Moulin Rouge: Amor em Vermelho, crítica: a paixão brilhante, escandalosa e de partir o coração de Baz Luhrmann
Tem filme que, nos primeiros cinco minutos, ou faz você sair correndo ou te conquista sem volta. <em>Moulin Rouge: Amor em Vermelho</em> é exatamente assim. O drama musical de Baz Luhrmann, lançado em 2001, voa para cima do espectador feito rolha de champanhe, e quem aguenta esse primeiro ataque ganha uma história de amor que até hoje ninguém conseguiu copiar de verdade.
Exagerado, caótico, flertando com o brega, e justamente por isso virou um dos musicais mais apaixonados que o cinema já fez.
Ficha do filme
| Original | Moulin Rouge! |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 24/08/2001 |
| Direção | Baz Luhrmann |
| Elenco | Ewan McGregor, Nicole Kidman, John Leguizamo, Jim Broadbent, Richard Roxburgh, Garry McDonald |
| Gênero | Dramas, Filmes românticos, Filmes musicais |
| Duração | 128 min |
| Classificação | 12 |
| País | Filmes australianos, Filmes americanos |
Onde assistir Moulin Rouge: Amor em Vermelho?
| Por assinatura |
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Paris, boêmios e um amor que não cabe no cabaré
A premissa é simples, quase de conto de fadas. Estamos em Paris, na virada do século. Christian é um escritor jovem e talentosíssimo que, contra a vontade do pai, passa os dias no círculo boêmio do pintor Toulouse-Lautrec. É Lautrec quem o apresenta à turma de artistas de Montmartre e, claro, ao mundo cintilante, decadente e sem freios dos cabarés, onde tudo está à venda e tudo é possível. Tudo, menos uma coisa: o amor sincero.
E Christian, como costuma acontecer com escritores jovens, escolhe justamente isso. Ele se apaixona perdidamente por Satine, a estrela mais aclamada do cabaré mais famoso de Paris. A partir daí, o filme não pergunta se acreditamos no grande amor. Ele simplesmente grita, dança e canta isso na nossa cara.
Confesso que a história em si não é a coisa mais original do mundo. O artista pobre e a estrela inalcançável são um motivo tão velho quanto o teatro. Mas Luhrmann não aposta na surpresa, e sim em amplificar as emoções. É como uma ópera: você sabe que vai doer e, mesmo assim, fica até o fim.
Ewan McGregor e Nicole Kidman: dois atores que cantam de verdade
O segredo do filme é que os dois protagonistas mergulham de cabeça na loucura. O Christian de Ewan McGregor é ingênuo, empolgado, meio desajeitado, e canta com tanta sinceridade que a gente esquece o risco que isso representa para um ator de cinema. Não há nele um pingo de cinismo, e isso salva tudo, porque um herói irônico, piscando para a plateia, desmontaria o filme inteiro.
Nicole Kidman, como Satine, é ao mesmo tempo diva, mulher de negócios e menina frágil. Num instante é a estrela barulhenta do show, no outro é uma pessoa assustada, sem ter para onde fugir. É um dos melhores trabalhos da carreira dela, e fica difícil imaginar outra atriz com aquele cabelo ruivo e o vestido cintilante.
Entre os coadjuvantes, Jim Broadbent como Harold Zidler é um circo completo, no melhor sentido: cafetão, empresário e sobrevivente ao mesmo tempo. John Leguizamo é a alma boêmia do filme como Toulouse-Lautrec, e Richard Roxburgh, no papel do Duque, entrega o homem rico e possessivo com uma repulsa tão lasciva que quase dá para tocar. Completam o elenco Garry McDonald, Jacek Koman e Matthew Whittet, que dão vida à turma colorida de Montmartre.
Baz Luhrmann, o ditador da sala de montagem
Se alguém já disse que o estilo de um diretor é reconhecível de longe, estava pensando em Baz Luhrmann. Quem viu Romeu + Julieta já imagina o que vem por aí: cortes rapidíssimos, câmera vertiginosa, exagero teatral e cultura pop onde menos se espera.
A primeira meia hora testa a paciência de qualquer um. O ritmo parece o de um filme mudo acelerado com um pote de glitter despejado por cima. Muita gente desiste aqui, e eu entendo. Mas esse caos é proposital: Luhrmann mostra como esse mundo é inebriante, falso e barulhento para que, nos momentos mais calmos, o amor bata ainda mais forte.
