Kinoster
BR ▾

Crítica · Estreia: 24/08/2017

Dupla Explosiva crítica: Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson explodem a Europa no meio de muito palavrão

Filmes búlgarosFilmes canadensesFilmes francesesFilmes de Hong KongFilmes americanosFilmes britânicosFilmes de açãoComédiasFilmes policiaisThrillers

Tem receita de filme que cabe numa frase só, e você já sabe que a noite vai ser boa: coloque num carro um guarda-costas certinho demais e um matador de aluguel boca suja, depois exploda meia Europa em volta deles. Dupla Explosiva faz exatamente isso e, embora não invente nada, pisa no acelerador com tanta vontade que fica difícil sair de mal com ele. A briga entre Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson é o motor do filme, e esse motor fica girando quase o tempo todo.

6,8/10
Nota
Não é inteligente nem original, mas a química entre os dois protagonistas faz dele uma das comédias de ação de dupla mais divertidas dos últimos anos.
História
6
Atuação
8
Direção
7
Visual
7
Música e som
7
Emoção
6

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalThe Hitman's Bodyguard
Estreia no Brasil24/08/2017
DireçãoPatrick Hughes
ElencoRyan Reynolds, Samuel L. Jackson, Gary Oldman, Salma Hayek Pinault, Élodie Yung, Richard E. Grant
GêneroFilmes de ação, Comédias, Filmes policiais, Thrillers
Duração118 min
Classificação14
PaísFilmes búlgaros, Filmes canadenses, Filmes franceses, Filmes de Hong Kong, Filmes americanos, Filmes britânicos

Do que se trata? Um guarda-costas, um matador e uma viagem bem longa até Haia

Michael Bryce, vivido por Ryan Reynolds, é o melhor no que faz: um agente de proteção profissional que leva seus clientes vivos do ponto A ao ponto B. Só que um dia ele recebe uma missão que vira seu orgulho de cabeça para baixo. Ele precisa proteger Darius Kincaid, interpretado por Samuel L. Jackson, um dos matadores de aluguel mais famosos e procurados do mundo. A relação entre os dois é, para dizer o mínimo, complicada: até ali, eles estavam em lados opostos da arma, e não exatamente como amigos.

O destino é o tribunal de Haia, onde Kincaid precisa chegar vivo. O problema é que quase ninguém além deles quer isso. Metade do submundo está no encalço da dupla, um ditador implacável do Leste Europeu, Vladislav Dukhovich, também quer a cabeça deles e, como se não bastasse, aparece a temida esposa do matador, Sonia. O resultado é umas "férias" europeias cheias de explosões, perseguições de carro e acertos de contas sangrentos, em que o maior inimigo às vezes nem é a bala, e sim o sujeito irritante sentado no banco ao lado.

A história não quer ser complicada, e faz bem. É um clássico filme de dupla forçada a conviver, em que a trama serve principalmente para colocar os dois heróis no maior número possível de situações em que eles possam tirar o outro do sério.

Reynolds contra Jackson: a verdadeira arma do filme

Se alguém perguntar por que vale a pena ver este filme, a resposta são dois nomes. Desde Deadpool, Ryan Reynolds virou o exemplo perfeito do herói de ação sarcástico e autoirônico, mas aqui, curiosamente, ele é o lado travado, que segue as regras e vive irritado. Bryce é um cara que quer controlar tudo, e Kincaid destrói esse controle a cada frase. Reynolds manda muito bem nesse colapso nervoso que vai esquentando aos poucos.

Já Samuel L. Jackson faz o que esperamos dele desde Pulp Fiction e que ninguém faz igual: xinga, dá aquele sorriso e comanda a cena com toda a calma do mundo. Darius Kincaid é um assassino, mas Jackson coloca tanto charme no personagem que o espectador acaba torcendo por ele sem querer. Os bate-bocas entre os dois são os melhores momentos do filme e muitas vezes rendem mais risada do que a própria ação.

E vale dizer que a química não se resume às piadas. À medida que os dois personagens são obrigados a confiar cada vez mais um no outro, surge algo gostoso e meio à moda antiga, que lembra os melhores filmes de ação com duplas dos anos 80.

Gary Oldman, Salma Hayek e companhia

Gary Oldman como Vladislav Dukhovich, o ditador do Leste Europeu, parece à primeira vista um luxo de elenco para um filme de gênero tão leve. Oldman já fez vilões marcantes ao longo da carreira e aqui também entrega aquela ameaça fria e imprevisível. Mas, sendo sincero, o roteiro não dá a ele o espaço que um ator desse calibre merece. O vilão aqui é mais função do que personagem.

