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Crítica · Estreia: 08/10/2026 · Atualizado em: 08/10/2026

Outra Mamãe crítica: Jessica Chastain se divide em duas, e as duas metades assombram

Filmes americanosFilmes de terror

Poucas coisas dão mais medo do que olhar para a sua mãe e ter certeza de que aquela ali não é ela. Outra Mamãe se apoia justamente nesse pavor ancestral da infância. Jessica Chastain interpreta ao mesmo tempo a mãe amorosa e aquela coisa que sai do armário toda noite. O filme estreou nos cinemas brasileiros em 8 de outubro, e confesso que, desde então, ando olhando meio desconfiado para quem da família me oferece um cafezinho.

7,8/10
Nota
Premissa visceral, uma atuação dupla impressionante de Chastain e um diretor que sabe trabalhar a escuridão como poucos. Em alguns momentos, menos sustos teriam rendido mais, mas mesmo assim é um dos melhores terrores de cinema da temporada.
História
7
Atuação
9
Direção
8
Visual
7
Música e som
8
Emoção
8

A nota geral é a média dos seis critérios.

Antes da estreia esperávamos: 7,7, no fim: 7,8 (+0,1)

Ficha do filme

OriginalOther Mommy
Estreia no Brasil08/10/2026
DireçãoRob Savage
ElencoDichen Lachman, Jessica Chastain, Karen Allen, Jay Duplass
GêneroFilmes de terror
Classificação18
PaísFilmes americanos

Do que se trata? Uma pergunta vinda do armário

No centro da história está Bela, uma menina de oito anos vivida pela estreante Arabella Olivia Clark. A casa dela já não é nenhum porto seguro logo no começo do filme: o casamento dos pais, interpretados por Jessica Chastain e Jay Duplass, está por um fio. É nesse silêncio tenso que surge a presença sinistra que Bela chama apenas de Outra Mamãe. Toda noite ela sai do armário e faz sempre a mesma pergunta: se pode entrar no coração da Bela.

Quando a menina diz não, a Outra Mamãe fica cada vez mais agressiva, e o perigo deixa de ser só da Bela para ameaçar a família inteira. Não conto mais que isso, nem precisa. A ideia é genialmente simples, porque mira na arma mais poderosa do terror: o momento em que a fonte de segurança vira ameaça. Mãe é quem a gente procura quando sente medo. E se o rosto do medo for justamente o dela?

O filme é baseado no romance Incidents Around the House, de Josh Malerman. O nome do autor deve soar familiar por causa de Bird Box, e dá para sentir essa origem na tela: existe uma espinha dorsal literária por trás da história que impede que ela vire só um trem fantasma de parque de diversões.

Jessica Chastain, em dobro

O grande trunfo do filme é, sem dúvida, Jessica Chastain, que interpreta tanto a mãe de Bela quanto a Outra Mamãe. No papel, esse duplo já é instigante; na tela, chega a ser arrepiante. Chastain sempre soube separar ternura e ameaça com um único olhar, e aqui finalmente ganhou um trabalho construído exatamente em cima disso. A mãe de verdade é uma mulher cansada, ferida, se equilibrando sobre os escombros do casamento. A outra é o reflexo distorcido dela, com o mesmo rosto, mas com alguma coisa muito errada naquele sorriso.

Tem uma coincidência curiosa, quase proposital, no fato de Chastain ter estrelado Mama, outro terror que gira em torno da maternidade. Só que lá ela estava do lado de quem cuida; aqui, ela é a própria adversária. Para mim, é uma das atuações de gênero mais marcantes do ano, e eu não me surpreenderia se os fãs de terror continuassem falando dela por muito tempo.

Jay Duplass entrega o que se espera dele no papel do pai discreto e comum: um homem crível, meio perdido, cujo casamento já range quando o sobrenatural ainda está só batendo à porta. E Arabella Olivia Clark está incrível: um filme assim vive ou morre pela criança em cena, e ela carrega a história nas costas. Dichen Lachman e Karen Allen também estão no elenco, com presença sólida, mas o holofote é claramente de Chastain e da menina.

Rob Savage, o mestre dos cantos escuros

Rob Savage virou um nome confiável no gênero nos últimos anos. Host transformou uma chamada de Zoom, em plena pandemia, num terror surpreendentemente eficaz; Dashcam foi um experimento polêmico, mas ousado; e Boogeyman: Seu Medo É Real mostrou que ele também se vira bem dentro de uma estrutura de grande estúdio. Outra Mamãe é o trabalho mais maduro dele até agora.

