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Crítica · Estreia: 31/05/2018

Desejo de Matar, crítica: Bruce Willis troca o bisturi pela pistola, mas o remake erra o alvo

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Chega uma hora em que não basta tirar a poeira de uma história clássica de justiça com as próprias mãos. É preciso ter algo novo a dizer com ela. Desejo de Matar, que Eli Roth lançou em 2018, tropeça justamente nesse ponto. A premissa de Death Wish continua forte e Bruce Willis continua sendo Bruce Willis, só que o filme não sabe muito bem o que fazer com nenhum dos dois. É duro, sangrento e às vezes bem divertido, mas no fim deixa mais um dar de ombros do que um punho cerrado.

5,5/10
Nota
Um filme B de ação correto e sangrento, com um Bruce Willis cansado, que nunca tem coragem de levantar de verdade o peso do próprio tema.
História
5
Atuação
6
Direção
5
Visual
6
Música e som
6
Emoção
5

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalDeath Wish
Estreia no Brasil31/05/2018
DireçãoEli Roth
ElencoBruce Willis, Vincent D'Onofrio, Dean Norris, Elisabeth Shue, Camila Morrone, Beau Knapp
GêneroFilmes de ação, Filmes policiais, Thrillers, Dramas
Duração107 min
Classificação18
PaísFilmes americanos

Onde assistir Desejo de Matar?

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Dados de streaming: JustWatch · atualizado em: 13/10/2026

Do que trata Desejo de Matar, sem spoilers?

O Dr. Paul Kersey é cirurgião em Chicago e, até então, só conhecia a violência das ruas do outro lado da mesa de operação. Todo dia chegam até ele vítimas de tiros e facadas, e ele faz o seu trabalho: remenda, costura, salva vidas e depois volta para a família no subúrbio. Essa distância segura desaparece em uma única noite, quando a esposa, Lucy, e a filha, Jordan, sofrem um ataque brutal dentro da própria casa.

A polícia está sobrecarregada, o caso vira só mais um na pilha, e Paul percebe cada vez mais claramente que, se ele não fizer nada, ninguém vai fazer. Daí começa o caminho sombrio: o homem que cura parte atrás dos criminosos para fazer justiça com as próprias mãos. A premissa é essa e, sinceramente, não vale a pena saber muito mais antes de assistir. Se bem que o próprio filme não guarda grandes surpresas para quem já viu pelo menos um filme de vingança na vida.

Bruce Willis, o cirurgião carrancudo

Durante décadas, o nome de Bruce Willis foi garantia de ver na tela alguém cansado, mas inabalável, colocando ordem na bagunça. Desde o John McClane de Duro de Matar, sabemos que poucos interpretam tão bem o cara comum no lugar errado e na hora errada que vira herói por pura necessidade. Paul Kersey, em tese, é exatamente esse tipo de personagem, e ainda tem uma virada interessante: um médico que jurou proteger a vida agora passa a tirar vidas.

O problema é que Willis quase não explora essa contradição interna. O luto e a raiva, no caso dele, se resumem a uma expressão constante, meio entediada, e a transformação do pai de família tranquilo em anjo vingador acontece mais no papel do que na tela. Há momentos em que o velho carisma aparece, numa frase seca jogada no ar ou numa cena mais tensa, mas na maior parte do tempo dá a sensação de que Willis está apenas cumprindo mais um papel de ação da lista. Uma pena, porque o personagem merecia mais.

Coadjuvantes que mereciam mais espaço

No papel, o elenco é bem forte. Vincent D'Onofrio interpreta Frank Kersey, irmão de Paul, e é a presença dele que dá mais credibilidade ao drama familiar. Desde Nascido para Matar, D'Onofrio prova que consegue tirar peso do menor dos gestos, e aqui também é ele quem prende a atenção sempre que aparece.

