema sombrio, denso e centrado em personagens faça o mesmo. Minha expectativa de nota: um 8 bem firme, que pode facilmente virar 9.

Nota esperada: 8,0/10 · História 7 · Atuação 9 · Direção 9 · Visual 8 · Música e som 7 · Emoção 8