A Cinco Passos de Você crítica: um romance em que o maior gesto de amor é não tocar
Tem filme que você já sabe pelo pôster que não dá para assistir sem uma caixa de lenços do lado, e A Cinco Passos de Você é exatamente desse tipo. O drama romântico de Justin Baldoni acompanha dois adolescentes com fibrose cística que, por causa da doença, precisam manter distância um do outro. A receita é conhecida, alguns ingredientes vêm doces demais, mas Haley Lu Richardson coloca tanto coração no papel que fica difícil resistir.
Um drama teen previsível e, às vezes, sentimental de forma insistente, que a atuação sincera e luminosa de Haley Lu Richardson eleva bem acima da média do gênero.
Ficha do filme
| Original | Five Feet Apart |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 21/03/2019 |
| Direção | Justin Baldoni |
| Elenco | Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moisés Arias, Kimberly Hébert Gregory, Parminder Nagra, Claire Forlani |
| Gênero | Filmes românticos, Dramas |
| Duração | 116 min |
| Classificação | 12 |
| País | Filmes americanos |
Sobre o que é A Cinco Passos de Você, sem spoilers?
Stella Grant tem dezessete anos e, em muitos aspectos, é uma adolescente comum: vive grudada no notebook e é apaixonada pelos melhores amigos. A diferença é que passa boa parte do tempo no hospital, porque tem fibrose cística. A vida dela gira em torno de listas, regras e uma disciplina rígida, em que cada remédio e cada tratamento têm hora e lugar certos.
Essa ordem cuidadosamente construída vira de cabeça para baixo com a chegada de Will Newman, um paciente bonito demais para ser verdade, que também convive com a fibrose cística. O flerte começa quase de imediato, só que as regras são implacáveis: os dois precisam manter sempre a distância de segurança. Quanto mais a relação cresce, maior fica a tentação de ignorar as recomendações. Para complicar, Will se rebela contra o próprio tratamento, enquanto Stella tenta convencê-lo a viver de verdade. E a grande pergunta é: como salvar alguém em quem você não pode nem encostar?
Melhor não saber mais do que isso antes de dar o play. A força do filme está justamente na forma como ele desenvolve essa premissa simples e cruel.
Uma premissa que já dói por conta própria
Para ser sincero, a maior ideia do filme já está no ponto de partida. Há décadas os romances se apoiam no beijo, no abraço, nas mãos dadas. Aqui, é exatamente isso que está proibido. Cada momento em que os personagens poderiam se aproximar é romântico e assustador ao mesmo tempo, porque o espectador sabe muito bem o que está em jogo.
É uma armadilha dramática muito eficiente, e o filme sabe aproveitá-la. As melhores cenas são aquelas em que o amor aparece através da distância: num olhar, num gesto pequeno e criativo, num momento compartilhado que, no fundo, não pode ser totalmente compartilhado. Nessas horas, A Cinco Passos de Você realmente fala mais sobre desejo e renúncia do que a média do gênero.
Uma curiosidade: o título brasileiro fala em cinco passos, enquanto o original fala em cinco pés. A ideia é a mesma, um vazio mensurável e cruel entre duas pessoas, imposto não pelos sentimentos, mas pela medicina.
Haley Lu Richardson carrega o filme nas costas
Se eu tivesse que dar um único motivo para você assistir a este filme, seria Haley Lu Richardson. Quem a viu em Columbus sabe como ela consegue ser sutil, e aqui, num ambiente bem mais comercial, ela prova que uma garota controladora, agarrada às suas listas, pode virar uma personagem de carne e osso, fácil de amar. A Stella dela não é um anjo sofredor, e sim alguém engraçada, irritante, teimosa e muito viva. Quando ela chora, não é o roteiro que chora por ela, é ela mesma.
Cole Sprouse, como Will, fica com o papel clássico do bad boy inalcançável: cínico, rebelde, que despreza as regras e, claro, é bem mais frágil por dentro. Desde Riverdale, Sprouse sabe encarar a câmera com aquele olhar sombrio, e aqui entrega o mesmo. Funciona, mas o personagem é bem mais clichê do que Stella, e nem ele consegue superar isso por completo.
Entre os coadjuvantes, Moisés Arias, como Poe, traz calor humano e humor de verdade, e é uma das surpresas mais agradáveis do filme. Kimberly Hébert Gregory convence como Barb, a enfermeira rígida porém carinhosa, que representa as regras e mesmo assim é impossível de odiar. Parminder Nagra, como Dra. Hamid, e Claire Forlani, como Meredith, completam o elenco com presenças menores, mas firmes.