Dean Norris, que a maioria conhece como o Hank Schrader de Breaking Bad, vive o detetive Rains. O papel se apoia quase todo no clichê do policial cansado e cínico, mas Norris tira o máximo dele: tem um humor seco e descontraído que cai muito bem no tom sombrio do filme. Ao lado dele aparece Kimberly Elise como a detetive Jackson. Elisabeth Shue, como Lucy Kersey, e Camila Morrone, como Jordan, deveriam mostrar o calor da família, mas o roteiro não dá a elas espaço suficiente para que a gente realmente se apegue antes da tragédia. E é justamente disso que dependeria o motor emocional do filme.

Beau Knapp, no papel de Knox, é antipático na medida certa, e Len Cariou, como Ben, tem uma participação mais curta, porém mais marcante.

Eli Roth e a dupla personalidade do filme

Os fãs de terror conhecem Eli Roth por O Albergue e Cabana do Inferno, ou seja, estamos falando de um diretor que não foge do sangue nem da crueldade. Isso aparece em Desejo de Matar: a violência é crua e às vezes servida de um jeito francamente grotesco. Em uma ou outra cena os reflexos de terror de Roth vêm à tona, e nesses momentos o filme ganha vida de repente, porque finalmente tem alguma personalidade.

O problema está mais no tom. O filme quer ser ao mesmo tempo um drama sério sobre luto e violência social e um filme de ação divertido e meio atrevido, daqueles em que a plateia aplaude quando os vilões recebem o troco. As duas coisas convivem mal, e Roth não encontra a chave. Ele levanta as questões morais da justiça com as próprias mãos, mas nunca fica nelas tempo suficiente para que doam. O original de 1974, estrelado por Charles Bronson, foi provocador para a sua época; esta versão apenas repete a fórmula de forma confortável.

O que funciona e onde o filme escorrega?

Visualmente, o filme está ok: as ruas escuras e chuvosas de Chicago têm clima, e as cenas de ação são claras e bem montadas. Só não há nada ali que você vá lembrar semanas depois.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Desejo de Matar (1974), O Protetor (2014), Busca Implacável (2008), Código de Conduta (2009), Harry Brown (2009)

Perguntas frequentes

Do que trata Desejo de Matar (2018)?

A família do Dr. Paul Kersey, cirurgião em Chicago, sofre um ataque brutal em casa e, como a polícia sobrecarregada não avança no caso, Paul parte ele mesmo atrás dos criminosos.

Quando Desejo de Matar estreou nos cinemas brasileiros?

O filme estreou no Brasil em 31 de maio de 2018.

Quanto tempo dura Desejo de Matar?

O filme tem 107 minutos de duração.

Desejo de Matar é indicado para assistir com crianças?

Não. A violência é crua e às vezes bem gráfica, então é um filme para o público adulto.

Quem dirigiu Desejo de Matar e quem está no elenco?

A direção é de Eli Roth. Bruce Willis vive Paul Kersey, ao lado de Vincent D'Onofrio, Dean Norris, Elisabeth Shue e Camila Morrone.

Qual é o título original de Desejo de Matar?

O título original, em inglês, é Death Wish.

Vale a pena deixar a vingança nas mãos de Bruce Willis hoje à noite?

Se você sentar para assistir com expectativas mínimas, Desejo de Matar não vai decepcionar: é um filme de gênero bem montado, sangrento e ágil, que entrega exatamente o que o pôster promete. Mas se você quer algo mais, seja um drama familiar realmente comovente, um thriller cheio de perguntas moralmente incômodas ou uma atuação memorável de Willis, é melhor partir para o original com Bronson ou para um filme de vingança moderno mais forte. No streaming, serve para uma noite sem nada melhor para fazer, mas é quase certo que você não vai rever. Da minha parte, um cinco apertado de dez, e nessa nota já entram as boas cenas de D'Onofrio e Norris.

Nota: 5,5/10 · História 5 · Atuação 6 · Direção 5 · Visual 6 · Música e som 6 · Emoção 5