Desejo de Matar, crítica: Bruce Willis troca o bisturi pela pistola, mas o remake erra o alvo
Chega uma hora em que não basta tirar a poeira de uma história clássica de justiça com as próprias mãos. É preciso ter algo novo a dizer com ela. Desejo de Matar, que Eli Roth lançou em 2018, tropeça justamente nesse ponto. A premissa de Death Wish continua forte e Bruce Willis continua sendo Bruce Willis, só que o filme não sabe muito bem o que fazer com nenhum dos dois. É duro, sangrento e às vezes bem divertido, mas no fim deixa mais um dar de ombros do que um punho cerrado.
Um filme B de ação correto e sangrento, com um Bruce Willis cansado, que nunca tem coragem de levantar de verdade o peso do próprio tema.
Ficha do filme
| Original | Death Wish |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 31/05/2018 |
| Direção | Eli Roth |
| Elenco | Bruce Willis, Vincent D'Onofrio, Dean Norris, Elisabeth Shue, Camila Morrone, Beau Knapp |
| Gênero | Filmes de ação, Filmes policiais, Thrillers, Dramas |
| Duração | 107 min |
| Classificação | 18 |
| País | Filmes americanos |
Onde assistir Desejo de Matar?
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Do que trata Desejo de Matar, sem spoilers?
O Dr. Paul Kersey é cirurgião em Chicago e, até então, só conhecia a violência das ruas do outro lado da mesa de operação. Todo dia chegam até ele vítimas de tiros e facadas, e ele faz o seu trabalho: remenda, costura, salva vidas e depois volta para a família no subúrbio. Essa distância segura desaparece em uma única noite, quando a esposa, Lucy, e a filha, Jordan, sofrem um ataque brutal dentro da própria casa.
A polícia está sobrecarregada, o caso vira só mais um na pilha, e Paul percebe cada vez mais claramente que, se ele não fizer nada, ninguém vai fazer. Daí começa o caminho sombrio: o homem que cura parte atrás dos criminosos para fazer justiça com as próprias mãos. A premissa é essa e, sinceramente, não vale a pena saber muito mais antes de assistir. Se bem que o próprio filme não guarda grandes surpresas para quem já viu pelo menos um filme de vingança na vida.
Bruce Willis, o cirurgião carrancudo
Durante décadas, o nome de Bruce Willis foi garantia de ver na tela alguém cansado, mas inabalável, colocando ordem na bagunça. Desde o John McClane de Duro de Matar, sabemos que poucos interpretam tão bem o cara comum no lugar errado e na hora errada que vira herói por pura necessidade. Paul Kersey, em tese, é exatamente esse tipo de personagem, e ainda tem uma virada interessante: um médico que jurou proteger a vida agora passa a tirar vidas.
O problema é que Willis quase não explora essa contradição interna. O luto e a raiva, no caso dele, se resumem a uma expressão constante, meio entediada, e a transformação do pai de família tranquilo em anjo vingador acontece mais no papel do que na tela. Há momentos em que o velho carisma aparece, numa frase seca jogada no ar ou numa cena mais tensa, mas na maior parte do tempo dá a sensação de que Willis está apenas cumprindo mais um papel de ação da lista. Uma pena, porque o personagem merecia mais.
Coadjuvantes que mereciam mais espaço
No papel, o elenco é bem forte. Vincent D'Onofrio interpreta Frank Kersey, irmão de Paul, e é a presença dele que dá mais credibilidade ao drama familiar. Desde Nascido para Matar, D'Onofrio prova que consegue tirar peso do menor dos gestos, e aqui também é ele quem prende a atenção sempre que aparece.
Dean Norris, que a maioria conhece como o Hank Schrader de Breaking Bad, vive o detetive Rains. O papel se apoia quase todo no clichê do policial cansado e cínico, mas Norris tira o máximo dele: tem um humor seco e descontraído que cai muito bem no tom sombrio do filme. Ao lado dele aparece Kimberly Elise como a detetive Jackson. Elisabeth Shue, como Lucy Kersey, e Camila Morrone, como Jordan, deveriam mostrar o calor da família, mas o roteiro não dá a elas espaço suficiente para que a gente realmente se apegue antes da tragédia. E é justamente disso que dependeria o motor emocional do filme.
Beau Knapp, no papel de Knox, é antipático na medida certa, e Len Cariou, como Ben, tem uma participação mais curta, porém mais marcante.