Justin Baldoni e a arte de apertar botões emocionais
O diretor é Justin Baldoni, que muita gente conhece como ator, e dá para sentir que ele quer muito uma coisa: que você chore. Isso é, ao mesmo tempo, a força e a fraqueza do filme. O ambiente hospitalar, os quartos pequenos, os corredores, os tubos e as máquinas recriam com credibilidade o mundo em que esses jovens vivem, e felizmente a doença não é só cenário: ela define de fato o dia a dia dos personagens.
Por outro lado, Baldoni muitas vezes não confia o suficiente no próprio material. Quando uma cena já funciona sozinha, ainda vem uma trilha emotiva, uma câmera lenta, uma fala um pouco escrita demais. Com 116 minutos, o filme também se arrasta visivelmente, e o terço do meio tem momentos mortos que uma montagem mais enxuta poderia ter cortado sem problema.
Visualmente, é um trabalho correto e limpo, que não tenta dizer nada grandioso, nem precisa. As imagens são quentes, as cores são suaves, e tudo serve para manter a atenção no rosto dos dois protagonistas.
Onde o filme escorrega?
O maior problema é a previsibilidade. Quem já viu alguns romances adolescentes com doença no meio vai adivinhar mais ou menos em que montanha-russa emocional está embarcando. O filme não quer surpreender, prefere seguir o arco já testado do gênero, só que com uma reviravolta nova e criativa.
- O personagem de Will se apoia demais no molde do gênero, e a rebeldia dele muitas vezes soa mais como pose do que como conflito interno de verdade.
- O tom às vezes fica doce demais, com diálogos que parecem saídos de uma coletânea de frases de rede social.
- O ritmo é irregular, e cenas boas às vezes são seguidas de puro enchimento.
Mesmo assim, o filme não é cínico. Dá para ver que ele leva a sério o tema e os personagens, e isso conta muito. Numa história assim, seria fácil usar a doença só como ferramenta para arrancar lágrimas, mas A Cinco Passos de Você ao menos tenta mostrar o que significa conviver com ela.
Para quem é?
- É para você se: Para quem adora romances adolescentes cheios de emoção e não se importa de ser um pouco manipulado, desde que possa chorar gostoso no final. Para fãs de Haley Lu Richardson, é obrigatório.
- Melhor pular se: Quem tem alergia a breguice e a histórias previsíveis, ou está procurando um filme leve e alegre para assistir a dois, deve passar bem longe.
Se gostar, veja também: A Culpa É das Estrelas (2014), Tudo e Todas as Coisas (2017), Se Eu Ficar (2014), Um Amor para Recordar (2002)
Perguntas frequentes
Sobre o que é A Cinco Passos de Você?
Sobre dois adolescentes com fibrose cística, Stella e Will, que se apaixonam no hospital, mas, por causa da doença, precisam manter distância e não podem nem se tocar.
Quando A Cinco Passos de Você estreou no Brasil?
O filme estreou nos cinemas brasileiros em 21 de março de 2019.
Quanto tempo dura A Cinco Passos de Você?
O filme tem 116 minutos de duração.
Quem dirigiu A Cinco Passos de Você e quem está no elenco?
O filme americano foi dirigido por Justin Baldoni. Os protagonistas são Haley Lu Richardson (Stella) e Cole Sprouse (Will), e o elenco conta ainda com Moisés Arias, Kimberly Hébert Gregory e Parminder Nagra.
Qual é o título original de A Cinco Passos de Você?
O título original do filme é Five Feet Apart.
Vale a pena gastar uma caixa de lenços com ele?
A Cinco Passos de Você não vai reescrever as regras do drama romântico, e nem tenta. É previsível, doce demais em alguns momentos, e a direção de Justin Baldoni às vezes aperta os botões emocionais com mais força do que deveria. Mesmo assim, tem algo muito humano ali: uma ótima ideia central, que transforma o toque proibido em tensão, e uma Haley Lu Richardson que torna verdadeira cada cena em que aparece.
Se numa noite chuvosa você estiver a fim de um bom filme para chorar, dá para escolher muito pior. Só deixe os lenços por perto e não espere surpresas. As emoções, por mais que você já esteja esperando por elas, vão te alcançar do mesmo jeito.
