Se Beber, Não Case! Parte II: crítica de uma ressaca que troca Las Vegas por Bangkok, só que mais quente
Chega uma hora em que a ressaca deixa de ser engraçada e vira diagnóstico. Em 2011, Todd Phillips reuniu de novo a alcateia, despachou o grupo de Las Vegas para Bangkok e, no fundo, fez todo mundo reviver o mesmo pesadelo. A questão é saber se uma receita que já deu certo fica mais gostosa só porque jogaram mais pimenta na panela.
Uma continuação divertida, escandalosa e em alguns momentos hilária de verdade, mas tão presa ao esquema do primeiro filme que o fator surpresa praticamente evapora.
Ficha do filme
| Original | The Hangover Part II |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 27/05/2011 |
| Direção | Todd Phillips |
| Elenco | Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Mason Lee, Ken Jeong |
| Gênero | Comédias |
| Duração | 102 min |
| Classificação | 16 |
| País | Filmes americanos |
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Casamento na Tailândia, o que pode dar errado?
A formação é conhecida: desta vez é Stu Price (Ed Helms) quem se coloca na linha de fogo, porque é ele quem vai dizer o "sim", e logo na Tailândia. Só que o dentista aprendeu com o passado, ou pelo menos gosta de acreditar nisso. Nada de despedida de solteiro, nada de farra, só um almoço comportado e seguro, em que o maior risco é derrubar o tomatinho do coquetel.
Os parceiros de copo, Phil (Bradley Cooper), Alan (Zach Galifianakis) e Doug (Justin Bartha), recebem tanta boa educação com uma decepção compreensível. E claro, vale aquele velho ditado que o filme adora lembrar: o homem planeja, e os outros dão um jeito de estragar. O que acontece exatamente durante a noite eu não vou contar, mas posso adiantar que a manhã seguinte começa outra vez com dor de cabeça, apagão e uma pilha de perguntas sem resposta. Perto disso, Las Vegas parece um passeio de domingo.
A mesma música, com outro arranjo
Vamos começar pelo óbvio, porque não dá para falar deste filme sem tocar no assunto. Se Beber, Não Case! Parte II não é só uma continuação, é quase uma refilmagem. A estrutura, o ritmo, a pegada de investigação, toda aquela brincadeira de "vamos montar o quebra-cabeça do que rolou ontem" seguem o primeiro filme passo a passo. Isso é, ao mesmo tempo, a maior rede de segurança do longa e o seu ponto mais fraco.
É rede de segurança porque o primeiro funcionou. O filme de 2009 levou o Globo de Ouro, virou a grande sensação do verão americano nos cinemas e ganhou status de cult. Nessas horas, estúdio nenhum quer arriscar, e, sendo bem sincero, boa parte do público também só quer mais uma dose daquilo que já fez todo mundo rolar de rir. Mas é ponto fraco porque uma das armas mais poderosas da comédia é o inesperado. Se eu sei que a reviravolta vem aí, ela deixa de ser reviravolta e vira horário de ônibus.
Em alguns momentos isso me incomodou bastante. Teve cena em que, meio segundo antes da piada, eu já sabia exatamente o que vinha, e aí, em vez da gargalhada, sai só um aceno cansado com a cabeça. Em outros, porém, o filme assume a própria repetição com tanta cara de pau que isso, por si só, acaba sendo engraçado.
A alcateia que ainda segura as pontas
Se tem algo que salva este filme, é a química do elenco. Esses caras parecem mesmo gente que se conhece, se odeia e, mesmo assim, não iria a lugar nenhum sem o outro.
- Bradley Cooper, como Phil, continua sendo o líder despojado e arrogante da turma, com uma autoconfiança que transborda até por trás dos óculos escuros. É ele quem mantém o filme com os pés no chão quando os outros saem voando.
- Ed Helms faz de Stu a verdadeira vítima da história, e interpreta muito bem esse ataque de pânico permanente. O bom moço travado, que o destino faz em pedaços de novo e de novo, é um dos melhores personagens da franquia.
- Zach Galifianakis e seu Alan dividem opiniões, e aqui dividem ainda mais. Para uns, ele é a alma do filme; para outros, a parte mais irritante. Eu fico no meio do caminho: quando acerta, é genial, mas às vezes deixam ele girando tempo demais.
