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Crítica antes da estreia

Club Kid, crítica antecipada: a festa de Jordan Firstman termina em paternidade ao amanhecer

Filmes americanosDramas cinematográficosComédias

Tem aquele momento, lá pelas cinco da manhã, em que acendem as luzes da balada e todo mundo percebe ao mesmo tempo o estado em que está. Club Kid parece querer falar justamente desse acender das luzes, só que aqui quem estraga a festa não é a lâmpada, é um menino de dez anos. No papel, o filme de Jordan Firstman é uma das apostas mais interessantes da temporada, e estou bem curioso para saber se dali sai uma pequena joia de partir o coração.

7,0/10
Nota esperada
A premissa é conhecida, mas nas mãos de um autor com uma voz tão pessoal pode virar a surpresa do ano, desde que a dor esteja de verdade por trás da comédia.
História
6
Atuação
7
Direção
7
Visual
7
Música e som
8
Emoção
7

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

DireçãoJordan Firstman
ElencoJordan Firstman, Cara Delevingne
GêneroDramas cinematográficos, Comédias
Duração122 min
PaísFilmes americanos

Sobre o que é Club Kid, sem spoilers?

O protagonista é Peter Green, uma das figuras mais conhecidas da noite nova-iorquina, um cara cuja vida é uma festa sem fim. Ele emenda uma balada mais louca que a outra até o sol nascer e empurra para os outros tudo o que tenha cheiro de vida adulta, limite ou responsabilidade. Principalmente para Sophie, sua sócia, que pela sinopse já está desiludida o bastante para a gente sentir que essa parceria também não vai aguentar para sempre.

Aí vem a virada que move o filme inteiro: Peter descobre que tem um filho de dez anos, Arlo, fruto de uma noite meio esquecida. Quando a mãe do menino morre de repente, Arlo cai de paraquedas na vida desregrada do pai. É isso o que sabemos, e já basta para imaginar as cenas: um garoto num apartamento onde provavelmente tem mais gelo do que comida na geladeira.

O coração da história, portanto, é clássico: o adulto que se recusa a crescer e é obrigado por uma criança a encarar a realidade. O que vai sair disso, o filme é quem vai dizer. Não vou inventar nada além do que a sinopse conta.

Jordan Firstman: quem dirige também protagoniza

O mais empolgante do projeto é que Jordan Firstman não só dirige o filme como interpreta o papel principal. Isso é sempre uma faca de dois gumes. Quando dá certo, nasce uma obra pessoal, feita de dentro para fora, que ninguém mais conseguiria fazer. Quando dá errado, vira projeto de vaidade, com uma câmera apaixonada demais pelo próprio protagonista.

O nome de Firstman está ligado a personagens engraçados, autoirônicos e de uma sinceridade quase irritante, e é exatamente disso que um personagem assim precisa. Peter Green não pode ser simpático logo de cara. A gente tem que odiá-lo um pouco para ter de onde começar a gostar dele. Se Firstman tiver coragem de deixar o personagem realmente egoísta e acomodado, e não só desorganizado de um jeito fofo, o jogo está ganho.

O risco maior está do lado da direção: 122 minutos não é pouca coisa, e com um realizador que está ao mesmo tempo na frente e atrás da câmera, é fácil acontecer de ninguém na ilha de edição dizer: essa cena não precisa estar aqui.

Cara Delevingne como o ponto de sobriedade?

No elenco, o nome de Cara Delevingne é a outra grande cartada. Pela sinopse, eu não cravaria qual é o papel dela, mas na história a figura que representa a sensatez ao lado de Peter é Sophie, a sócia desiludida. Seja qual for o papel, Delevingne tem um magnetismo que combina naturalmente com o universo da noite, então a escalação parece certeira nesse sentido.

O que me interessa de verdade é se o filme vai dar espaço suficiente aos coadjuvantes. Histórias assim costumam cair na armadilha de transformar todos os outros personagens em simples espelhos da evolução do herói. Tanto a sócia desiludida quanto o menino em luto merecem ter vida própria na tela, e não servir só de acessório para a redenção de Peter.

O que pode funcionar muito bem?

Onde a festa pode desandar?

Sendo bem sincero, a fórmula não é nova. O adulto irresponsável que de repente ganha uma criança para cuidar, e no fim os dois viram pessoas melhores: essa dramaturgia a gente conhece de cor. O sucesso de Club Kid depende de encontrar uma voz própria ou de se contentar com os clichês de sempre.

O outro perigo é o tom. O filme se apresenta como drama e comédia, e acertar esse equilíbrio é uma das coisas mais difíceis que existem. Piada demais, e o luto soa falso. Drama demais, e a leveza da balada evapora. Torço para que o filme não queira ser uma versão polida e família: na hora de retratar a vida noturna, maquiar seria o maior erro.

Por fim, a duração: 122 minutos para uma história tão intimista é uma escolha corajosa. Espero que cada minuto se justifique.

Para quem é?

Se gostar, veja também: O Paizão (1999), Um Grande Garoto (2002), Kramer vs. Kramer (1979), Sempre em Frente (2021)

Perguntas frequentes

Sobre o que é Club Kid?

Peter Green, uma figura marcante da noite de Nova York, descobre que tem um filho de dez anos, Arlo. Quando a mãe do menino morre de repente, Arlo vai parar na vida desregrada do pai.

Qual é a duração de Club Kid?

O filme tem 122 minutos.

Quem dirigiu Club Kid e quem está no elenco?

O filme é dirigido por Jordan Firstman, que também interpreta o protagonista. Cara Delevingne está no elenco ao lado dele.

Qual é o gênero de Club Kid?

É um filme americano que mistura drama e comédia, então dá para esperar uma história agridoce.

Vale a pena apostar uma noite em Club Kid?

Tem uma ironia bonita em fazer um filme sobre alguém cuja festa nunca acaba justamente para nos lembrar que, uma hora, as luzes acendem. Não estou dizendo que este vai ser o maior filme que veremos no ano, mas, no papel, Club Kid é exatamente o tipo de obra arriscada e pessoal que anda chegando pouco aos cinemas. O papel duplo de Jordan Firstman e a presença de Cara Delevingne já são motivos suficientes para ficar de olho.

Minha expectativa é de um otimismo cauteloso: se o filme levar a sério o luto de Arlo e não tiver piedade do egoísmo de Peter, pode sair dali um filme bonito, dolorosamente engraçado. Se só seguir a receita de sempre, vai ser uma noite divertida, mas logo esquecida. De qualquer forma, eu vou estar lá, torcendo muito para que o momento em que as luzes acendem acerte em cheio.

Nota esperada: 7,0/10 · História 6 · Atuação 7 · Direção 7 · Visual 7 · Música e som 8 · Emoção 7