Eli Roth e a dupla personalidade do filme
Os fãs de terror conhecem Eli Roth por O Albergue e Cabana do Inferno, ou seja, estamos falando de um diretor que não foge do sangue nem da crueldade. Isso aparece em Desejo de Matar: a violência é crua e às vezes servida de um jeito francamente grotesco. Em uma ou outra cena os reflexos de terror de Roth vêm à tona, e nesses momentos o filme ganha vida de repente, porque finalmente tem alguma personalidade.
O problema está mais no tom. O filme quer ser ao mesmo tempo um drama sério sobre luto e violência social e um filme de ação divertido e meio atrevido, daqueles em que a plateia aplaude quando os vilões recebem o troco. As duas coisas convivem mal, e Roth não encontra a chave. Ele levanta as questões morais da justiça com as próprias mãos, mas nunca fica nelas tempo suficiente para que doam. O original de 1974, estrelado por Charles Bronson, foi provocador para a sua época; esta versão apenas repete a fórmula de forma confortável.
O que funciona e onde o filme escorrega?
- Funciona: o passado de cirurgião rende alguns momentos criativos, em que o conhecimento médico de Paul vira vantagem.
- Funciona: o ritmo. Os 107 minutos não se arrastam, o filme anda rápido e nunca fica chato.
- Funciona: D'Onofrio e Norris, que levantam todas as cenas em que aparecem.
- Fraco: o desenvolvimento do personagem. A transformação de Paul é rápida demais e sem atrito nenhum.
- Fraco: a abordagem do tema. A cultura das armas e a justiça com as próprias mãos aparecem de forma superficial; o filme não tem coragem de se posicionar, e quando se posiciona, fica meio constrangedor.
- Fraco: a previsibilidade. Se você já viu um filme de vingança, consegue adivinhar praticamente todas as viradas da trama.
Visualmente, o filme está ok: as ruas escuras e chuvosas de Chicago têm clima, e as cenas de ação são claras e bem montadas. Só não há nada ali que você vá lembrar semanas depois.
Para quem é?
- É para você se: Para quem quer um filme de vingança simples, sangrento e de ritmo rápido para acompanhar uma cerveja à noite, e gosta de ver Bruce Willis de novo com uma arma na mão.
- Melhor pular se: Para quem espera um drama profundo ou uma discussão cheia de nuances sobre justiça com as próprias mãos, e para quem não suporta violência crua e explícita.
Se gostar, veja também: Desejo de Matar (1974), O Protetor (2014), Busca Implacável (2008), Código de Conduta (2009), Harry Brown (2009)
Perguntas frequentes
Do que trata Desejo de Matar (2018)?
A família do Dr. Paul Kersey, cirurgião em Chicago, sofre um ataque brutal em casa e, como a polícia sobrecarregada não avança no caso, Paul parte ele mesmo atrás dos criminosos.
Quando Desejo de Matar estreou nos cinemas brasileiros?
O filme estreou no Brasil em 31 de maio de 2018.
Quanto tempo dura Desejo de Matar?
O filme tem 107 minutos de duração.
Desejo de Matar é indicado para assistir com crianças?
Não. A violência é crua e às vezes bem gráfica, então é um filme para o público adulto.
Quem dirigiu Desejo de Matar e quem está no elenco?
A direção é de Eli Roth. Bruce Willis vive Paul Kersey, ao lado de Vincent D'Onofrio, Dean Norris, Elisabeth Shue e Camila Morrone.
Qual é o título original de Desejo de Matar?
O título original, em inglês, é Death Wish.
Vale a pena deixar a vingança nas mãos de Bruce Willis hoje à noite?
Se você sentar para assistir com expectativas mínimas, Desejo de Matar não vai decepcionar: é um filme de gênero bem montado, sangrento e ágil, que entrega exatamente o que o pôster promete. Mas se você quer algo mais, seja um drama familiar realmente comovente, um thriller cheio de perguntas moralmente incômodas ou uma atuação memorável de Willis, é melhor partir para o original com Bronson ou para um filme de vingança moderno mais forte. No streaming, serve para uma noite sem nada melhor para fazer, mas é quase certo que você não vai rever. Da minha parte, um cinco apertado de dez, e nessa nota já entram as boas cenas de D'Onofrio e Norris.
