Street Fighter: crítica antecipada. Ryu e Ken estão de volta e, desta vez, talvez ganhem o filme que merecem
Este filme tem a missão de lavar trinta anos de vergonha. Ele adapta um jogo que todo mundo conhece, mas que até hoje ninguém conseguiu levar direito para a telona. O Street Fighter de 2026 volta para 1993 e traz no elenco um grupo de astros da luta livre, um rapper e alguns comediantes. É justamente essa mistura estranha que me dá esperança. Atenção: isto não é a crítica de um filme já assistido, e sim uma prévia. O que dá para esperar e por que estou mais animado do que deveria.
No papel, é a adaptação de Street Fighter mais ousada e mais maluca já feita. Se o diretor apostar no próprio humor anárquico, pode virar um daqueles raros casos de sucesso do gênero.
Ficha do filme
| Estreia no Brasil | 15/10/2026 |
|---|---|
| Direção | Kitao Sakurai |
| Elenco | Noah Centineo, Andrew Koji, Callina Liang, Joe Anoa'i, David Dastmalchian, Cody Rhodes |
| Gênero | Filmes de ação |
| Classificação | 14 |
| País | Filmes americanos |
Do que se trata? Dois velhos amigos, um torneio e uma conspiração
A história se passa em 1993, o que por si só já é uma sacada genial. Essa é a era de ouro de Street Fighter II: os fliperamas, as máquinas de ficha e os segredos de combo passados de boca em boca. O filme coloca no centro dois lutadores de rua que se afastaram: Ryu, vivido por Andrew Koji, e Ken Masters, interpretado por Noah Centineo. Os caminhos dos dois se separaram lá atrás, mas agora eles precisam voltar ao ringue.
Quem dá a partida é a misteriosa Chun-Li (Callina Liang), que recruta a dupla para o próximo Torneio Mundial de Lutadores. Segundo a sinopse oficial, será um confronto sangrento de punhos, destinos e fúria, mas por trás da batalha dos reis se esconde uma conspiração mortal. Isso obriga nossos heróis a encarar um ao outro e também os demônios do próprio passado. Quem exatamente está mexendo os pauzinhos, a sinopse não revela, e eu não vou ficar chutando. E no fim, como a descrição diz muito bem: se não der certo, é GAME OVER.
Sinceramente? É a estrutura clássica do filme de torneio de luta, praticamente o mesmo esqueleto que sustentava os filmes de artes marciais dos anos 80 e 90. E tudo bem. De um filme de Street Fighter eu não espero Shakespeare. Espero coração, humor e pancadaria de fazer tremer a poltrona do cinema.
O elenco: lutadores de luta livre, rappers e um verdadeiro astro de ação
À primeira vista, o elenco parece resultado de alguém montando um time de fantasia completamente doido, e é exatamente por isso que eu gosto. Andrew Koji é uma das melhores escolhas que consigo imaginar para Ryu: na série Warrior, ele provou que domina tanto as cenas de luta quanto aquela tensão silenciosa e interior. Noah Centineo ficou conhecido pelas comédias românticas, e o Ken pede justamente aquele charme descontraído e meio convencido que nele parece natural. Se a química entre os dois funcionar, metade do filme já está ganha.
Callina Liang talvez tenha a tarefa mais difícil: Chun-Li é uma das personagens femininas mais icônicas da história dos videogames, e os fãs vão ser implacáveis. Entre os coadjuvantes estão dois superastros da luta livre, Joe Anoa'i, que o público conhece como Roman Reigns, e Cody Rhodes. Os dois têm a presença física que um filme de luta exige, e a teatralidade exagerada da luta livre combina surpreendentemente bem com o universo de Street Fighter.
Tem ainda David Dastmalchian, capaz de ser desconfortavelmente assustador em qualquer filme, além de Andrew Schulz e Eric André, que reforçam o lado cômico. Vidyut Jammwal é um dos artistas marciais mais sérios do cinema de ação indiano, e confesso que é dele que espero a coreografia mais concreta e palpável. E, para fechar com chave de ouro: 50 Cent. Quem interpreta quem entre esses nomes eu não vou detalhar agora, mas a lista por si só já promete que este filme não vai se levar mortalmente a sério.
Kitao Sakurai: a escolha de diretor mais inesperada, e talvez a melhor
É aqui que muita gente levanta a sobrancelha. Kitao Sakurai não é um diretor de ação tradicional. Ele está por trás de Bad Trip, comédia de câmera escondida que também tinha Eric André no elenco, e tem ligação com o universo absurdo e anárquico do The Eric Andre Show. De cara, parece estranho vê-lo no comando de um blockbuster de pancadaria.
