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Crítica · Estreia: 14/04/2022

Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, crítica: o mundo bruxo enfim fala de política, mas os animais se perderam no caminho

Filmes britânicosFilmes americanosFilmes de fantasiaFilmes de aventuraSequências

Não é sempre que aparece um filme em que o vilão é tão contido e, justamente por isso, mais assustador do que qualquer show de efeitos. Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore é o capítulo mais adulto e mais político da franquia, e Mads Mikkelsen e Jude Law formam uma dupla que por si só já vale o ingresso. Pena que, no meio do caminho, o roteiro esquece de quem o título deveria falar.

6,5/10
Nota
Elenco forte, visual deslumbrante e um conflito central instigante, mas uma história dispersa e abarrotada impede o filme de ser realmente memorável.
História
5
Atuação
8
Direção
6
Visual
8
Música e som
7
Emoção
5

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalFantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore
Estreia no Brasil14/04/2022
DireçãoDavid Yates
ElencoEddie Redmayne, Jude Law, Mads Mikkelsen, Ezra Miller, Dan Fogler, Alison Sudol
GêneroFilmes de fantasia, Filmes de aventura
Duração142 min
Classificação10
PaísFilmes britânicos, Filmes americanos

Do que se trata? Uma equipe, uma missão e um vilão muito paciente

Sem spoilers, a premissa é simples: Alvo Dumbledore pede ajuda ao seu antigo aluno Newt Scamander, porque Gellert Grindelwald está se preparando para tomar o poder sobre o mundo bruxo. Newt aceita liderar um grupo bem heterogêneo: bruxos, bruxas e o coração secreto da franquia, o padeiro trouxa Jacob Kowalski, partem numa missão perigosa. No caminho, eles cruzam com criaturas antigas e novas e enfrentam o número cada vez maior de seguidores de Grindelwald.

É basicamente isso, e, para ser sincero, o próprio filme também não faz muita questão de revelar mais na primeira meia hora. Ao longo dos 142 minutos, várias tramas correm em paralelo, e nem todas chegam aonde prometiam. Quem esperava que, depois dos filmes anteriores, o quadro geral finalmente se encaixasse aqui vai sair em parte satisfeito e em parte com aquela sensação de que faltou alguma coisa.

Jude Law e Mads Mikkelsen: viemos por causa desses dois

Vamos começar pelo melhor. Jude Law entrega exatamente o que se espera de um Dumbledore mais jovem e ainda vulnerável: tem sabedoria, ironia e uma culpa cansada que dá peso a cada cena em que aparece. Não é o mentor de barba branca que sabe tudo, e sim um homem que vive sendo alcançado pelo próprio passado.

Já o Grindelwald de Mads Mikkelsen é puro carisma frio e calculado. Desde a série Hannibal e Cassino Royale, Mikkelsen sabe fazer pouco e mesmo assim dominar a tela. Aqui ele também não grita nem faz pose: prefere convencer em silêncio, e esse tipo de vilão assusta muito mais do que qualquer demônio rosnando. A tensão entre os dois rende os melhores momentos do filme, e confesso que eu assistiria a um longa inteiro só com eles.

Ao mesmo tempo, essa dupla é também a maior contradição do filme: em tese, a franquia é sobre os animais fantásticos e sobre Newt, mas o drama gira claramente em torno de Dumbledore e Grindelwald. Pelo menos o título é honesto.

Newt, Jacob e companhia: a turma que a gente adora, mas que recebe pouco espaço

Eddie Redmayne continua encantadoramente desajeitado como Newt Scamander, um papel que parece feito sob medida para ele. O vencedor do Oscar por A Teoria de Tudo trabalha aqui em outro registro: tímido, evitando contato visual, só realmente à vontade no meio das suas criaturas. Continua sendo cativante, mas o filme quer abraçar tanta coisa ao mesmo tempo que Newt às vezes vira coadjuvante da própria história.

Dan Fogler, como Jacob Kowalski, é mais uma vez o personagem com quem o público se conecta mais fácil. O padeiro trouxa é a figura através da qual a magia ainda parece um milagre, e Fogler vende isso com carinho, humor e uma dose surpreendente de coração. Para mim, ele é a âncora emocional do filme.

