Homem-Aranha 3 crítica: quando cabem vilões demais na vida de um herói
Três vilões, dois amores, um uniforme preto e um único filme: Homem-Aranha 3 abraça exatamente aquilo que não dá para segurar. O encerramento da trilogia de Sam Raimi chegou em 2007 prometendo ser o maior evento do cinema mundial e hoje funciona mais como um dos exemplos mais instrutivos do que acontece quando um estúdio quer tudo ao mesmo tempo. Ainda assim, tem algo ali que faz a gente voltar a ele de novo e de novo.
Um desfecho cheio de coração e espetáculo, mas dolorosamente abarrotado, que nos seus melhores momentos lembra por que amamos o Homem-Aranha de Raimi.
Ficha do filme
| Original | Spider-Man 3 |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 04/05/2007 |
| Direção | Sam Raimi |
| Elenco | Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace, Bryce Dallas Howard |
| Gênero | Filmes de ação, Filmes de aventura, Filmes de ficção científica |
| Duração | 139 min |
| Classificação | 12 |
| País | Filmes americanos |
Do que se trata? O Homem-Aranha na pior semana da vida
A vida de Peter Parker nunca foi simples, mas no terceiro filme os problemas chegam literalmente de todos os lados. Dois adversários com poderes extraordinários, Venom e o Homem-Areia, se unem contra ele, enquanto o velho amigo Harry Osborn, vestindo o antigo traje do Duende Verde, continua planejando sua vingança. Como se não bastasse, durante uma de suas aventuras, uma substância preta se infiltra no uniforme do Homem-Aranha e passa a transformar também o seu corpo.
A vida pessoal também não dá trégua: Peter quer ser fiel a Mary Jane, mas surge uma loira linda, a filha do capitão de polícia, e ele não sabe muito bem o que fazer com o charme dela. O cardápio está completo: fugitivo da prisão, paparazzo bisbilhoteiro, amigo ressentido, substância alienígena. Tudo isso num filme só? Sim, e é justamente aí que mora a bênção e a maldição do longa.
Um elenco impecável no papel
Tobey Maguire veste a pele de Peter Parker pela terceira vez e continua sendo o Homem-Aranha mais cativante e desajeitado que já vimos nas telas. A força de Maguire está em nunca fazer de Peter um cara descolado: ele é um rapaz bem-intencionado que vive com o peso do mundo escorregando dos ombros. Aqui, porém, por causa da substância preta, ele precisa mostrar outro lado, e o resultado divide opiniões: tem quem adore e tem quem até hoje o cite como meme.
A Mary Jane de Kirsten Dunst fica um pouco em segundo plano desta vez, o que é uma pena, já que a química entre os dois foi um dos pilares da trilogia. James Franco finalmente tem espaço para crescer como Harry, e é no arco dele que está a maior parte do peso emocional do filme. O Flint Marko de Thomas Haden Church é uma figura surpreendentemente humana e silenciosa, que diz mais com um olhar do que outros vilões com monólogos inteiros.
Topher Grace como Eddie Brock é a escolha mais polêmica: o papel combina mais com a energia leve e dissimulada dele do que com o Venom brutamontes dos quadrinhos. Bryce Dallas Howard está bonita como Gwen Stacy, mas tem pouco tempo de tela. E claro, ainda tem Rosemary Harris como tia May, a bússola moral do filme, e J.K. Simmons como J. Jonah Jameson, roubando todas as cenas em que aparece. O Jameson de Simmons é tão perfeito que, desde então, ninguém consegue imaginar o personagem de outro jeito.
Sam Raimi e cozinheiros demais na cozinha
Sam Raimi deixou ao longo de toda a trilogia a marca registrada que o consagrou na série Evil Dead: a câmera adora o grotesco, o zoom repentino, o exagero de história em quadrinhos. Homem-Aranha e, principalmente, Homem-Aranha 2 funcionaram tão bem porque Raimi teve coragem de ser emotivo, brega e sincero ao mesmo tempo. No terceiro filme esse tom continua lá, só que se perde no meio de tantas tramas.
Mesmo com 139 minutos de duração, dá para sentir que o filme não tem tempo para nada. Cada um dos três vilões merecia um filme próprio, mas aqui eles precisam dividir a atenção. O resultado parece um banquete enorme em que você só prova uma garfada de cada prato e, quando começa a sentir o sabor, já estão trazendo o próximo.