Este é aquele caso raro em que o exagero não é defeito, é o próprio gênero. Luhrmann não quer uma Paris realista, quer um teatro de sonhos onde cada emoção toca no volume dez.
Música pop em Montmartre: a trilha que leva tudo
Aqui está o motivo pelo qual Moulin Rouge: Amor em Vermelho virou lenda. Luhrmann não usa música de época: ele mistura, recorta e costura canções pop conhecidas numa espécie de grande mixtape romântica coletiva. O resultado é engraçado, ousado e surpreendentemente comovente.
Os números musicais não são enfeite, são o motor da história. Os personagens cantam quando já não conseguem mais falar, e essa velha regra dos musicais funciona aqui com perfeição. Um único dueto revela mais sobre Christian e Satine do que dez páginas de diálogo.
Para quem ama música, metade do filme vira brincadeira: reconhecer de onde vem um verso, uma melodia, um refrão. E quem não conhece as canções recebe a carga emocional do mesmo jeito, porque o arranjo e a interpretação dizem tudo.
Onde o brilho escorrega?
Não sou fã cego, o filme tem suas fraquezas. O humor das primeiras partes, mais pastelão, não vai funcionar para todo mundo, e em algumas piadas até eu fiquei olhando para o teto. O ritmo às vezes cansa, e o filme quer tanto fazer tudo ao mesmo tempo que, de vez em quando, se perde no próprio cenário.
A estrutura da história também é simples, e os personagens, principalmente os coadjuvantes, são mais tipos do que gente. Quem procura um drama romântico lento e cheio de nuances vai encontrar opereta, não a delicadeza de Tchekhov.
- O que funciona: os dois protagonistas, a música, o visual, a paixão.
- O que funciona menos: o começo acelerado demais, a palhaçada, a trama fina.
Por que revemos o filme mesmo vinte e cinco anos depois?
Porque quase não existe filme com tanta coragem de ser emotivo. Moulin Rouge: Amor em Vermelho não tem vergonha de querer ser grande, de querer lágrimas, de querer acreditar no amor num mundo em que tudo tem preço. Hoje, quando a maioria dos filmes se defende do drama com uma piscadela, essa franqueza soa quase revolucionária.
Em 128 minutos, o filme vai da comédia rasgada à tragédia, e quem faz essa viagem com ele provavelmente vai passar um bom tempo cantarolando as músicas.
Para quem é?
- É para você se: Para fãs de musicais, para quem adora grandes dramas românticos e apaixonados e para todo mundo que gosta de um filme ousadamente exagerado e espetacular.
- Melhor pular se: Para quem não suporta cortes rápidos, estilo teatral e cantoria surgindo do nada, a primeira meia hora vai ser uma tortura.
Se gostar, veja também: Romeu + Julieta (1996), Chicago (2002), O Grande Gatsby (2013), Cabaret (1972), La La Land: Cantando Estações (2016)
Perguntas frequentes
Sobre o que é Moulin Rouge: Amor em Vermelho?
Na Paris da virada do século, o jovem escritor Christian entra no círculo boêmio de Toulouse-Lautrec e se apaixona por Satine, a estrela aclamada do cabaré mais famoso da cidade.
Qual a duração de Moulin Rouge: Amor em Vermelho?
O filme tem 128 minutos.
Quem dirigiu Moulin Rouge: Amor em Vermelho?
Baz Luhrmann, numa produção australiana e americana.
Quem está no elenco principal?
Ewan McGregor (Christian), Nicole Kidman (Satine), John Leguizamo (Toulouse-Lautrec), Jim Broadbent (Harold Zidler) e Richard Roxburgh (o Duque).
Quando o filme estreou no Brasil?
Moulin Rouge: Amor em Vermelho chegou aos cinemas brasileiros em 24 de agosto de 2001.
Você vai cruzar a porta do moinho vermelho ou ficar do lado de fora?
Moulin Rouge: Amor em Vermelho não quer agradar a todo mundo, e é justamente por isso que tanta gente o ama. É escandaloso, brega, exagerado e, ao mesmo tempo, tão sinceramente romântico que até o espectador mais cínico se emociona no final. Se ainda não viu, dê uma chance e aguente a primeira meia hora. Se já viu, está na hora de rever: Kidman e McGregor continuam acertando o coração do mesmo jeito.
