Lobis-Homem, crítica antecipada: Robert Eggers solta a fera nos cinemas
Quando o nome de Robert Eggers aparece no cartaz de um terror, eu já estou comprando o ingresso, mesmo sabendo que vou passar duas semanas sem dormir direito. Lobis-Homem chega aos cinemas brasileiros em 21 de janeiro de 2027, e pelo elenco parece que o diretor reuniu seus cúmplices mais fiéis para mais uma noite bem escura. Vem aí uma crítica antecipada: o que dá para esperar e onde a coisa pode desandar.
No papel, é o terror mais promissor de 2027, e se Eggers mantiver o nível de sempre, pode virar uma nova referência entre os filmes de lobisomem.
Ficha do filme
| Original | Werwulf |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 21/01/2027 |
| Direção | Robert Eggers |
| Elenco | Aaron Taylor-Johnson, Willem Dafoe, Bodhi Rae Breathnach, Ralph Ineson, Lily-Rose Depp, Jack Morris |
| Gênero | Filmes de terror |
| Classificação | 16 |
| País | Filmes americanos |
Sobre o que é? Por enquanto, a névoa é mais densa que numa floresta de Eggers
Vou ser sincero: sobre a trama de Lobis-Homem, oficialmente sabemos o que o título entrega, ou seja, praticamente nada. Vai ter um lobisomem, isso é certo. Quem vai sentir os pelos crescendo debaixo da pele, quem caça quem e como tudo termina, não vou inventar agora, porque não seria honesto.
Só que, com Eggers, isso não é problema nenhum. Nunca fui ver um filme dele por causa das reviravoltas. O que encanta é o jeito como ele tira a poeira de uma lenda antiga sem jogar fora a poeira junto. E o lobisomem é exatamente esse tipo de material: um medo ancestral que o cinema, nas últimas décadas, domesticou ora em máscara de borracha, ora em cenário de romance adolescente. O que eu espero é que Eggers devolva os dentes a ele.
Robert Eggers, o diretor que transforma o passado em assombração
A carreira de Eggers até aqui é impressionantemente consistente, coisa rara no terror. A Bruxa (2015) mostrou a lenta desintegração de uma família puritana e deixou muita gente sem conseguir olhar para um bode em paz. O Farol (2019) é uma loucura em preto e branco com dois homens e muita bebida. O Homem do Norte (2022) virou um épico viking de vingança brutal, e Nosferatu (2024) provou que ainda dá para arrancar algo novo de um clássico filmado à exaustão.
O ponto em comum: Eggers é obcecado pela fidelidade de época, pela linguagem, pelas superstições. Com ele, o sobrenatural não é susto fácil, é atmosfera que vai entrando devagar por baixo da pele. Nas mãos dele, acho que um filme de lobisomem não vai ser terror de monstro cheio de ação, e sim um pesadelo opressivo, sujo, com os pés na lama. E é justamente isso que eu quero ver.
Rostos conhecidos sob a lua: o elenco
Olhando a lista do elenco, dá a impressão de que Eggers trabalha com uma companhia de teatro própria. Willem Dafoe já esteve com ele em O Farol e em Nosferatu, e acho que poucos atores hoje conseguem ser assustadores e dignos de pena ao mesmo tempo com tanta naturalidade. Se Dafoe aparece num filme de Eggers, alguma coisa estranha vai acontecer.
Ralph Ineson é a voz preferida do diretor desde A Bruxa, com aquele timbre grave que parece vir da terra e transforma até uma simples oração em ameaça. Aaron Taylor-Johnson e Lily-Rose Depp trabalharam com Eggers em Nosferatu, onde Depp carregou um peso físico e emocional enorme, então estou curioso para ver o que ela recebe agora.
Também estão no elenco Bodhi Rae Breathnach, Jack Morris e Ritchi Edwards. Quem interpreta quem e quem é o protagonista ainda não foi divulgado, então nem vou chutar. Só digo uma coisa: nos filmes de Eggers, até os rostos menos conhecidos costumam entregar atuações marcantes, e as crianças de A Bruxa estão até hoje na minha memória.
O que pode fazer este filme ser realmente bom?
Para mim, Lobis-Homem pode acertar em cheio por três motivos.