Só que, para mim, a chave está justamente aí. Street Fighter nunca foi uma história sombria e realista. É um jogo em que um selvagem de pele verde soltando faíscas elétricas luta contra um mestre de ioga que estica o braço até a metade da tela. Um dos grandes erros das adaptações anteriores foi ou se levar a sério demais, ou ficar ridículo no mau sentido. Um diretor que entende o absurdo intencional e o ritmo da comédia pode encontrar o tom certo, em que o filme é ridiculamente divertido, mas não ridiculamente ruim.
O risco, claro, mora no mesmo lugar: se o humor atropelar o que está em jogo e as lutas virarem enchimento entre uma piada e outra, os fãs mais fiéis vão se decepcionar.
A grande sombra: os filmes anteriores de Street Fighter
É impossível não falar do passado, porque os fãs vão falar. O Street Fighter de 1994, estrelado por Jean-Claude Van Damme, virou cult, mas em boa parte por ser tão absurdamente ruim que acaba ficando bom. Raul Julia como Bison é lendário, mas o filme em si mal lembrava o jogo. Já Street Fighter: A Lenda de Chun-Li, de 2009, sumiu praticamente sem deixar rastro, e ninguém sentiu falta.
Comparado a isso, o novo filme já acerta em várias coisas no papel. A ambientação de época, a história focada na amizade entre os dois protagonistas e um elenco com lutadores de verdade e astros parrudos da luta livre indicam que os realizadores entendem o que faz o jogo funcionar. O reboot de Mortal Kombat em 2021 mostrou que o gênero tem vida, mas também que fatalities espetaculares não bastam se os personagens forem vazios. Espero que tenham aprendido a lição.
O que pode dar errado? A lista de riscos
Por mais empolgado que eu esteja, não sou cego. Estes são os pontos em que o filme pode tropeçar:
- Personagens demais: dez nomes conhecidos, e cada um merece seu momento. Nas adaptações de jogos centrados em personagens, é comum todo mundo ganhar duas cenas e ninguém ganhar um arco de verdade.
- O tom: entre um diretor de comédia e a promessa de um torneio sangrento, o equilíbrio pode se perder fácil.
- A coreografia: se as lutas forem picotadas na edição e escuras, o filme afunda, por melhor que seja o humor.
- As expectativas dos fãs: cada um quer ver seu personagem favorito, e é impossível agradar todo mundo.
Pelo menos a sinopse fala abertamente em confronto sangrento, o que sugere que o filme não foi amaciado para virar programa de família.
Para quem é?
- É para você se: Para quem passou a infância socando botões nas máquinas do fliperama e para quem curte filmes de ação exagerados, divertidos e conscientes do próprio absurdo, com lutadores de luta livre e egos gigantes.
- Melhor pular se: Quem espera um drama de artes marciais sério e pé no chão, ou quem se incomoda com absurdo proposital, provavelmente vai passar a sessão revirando os olhos.
Se gostar, veja também: Mortal Kombat (2021), Mortal Kombat (1995), Street Fighter (1994), Bad Trip (2021)
Perguntas frequentes
Quando Street Fighter estreia nos cinemas do Brasil?
A estreia no Brasil está marcada para 15 de outubro de 2026.
Do que se trata o Street Fighter de 2026?
Em 1993, dois lutadores de rua que se afastaram, Ryu e Ken Masters, voltam à luta quando Chun-Li os recruta para o Torneio Mundial de Lutadores. Por trás do torneio, porém, há uma conspiração mortal que também os obriga a encarar o próprio passado.
Dá para assistir Street Fighter com crianças?
Não muito. Pela sinopse, que promete confrontos sangrentos, o filme não parece pensado para crianças pequenas.
Quem dirigiu o novo filme de Street Fighter?
O filme é dirigido por Kitao Sakurai.
Quem está no elenco de Street Fighter?
Andrew Koji vive Ryu, Noah Centineo interpreta Ken Masters e Callina Liang é Chun-Li. O elenco conta ainda com Joe Anoa'i, David Dastmalchian, Cody Rhodes, Andrew Schulz, Eric André, Vidyut Jammwal e 50 Cent.
Vale colocar a ficha nessa partida?
Vale, e eu nem penso muito. O passado de Street Fighter no cinema está tão lá embaixo que daqui só dá para subir, mas o filme não vive só disso. A ambientação em 1993, a dupla Andrew Koji e Noah Centineo, um diretor incomum, com faro para o humor absurdo, e um elenco de apoio que é metade evento de luta livre, metade noite de stand-up indicam que alguém finalmente entendeu que esse jogo é, por natureza, divertido e meio maluco. Minha expectativa é de otimismo cauteloso: se as lutas acertarem em cheio e a amizade entre Ryu e Ken for mesmo o coração do filme, este pode ser o primeiro Street Fighter do cinema que não dá vergonha de lembrar. Se não for, pelo menos vamos ver 50 Cent num filme de pancadaria. Em 15 de outubro a gente descobre se é K.O. ou GAME OVER.