Em entrevistas, Savage se gabou de que o filme tem uns cinquenta jumpscares. Isso soa mais assustador do que o próprio filme, e de fato há alguns momentos em que eu preferiria o pavor lento, rastejante, a mais uma pancada sonora. Mas as melhores cenas são justamente aquelas em que nada pula na nossa cara: quando a Outra Mamãe só fica parada no escuro, imóvel demais, sorrindo por tempo demais. Savage entende que o medo mora nas bordas do quadro, nas figuras vistas pela metade, e aproveita isso à vontade.

James Wan e a fábrica da Atomic Monster

A produção é de James Wan, que dispensa apresentações para quem curte terror: Jogos Mortais, Sobrenatural e Invocação do Mal nasceram com ele. O filme vem da Atomic Monster, ligada à Blumhouse, o mesmo estúdio por trás de Backrooms e Obsession.

Esse DNA de produção aparece na tela, para o bem e para o mal. Para o bem, porque o filme sabe exatamente como dominar uma sala de cinema: a plateia se assusta junto e ri nervosa junto depois dos momentos de tensão. Para o mal, porque às vezes transparece aquela cautela de estúdio, quando uma solução mais ousada e silenciosa teria batido mais forte. Ainda assim, isso está longe de ser produto de linha de montagem: o filme tem cara própria, e essa cara é a de Chastain.

O que realmente funciona: o casamento como casa mal-assombrada

A jogada mais inteligente do filme é fazer a ameaça sobrenatural correr em paralelo à desintegração da família. A Outra Mamãe manipula, faz gaslighting, aperta a pressão cada vez mais, enquanto a relação dos pais já está se despedaçando por conta própria. Depois de um tempo, o espectador nem sabe dizer o que assusta mais: a criatura saindo do armário ou a tensão não dita que vibra na cozinha.

E a pergunta “posso entrar no seu coração?” é um mantra de terror genial. Ao mesmo tempo tem cara de conto infantil e é profundamente perturbadora, e no fim do filme ela já tinha grudado na minha cabeça. É por frases assim que um terror continua com a gente depois da sessão.

Onde ele escorrega?

Eu não seria honesto se só elogiasse. O terror de doppelgänger é um caminho bem batido, e o título e a premissa inevitavelmente lembram um clássico da animação bem conhecido, do qual o filme nem sempre consegue se descolar o suficiente. A quantidade de sustos às vezes sacrifica a atmosfera, e há momentos em que o filme diz em voz alta o que funcionaria melhor em silêncio.

Mas são mais pequenas imperfeições do que pecados fatais. O filme não alivia, mas a brutalidade aqui está a serviço da história, não é gratuita.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Mama (2013), Boogeyman: Seu Medo É Real (2023), Host (2020), Invocação do Mal (2013), Sobrenatural (2010), Bird Box (2018)

Perguntas frequentes

Quando Outra Mamãe estreou nos cinemas do Brasil?

O filme estreou nos cinemas brasileiros em 8 de outubro de 2026.

Do que se trata Outra Mamãe?

Da história de Bela, uma menina de oito anos cujos pais vivem uma crise no casamento. Toda noite, sai do armário uma criatura idêntica à mãe dela, a Outra Mamãe, que pergunta se pode entrar no seu coração. Quando Bela diz não, ela fica cada vez mais agressiva.

Outra Mamãe é baseado em livro?

Sim, no romance Incidents Around the House, de Josh Malerman.

Quem Jessica Chastain interpreta?

Ela faz um papel duplo: é a mãe de Bela e também a Outra Mamãe.

Quem dirigiu Outra Mamãe?

A direção é de Rob Savage, a produção é de James Wan, e o filme foi feito pela Atomic Monster, ligada à Blumhouse.

O filme tem muitos sustos?

Tem. O próprio Rob Savage disse que o filme tem cerca de cinquenta jumpscares.

Vale a pena bater na porta de Outra Mamãe?

Vale, e muito. Outra Mamãe parte de um medo ancestral da infância para construir um terror surpreendentemente emotivo e, ao mesmo tempo, feito sob medida para a tela grande. Rob Savage provou de novo que a escuridão é o playground dele, e Jessica Chastain entrega uma atuação dupla que vai tornar difícil olhar com inocência para uma porta de armário entreaberta. Os sustos poderiam ser menos numerosos, e a cartilha de estúdio às vezes segura a mão do filme, mas no geral dou um 8 bem firme. E, depois da sessão, eu liguei mesmo para a minha mãe. Só para ouvir a voz dela. E para ter certeza de que era ela.

Nota: 7,8/10 · História 7 · Atuação 9 · Direção 8 · Visual 7 · Música e som 8 · Emoção 8