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Crítica antes da estreia · Nos cinemas desde 05/11/2026

O Gatola da Cartola, crítica antecipada: dá para botar o caos numa repartição?

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O gato mais irresponsável do mundo arrumou um emprego, e só de escrever isso já dá vontade de rir. O Gatola da Cartola chega aos cinemas brasileiros em 5 de novembro e tenta resgatar, em animação, aquele charme atrevido e sem regras que fez gerações se apaixonarem pelo personagem do Dr. Seuss. Ainda não vimos o filme, mas tem bastante coisa para alimentar a expectativa, e também alguns motivos para ficar com um pé atrás.

7,2/10
Nota esperada
Material de origem forte, ideia simpática e lançamento na hora certa para as famílias: se os realizadores não sufocarem o caos com lição de moral, pode virar o queridinho de novembro.
História
7
Atuação
7
Direção
7
Visual
8
Música e som
7
Emoção
7

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalThe Cat in the Hat
Estreia no Brasil05/11/2026
DireçãoAlessandro Carloni, Erica Rivinoja
GêneroFilmes de animação
ClassificaçãoL
PaísFilmes americanos

Do que se trata? Um gato, uma cartola e uma descrição de cargo

A premissa, na minha opinião, é de uma simplicidade genial. Estamos no mundo maluco do Dr. Seuss, onde o Gatola assume um trabalho sério: no Instituto de Institucionalização da Imaginação e da Inspiração, ele recebe uma das missões mais difíceis da carreira. Precisa animar duas crianças, Gabby e Sebastian, que acabaram de se mudar para uma cidade nova e para quem nada está dando certo.

A virada vem exatamente onde você espera: o Gatola exagera em tudo. Por onde passa, o caos se instala, e ele deixa para trás bagunça, confusão e trapalhada. Só que tem algo em jogo, porque se ele não cumprir a missão, perde a cartola mágica. Um Gatola da Cartola sem cartola? É mais ou menos como um mágico sem coelho, e o filme claramente quer levar essa ameaça a sério.

Além disso, não sabemos mais nada sobre a trama, e também não quero imaginar coisas. Mas o pouco que sabemos já diz muito sobre o tom: é uma história infantil sobre mudança, adaptação e tristeza, que um gato anarquista tenta resolver do jeito dele.

A ideia do Instituto: a melhor piada está no nome

Confesso que o filme me ganhou no nome do Instituto de Institucionalização da Imaginação e da Inspiração. Esse tipo de palhaçada com as palavras tem tudo a ver com o espírito do Seuss, e se o filme inteiro vier recheado de trocadilhos e absurdos burocráticos, os adultos vão se divertir tanto quanto as crianças.

Por trás da ideia existe também uma ironia simpática. O Gatola é a encarnação da desobediência às regras, e agora vira funcionário de uma instituição, com tarefa, prazo e consequências. Daí pode nascer uma tensão ótima: a fantasia que querem enquadrar num sistema e o personagem que não cabe em sistema nenhum. Se os diretores apostarem nesse conflito, não vamos ganhar só mais uma animação colorida para a família, mas uma com um pouquinho de ideia por trás.

Os diretores: Alessandro Carloni e Erica Rivinoja

O filme tem direção de Alessandro Carloni e Erica Rivinoja. Não vou entrar em detalhes sobre a trajetória da dupla agora, prefiro falar do que espero deles com esse material.

Numa adaptação do Seuss, acho que duas coisas decidem tudo. A primeira é o ritmo: o Gatola funciona quando a coisa gira rápido, quando as cenas atropelam umas às outras e o espectador mal tem tempo de respirar antes da próxima maluquice. A segunda é o coração. A história de Gabby e Sebastian fala da solidão de quem se muda, e isso não se resolve só com piada. Os diretores precisam achar o ponto em que, por trás da bagunça, a gente enxerga a tristeza de verdade das duas crianças. Se acertarem isso, o filme funciona. Se não, sobra uma aventura barulhenta e colorida, mas fácil de esquecer.

O que pode funcionar muito bem?

Onde pode escorregar? A lembrança do live-action e o risco de explicar demais

Não é segredo que o Gatola já passou pelos cinemas: a versão live-action de 2003, com Mike Myers, ficou na memória de muita gente mais como curiosidade bizarra do que como favorito. Ou seja, o novo filme já começa precisando provar alguma coisa, e acho que acertaram ao apostar na animação, porque é nesse formato que esse mundo respira de verdade.

Mas o maior risco não está no passado, e sim numa doença recorrente das animações familiares de hoje: a mania de explicar tudo. Se o filme ficar repetindo a cada duas cenas a importância da amizade, da união e da coragem, perde justamente aquela faísca atrevida que faz a gente gostar do Gatola. O Seuss nunca pregou abertamente, ele escondia a mensagem em rimas e absurdos. Espero que os realizadores confiem o bastante no público para deixar as crianças chegarem sozinhas ao que importa.

O outro perigo é o excesso. A própria sinopse promete que o Gatola deixa bagunça e confusão por onde passa, e isso é ótimo, mas até o caos precisa de algum princípio de organização. Se o que vier for só uma pilha de gags uma em cima da outra, até os pequenos vão chegar cansados ao final.

Para quem é?

Se gostar, veja também: O Grinch (2018), O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida (2012), Horton e o Mundo dos Quem! (2008), As Aventuras de Paddington (2014)

Perguntas frequentes

Quando O Gatola da Cartola estreia nos cinemas do Brasil?

A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 5 de novembro de 2026.

Qual é a história da animação O Gatola da Cartola?

No Instituto de Institucionalização da Imaginação e da Inspiração, o Gatola recebe a missão de animar Gabby e Sebastian, duas crianças que se mudaram para uma cidade nova e para quem tudo está dando errado. Se fracassar, ele perde sua cartola mágica.

Quem dirigiu O Gatola da Cartola?

O filme tem direção de Alessandro Carloni e Erica Rivinoja.

Qual é o gênero e a nacionalidade do filme?

É uma animação americana baseada no universo do Dr. Seuss.

Já existe outro filme do Gatola da Cartola?

Sim, em 2003 foi lançada uma versão live-action com Mike Myers no papel principal. O novo filme é uma adaptação em animação.

Vale tirar o chapéu para o Gatola em novembro?

Eu acho que sim, ou pelo menos as chances são grandes. A ideia de colocar o personagem mais caótico do mundo como funcionário de uma repartição, tentando salvar o humor de duas crianças tristes, é exatamente tão absurda quanto uma boa história do Seuss precisa ser. A animação é o formato certo, e o tema da mudança pode dar uma base emocional de verdade para toda a bagunça. Minha nota prevista é um sete bem firme, que pode facilmente subir para oito se o filme tiver coragem de continuar atrevido e não se afogar em lições de moral. Para um fim de semana de novembro, com chocolate quente e um saco de pipoca, vai ser difícil achar programa melhor para a família.

Nota esperada: 7,2/10 · História 7 · Atuação 7 · Direção 7 · Visual 8 · Música e som 7 · Emoção 7