Já Salma Hayek, como Sonia Kincaid, está simplesmente incrível. A temida esposa do matador não ganha muitas cenas, mas quando aparece, toma conta da energia do filme inteiro. Dá para ver que Hayek se diverte a cada minuto, e a personagem é tão espalhafatosa que segurava tranquilamente um filme próprio.

Élodie Yung, no papel de Amelia Roussel, representa o lado mais sério e pé no chão da história, enquanto Richard E. Grant, Joaquim de Almeida e Kirsty Mitchell reforçam o time de coadjuvantes. Grant funciona especialmente bem em figuras das quais o público pode dar uma boa risada, e o filme aproveita isso.

A ação de Patrick Hughes: muita explosão e um ritmo surpreendentemente bom

O diretor é Patrick Hughes, que antes assinou Os Mercenários 3, ou seja, ele conhece bem aquele tipo de filme de ação em que a quantidade de pólvora importa mais do que as sutilezas da trama. Aqui, porém, ele trabalha com mão melhor do que lá: as cenas de ação são variadas, as perseguições de carro têm pegada e o filme raramente deixa o espectador ficar entediado.

O que mais me agradou foi o controle do tom. O filme não tem medo de sangue, às vezes é bem brutal, e ao mesmo tempo é engraçado o tempo todo. Essa mistura podia facilmente desandar, mas Hughes segura tudo bem, e as locações europeias dão um pano de fundo bonito e movimentado para o caos.

Os 118 minutos de duração, no entanto, pesam. Uma versão uns quinze minutos mais curta teria ficado mais enxuta, principalmente no miolo, quando o filme às vezes se repete.

Onde ele escorrega: previsibilidade e voltas demais

Não quero fingir que este é um filme perfeito, porque não é. O esqueleto da trama é totalmente previsível, e quem já viu algumas comédias de ação com duplas vai mais ou menos adivinhar para onde a história vai. O vilão, como falei acima, é mal desenvolvido, e o fio político mais sério serve mais como desculpa para o tiroteio.

O humor também oscila: as melhores piadas estão nas cenas em que os dois protagonistas aparecem juntos, e quando o filme os separa, o ritmo cai visivelmente. Algumas piadas também dependem demais do palavrão, que na boca de Jackson sempre funciona, mas depois de um tempo perde a graça.

Apesar disso, são mais pequenos defeitos do que problemas de verdade. O filme sabe exatamente o que quer ser e cumpre isso.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Máquina Mortífera (1987), Fuga à Meia-Noite (1988), A Hora do Rush (1998), Dois Caras Legais (2016), Sr. e Sra. Smith (2005)

Perguntas frequentes

Do que se trata Dupla Explosiva?

Um guarda-costas profissional, Michael Bryce, precisa levar vivo até o tribunal de Haia seu inimigo mortal, o matador de aluguel Darius Kincaid, enquanto metade do submundo e um ditador do Leste Europeu estão atrás deles.

Quando Dupla Explosiva estreou no Brasil?

O filme chegou aos cinemas brasileiros em 24 de agosto de 2017.

Qual a duração de Dupla Explosiva?

O filme tem 118 minutos de duração.

Quem está no elenco de Dupla Explosiva?

Os protagonistas são Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, ao lado de Gary Oldman, Salma Hayek Pinault, Élodie Yung, Richard E. Grant, Joaquim de Almeida e Kirsty Mitchell.

Quem dirigiu Dupla Explosiva?

O filme foi dirigido por Patrick Hughes.

Qual é o título original de Dupla Explosiva?

O título original é The Hitman's Bodyguard.

Vai embarcar com Bryce e Kincaid nessa viagem sangrenta pela Europa?

Eu acho que vale. Dupla Explosiva não vai entrar para os livros de história do cinema, e a trama é previsível como horário de ônibus, mas é raro ver uma dupla de protagonistas que combine tão bem. A precisão neurótica de Ryan Reynolds e o caos descontraído de Samuel L. Jackson criam uma dinâmica que segura tranquilamente duas horas de filme, e Salma Hayek invade cada cena em que aparece e rouba o show. Se você está a fim de uma comédia de ação barulhenta, engraçada e às vezes surpreendentemente brutal, que não tenta parecer mais do que é, esse é o seu filme. Desligue o cérebro, prepare a pipoca e aproveite o passeio até Haia.

Nota: 6,8/10 · História 6 · Atuação 8 · Direção 7 · Visual 7 · Música e som 7 · Emoção 6