Ao lado deles está Callum Turner como Teseu Scamander, que convence como o irmão mais velho confiável e um tanto rígido, e Jessica Williams como Lally Hicks, um sopro de ar fresco: segura, espirituosa, e dava vontade de vê-la mais. A Queenie Goldstein de Alison Sudol e o Credence (Aurelius Dumbledore) de Ezra Miller são personagens cujas tramas deveriam ser importantes, mas que na prática mais estão presentes do que realmente se desenvolvem.

David Yates de novo: experiência, visual caprichado e um certo cansaço

David Yates dirigiu os quatro últimos filmes de Harry Potter e depois todos os três Animais Fantásticos até aqui, ou seja, seria difícil encontrar alguém com mais experiência nesse universo. E isso aparece: tecnicamente o filme é seguro, as cenas de magia são elegantes, cenários e figurinos são ricos, e o clima é sombrio na medida certa para um mundo à beira da guerra.

Por outro lado, dá para sentir um certo piloto automático. Yates sabe fazer imagens bonitas, mas o ritmo tropeça em vários momentos, as transições entre cenas costumam ser bruscas e os 142 minutos às vezes parecem mais longos do que são. Tem horas em que um diálogo ótimo e tenso é interrompido por uma cena de ação que parece obrigatória, e aí fica a impressão de que o filme não confia o bastante nos próprios pontos fortes.

A trilha e o som são muito bons: os temas clássicos voltam, e o filme aperta o botão da nostalgia com habilidade, mas nem sempre isso consegue disfarçar quando falta conteúdo por trás de uma cena.

O que funciona e onde a coisa desanda?

O que funciona:

O que funciona menos:

Onde ele fica dentro da franquia?

O primeiro, Animais Fantásticos e Onde Habitam, de 2016, era uma aventura leve e charmosa pelas ruas de Nova York. O segundo, Os Crimes de Grindelwald, ficou mais sombrio e complicado, confuso demais na opinião de muita gente. Os Segredos de Dumbledore fica num meio-termo: mais sério e mais redondo que o anterior, mas sem conseguir recuperar a leveza do primeiro.

Vale saber que ver este filme sozinho não é a melhor ideia. As relações entre os personagens, a história de Credence e as escolhas de Queenie significam muito mais para quem viu os anteriores. Já os fãs de Harry Potter vão curtir alguns lugares e motivos conhecidos; não vou entregar quais, mas o fator nostalgia é forte.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016), Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (2018), Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (2011), A Bússola de Ouro (2007), As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (2005)

Perguntas frequentes

Quando Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore estreou no Brasil?

O filme chegou aos cinemas brasileiros em 14 de abril de 2022.

Qual a duração de Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore?

O filme tem 142 minutos.

Do que trata Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore?

Alvo Dumbledore pede a ajuda do seu antigo aluno Newt Scamander para frustrar os planos de Grindelwald de tomar o poder. Newt lidera uma equipe de bruxos, bruxas e um padeiro trouxa numa missão perigosa.

Quem dirigiu o filme e quem está no elenco principal?

A direção é de David Yates. No elenco principal estão Eddie Redmayne, Jude Law, Mads Mikkelsen, Ezra Miller, Dan Fogler, Alison Sudol, Callum Turner e Jessica Williams.

Quem interpreta Grindelwald em Os Segredos de Dumbledore?

Neste filme, Gellert Grindelwald é interpretado por Mads Mikkelsen.

Vale a pena voltar ao mundo bruxo?

Vale, mas não de braços abertos, e sim com um pouco de cautela. Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore é melhor que o antecessor e tem algumas cenas, principalmente os momentos de Jude Law e Mads Mikkelsen juntos, que estão entre os pontos altos de toda a franquia. O visual é rico, o clima é sério, e o Jacob de Dan Fogler continua capaz de aquecer o coração.

Ainda assim, é difícil não sentir que estamos vendo uma história dispersa, que nunca decide se quer ser a aventura de Newt, o drama de Dumbledore ou um thriller político. Quem gosta desse universo vai encontrar motivos de sobra para sorrir, mas quem procura a magia de verdade vai achar este capítulo correto, porém esquecível. Um mediano forte, com alguns lampejos realmente memoráveis.

Nota: 6,5/10 · História 5 · Atuação 8 · Direção 6 · Visual 8 · Música e som 7 · Emoção 5