O que ainda funciona hoje
- Os efeitos do Homem-Areia: a figura que se forma a partir da areia continua linda até hoje e é, tecnicamente, o ponto mais forte do filme.
- O arco de Harry: a amizade entre Franco e Maguire rende os momentos mais dolorosos e mais bonitos do filme.
- J.K. Simmons: cada segundo dele vale ouro, e o humor praticamente inteiro repousa nos ombros dele.
- A ideia do uniforme preto: o lado sombrio do próprio Peter vindo à tona é um tema forte, mesmo que a execução às vezes tropece.
- O coração: o Homem-Aranha de Raimi nunca é cínico. Acredita no perdão e na responsabilidade, e isso hoje em dia chega a ser revigorante.
Onde a teia arrebenta
O maior problema é Venom. Os fãs esperaram anos para vê-lo na tela, e o resultado soa mais como um enxerto de última hora do que como parte orgânica do filme. O personagem tem pouco tempo de tela e nunca chega a ser realmente assustador.
O lado romântico também está sobrecarregado. O triângulo entre Mary Jane, Gwen e Peter daria para encher um drama romântico inteiro, mas aqui muitas vezes é só um motor forçado da trama. E o tom fica pulando: num minuto é uma tragédia comovente, no seguinte uma comédia que beira a autoparódia. Raimi sempre gostou de misturar as duas coisas, mas desta vez a receita não deu liga.
Quem pensa em assistir com crianças pequenas também deve ficar atento: o tom mais sombrio e as cenas de ação pesam um pouco mais do que nos filmes anteriores.
Qual o lugar dele na trilogia hoje?
Visto com a distância de tantos anos, Homem-Aranha 3 ocupa um lugar curioso na história do cinema. Durante muito tempo foi o exemplo clássico de encerramento de trilogia que deu errado, até que a nostalgia e a cultura dos memes o elevaram quase ao status de cult. Hoje muita gente assiste com carinho, justamente com todos os defeitos. Uma coisa é certa: nenhum filme posterior do Homem-Aranha conseguiu copiar aquele entusiasmo sincero e um pouco ingênuo que Raimi e Maguire trouxeram juntos.
Se você gosta dos dois primeiros, precisa ver este também, porque ele fecha a história do trio Peter, MJ e Harry, e esses momentos emocionais compensam a bagunça.
Para quem é?
- É para você se: Para quem gosta dos dois primeiros filmes do Homem-Aranha de Raimi e quer ver como termina a história de Peter, Mary Jane e Harry. Obrigatório para os fãs de filme de super-herói das antigas, cheio de espetáculo.
- Melhor pular se: Quem espera uma trama enxuta e coesa, ou vai assistir só por causa do Venom, vai se decepcionar. Também não é a melhor escolha para crianças pequenas, por causa do tom mais sombrio.
Se gostar, veja também: Homem-Aranha (2002), Homem-Aranha 2 (2004), O Espetacular Homem-Aranha (2012), Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021), Batman Begins (2005)
Perguntas frequentes
Quando Homem-Aranha 3 estreou no Brasil?
O filme estreou nos cinemas brasileiros em 4 de maio de 2007.
Qual é a duração de Homem-Aranha 3?
O filme tem 139 minutos de duração.
Quem dirigiu Homem-Aranha 3?
O filme foi dirigido por Sam Raimi, que também comandou os dois filmes anteriores do Homem-Aranha.
Quem são os vilões de Homem-Aranha 3?
Venom (Topher Grace) e o Homem-Areia (Thomas Haden Church) se unem contra o Homem-Aranha, enquanto Harry Osborn (James Franco) prepara sua vingança usando o antigo traje do Duende Verde.
Quem interpreta Gwen Stacy em Homem-Aranha 3?
Gwen Stacy é interpretada por Bryce Dallas Howard.
Vale a pena vestir o uniforme preto de novo hoje?
Vale, mas sabendo onde está se metendo. Homem-Aranha 3 não é o auge da trilogia, esse título continua sendo do segundo filme. É um filme abarrotado, irregular e às vezes constrangedoramente desajeitado, mas que ainda transborda o carinho que tornou o Homem-Aranha de Raimi tão especial. Assista pelo Homem-Areia, pelo Harry, pelo J.K. Simmons e para fechar a história que você começou lá em 2002. Só não espere que ele dê conta dos três vilões: nenhum filme sozinho conseguiria isso.