- O gênero está faminto. Filmes de lobisomem são há muito tempo o patinho feio do terror. De vampiro e zumbi recebemos obras sérias às dúzias, de lobisomem quase nada. Já passou da hora de alguém levar a criatura a sério.
- Eggers e o folclore. O diretor claramente adora crenças antigas. A lenda do lobisomem é exatamente o tipo de história de terror popular da qual ele sabe tirar o máximo.
- Som e imagem. O desenho de som dos filmes de Eggers sempre foi de primeira: o vento uivando, a madeira rangendo, os sussurros. Um uivo de lobo nesse ambiente pode gelar até o osso.
E tem a época da estreia. Aqui no Brasil o filme chega em pleno verão, mas convenhamos: uma sala escura e bem refrigerada numa noite de janeiro é o refúgio perfeito para se esconder do calor e passar frio de medo.
Onde os riscos podem morder de volta?
Não quero parecer puxa-saco, então vou registrar minhas dúvidas também. A primeira: o ritmo. Os filmes de Eggers são lentos, e muita gente não gosta disso. Quem ouve a palavra lobisomem e espera um filme de monstro agitado pode se decepcionar fácil se a história passar longos minutos chafurdando na lama, na névoa e no medo.
A segunda: o próprio monstro. A maldição eterna dos filmes de lobisomem é a transformação e a forma de mostrar a criatura. Se mostrar demais, pode ficar ridículo; se mostrar de menos, o público pode sentir falta. Estou curioso para ver como Eggers vai resolver isso, porque o Orlok de Nosferatu também dividiu opiniões.
A terceira é a expectativa. Depois de quatro filmes fortes, a régua está lá no alto. Muita gente vai encarar um filme de Eggers que seja apenas bom como uma decepção, o que é um pouco injusto, mas é assim que o hype funciona.
Para quem é Lobis-Homem, e para quem é o filme de monstro com pipoca?
Tudo indica que este não é aquele terror de fim de semana para dar pulos e risadas na poltrona. É mais para quem gosta de um terror que não larga a gente nem depois dos créditos, para quem se interessa pelo mito, pelo contexto histórico, pela atmosfera. Se você curtiu A Bruxa ou Nosferatu, acho que este também vai te pegar.
Para quem gosta da linha clássica, vale lembrar a velha tradição da Universal: o lobisomem é um dos monstros mais antigos do cinema, e sempre houve nele algo de trágico, o homem que não consegue dominar o animal que mora dentro dele. Desconfio que Eggers vai levar essa tragédia tão a sério quanto os sustos.
Para quem é?
- É para você se: Para os fãs de Eggers, para quem gosta de terror atmosférico e construído sem pressa e para todo mundo que espera há anos por um filme de lobisomem que se leve a sério.
- Melhor pular se: Quem quer um filme de monstro agitado e cheio de ação, ou sustos leves e rápidos, provavelmente vai ficar se remexendo impaciente na cadeira.
Se gostar, veja também: A Bruxa (2015), O Farol (2019), O Homem do Norte (2022), Nosferatu (2024), O Lobisomem (2010)
Perguntas frequentes
Quando Lobis-Homem estreia nos cinemas brasileiros?
Lobis-Homem estreia no Brasil em 21 de janeiro de 2027.
Quem dirigiu Lobis-Homem?
O filme é dirigido por Robert Eggers, que antes fez A Bruxa, O Farol, O Homem do Norte e Nosferatu.
Quem está no elenco de Lobis-Homem?
O elenco inclui Aaron Taylor-Johnson, Willem Dafoe, Bodhi Rae Breathnach, Ralph Ineson, Lily-Rose Depp, Jack Morris e Ritchi Edwards.
Qual é o gênero de Lobis-Homem?
Lobis-Homem é um filme de terror americano.
Em que país o filme foi produzido?
Lobis-Homem é uma produção dos Estados Unidos.
Vale a pena esperar pela lua cheia de janeiro?
Acho que sim, e muito. Raramente digo isso sobre um filme cuja trama é quase um mistério total, mas Eggers nunca deu motivo para desconfiança, e o elenco reúne seus melhores parceiros. O ritmo e a forma de mostrar o monstro podem ser os pontos fracos, mas se o diretor mantiver o nível, Lobis-Homem pode ser um dos terrores mais memoráveis de 2027. No dia 21 de janeiro vou estar na primeira sessão, e não prometo voltar para casa no escuro com muita coragem.