- Ken Jeong, como Mr. Chow, é de novo aquela incógnita da qual se pode esperar qualquer coisa. Funciona em doses pequenas, e ainda bem que o filme sabe disso.
- Justin Bartha, como Doug, mais uma vez é mais presença do que protagonista, o que faz parte da brincadeira.
Nos papéis coadjuvantes aparecem Mason Lee como Teddy, Jeffrey Tambor como Sid Garner, pai de Alan, e uma participação que é uma surpresa e tanto: Paul Giamatti no papel de Kingsley. Giamatti é daqueles atores capazes de dar peso até à leitura de uma lista telefônica, e é um prazer vê-lo no meio dessa bagunça toda.
Todd Phillips e Bangkok, o cenário perfeito para o caos
Como diretor, Todd Phillips entende como deixar uma comédia interessante também no visual. A Las Vegas do primeiro filme era brilhante e artificial; Bangkok, por outro lado, é crua, abarrotada, úmida, e empresta ao longa um tom mais sombrio e mais sujo. Para mim, essa é uma das melhores decisões da continuação: o lugar acrescenta algo de verdade, não é só pano de fundo.
Phillips também sabe lidar com o ritmo. Os 102 minutos não pesam, a história anda, as cenas se sucedem rápido e em nenhum momento dá vontade de olhar o relógio. Ao mesmo tempo, dá para sentir que aqui o diretor experimenta bem menos e prefere lubrificar uma máquina que já funciona. O tom mais pesado às vezes empurra o humor para um terreno mais constrangedor e grosseiro do que engraçado, e isso não vai agradar a todo mundo.
Onde a piada cansa
Não quero ser injusto: eu ri com este filme, em alguns momentos bem alto. Mas o maior problema de Se Beber, Não Case! Parte II é que ele muitas vezes usa a grosseria no lugar da criatividade. Se no primeiro filme o humor nascia de situações absurdas, aqui o objetivo costuma ser chocar. Mais nudez, mais exagero, mais momentos do tipo "não acredito que mostraram isso".
A partir de certo ponto, isso cansa. Comédia não fica melhor só porque fica mais barulhenta, e algumas cenas parecem estar ali apenas para arrancar um suspiro de espanto da plateia. A evolução dos personagens também é mínima: todo mundo continua exatamente igual, o que numa franquia pode até ser uma qualidade, mas aqui soa mais como estagnação.
Para quem é?
- É para você se: Para quem amou o primeiro filme e quer mais uma dose do mesmo caos em estado puro. Uma ótima pedida para aquela noite de cerveja com os amigos.
- Melhor pular se: Para quem espera originalidade de uma continuação ou não tem paciência para humor grosseiro e às vezes constrangedor. Definitivamente não é filme para crianças.
Se gostar, veja também: Se Beber, Não Case! (2009), Se Beber, Não Case! Parte III (2013), Um Parto de Viagem (2010), Old School (2003)
Perguntas frequentes
Quando Se Beber, Não Case! Parte II estreou no Brasil?
O filme chegou aos cinemas brasileiros em 27 de maio de 2011.
Sobre o que é Se Beber, Não Case! Parte II?
Stu vai se casar na Tailândia e planeja um almoço comportado, mas ele e os amigos acordam de novo depois de uma noite da qual ninguém se lembra e precisam descobrir em Bangkok o que aconteceu.
Qual a duração de Se Beber, Não Case! Parte II?
O filme tem 102 minutos.
Quem dirigiu Se Beber, Não Case! Parte II?
O filme foi dirigido por Todd Phillips, que também comandou o primeiro.
Quem está no elenco de Se Beber, Não Case! Parte II?
Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong, Mason Lee, Paul Giamatti e Jeffrey Tambor.
Vale a pena acordar de novo em Bangkok com a alcateia?
Se o primeiro filme mora no seu coração, vale sim, mas com expectativas mais baixas. Se Beber, Não Case! Parte II é como repetir uma festa que deu certo com as mesmas pessoas: é boa, é engraçada, rende momentos memoráveis, mas nunca vai ser igual à primeira vez. O elenco se entrega de corpo e alma, Bangkok é um cenário excelente e Paul Giamatti é um bônus à parte. Só não espere ser surpreendido. Como prazer culposo descompromissado, funciona perfeitamente; como clássico, fica devendo. Para mim, é um mediano forte, que com uma cerveja e boa companhia sobe meio ponto.
