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Crítica antes da estreia · Nos cinemas desde 05/11/2026

George Michael: The Faith Tour, crítica antecipada: Paris, 1988, e uma voz que ainda arrepia

Filmes inglesesFilmes de shows

Existe aquele tipo de popstar que dispensa apresentação, e existe aquele tipo de show que ninguém nunca conseguiu ver direito. George Michael: The Faith Tour junta as duas coisas: o show de 1988 no Bercy, em Paris, montado a partir de filmagens em 35 mm recém-descobertas, restauradas e remixadas. A estreia nos cinemas brasileiros é em 5 de novembro, e eu já reservei a noite.

8,2/10
Nota esperada
No papel, está tudo pronto para ser o filme nostálgico mais bonito do ano. Se a restauração entregar o que promete, vai ser obrigatório para os fãs.
História
6
Atuação
9
Direção
7
Visual
8
Música e som
10
Emoção
9

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

Estreia no Brasil05/11/2026
DireçãoDavid Austin, Andrew Morahan
GêneroFilmes de shows
PaísFilmes ingleses

Do que se trata? De um show e de um momento que não volta mais

Vamos ao básico, porque em filme de show não tem muito o que dar spoiler, no máximo o setlist. O filme traz o lendário show de 1988 que George Michael fez no palco do Palais Omnisports de Paris-Bercy, durante a turnê Faith, aquela que quebrou recordes. O material foi montado a partir de filmagens em 35 mm que vieram à tona recentemente e, segundo a divulgação, inclui imagens e áudio nunca vistos antes.

Esse é o ponto principal: não estamos falando de uma fita VHS copiada mil vezes ganhando embalagem nova, e sim de um material registrado em película, restaurado e remixado por profissionais. Quem já viu um show antigo restaurado na tela grande sabe que a experiência pode ser completamente diferente daqueles vídeos chiados que a gente assiste no YouTube. A proposta é justamente transformar um momento cultural marcante num espetáculo de cinema.

A abertura: a câmera de Mary McCartney nos bastidores

Uma coisa me interessa tanto quanto o show em si: o filme abre com um curta de Mary McCartney. Ele também traz material de som e imagem recém-descoberto, do período entre 1986 e 1988, ou seja, os dois anos em que George compôs o álbum Faith e depois o levou para a estrada.

Foi uma boa sacada. Um filme de show já é, por si só, um ápice, mas todo ápice precisa de um caminho até ele, e esse prólogo promete exatamente isso: um olhar sobre como o disco e o artista foram tomando forma. A divulgação chama o conjunto de "cápsula do tempo", um retrato íntimo e direto do estado de espírito de George num momento decisivo da vida dele. Se vai ser de fato íntimo ou só uma montagem de arquivo bonita, porém distante, a gente descobre na sessão. De qualquer forma, a intenção é simpática: mostrar não só o astro, mas a pessoa por trás dele.

George Michael no auge: por que justamente essa fase?

George Michael foi um dos popstars mais influentes da sua geração, e isso não precisa ser explicado para ninguém que já o ouviu cantar, ao vivo ou em disco. A voz dele bebia da soul music negra, tinha uma precisão técnica assustadora e uma emoção profunda, e o talento como compositor definiu uma época inteira.

Além disso, a era Faith é uma virada especial: é quando o George pós-Wham! se prova como artista solo e, segundo a divulgação do filme, está no auge da força criativa. Jaqueta de couro, óculos escuros, aquele rebolado e, por trás de tudo, uma voz impossível de imitar. Para mim, é um dos períodos mais empolgantes do pop, porque fala ao mesmo tempo de autoconfiança e de alguém que está decidindo quem quer ser. Se o filme conseguir transmitir essa dualidade, já ganhou.

Os diretores e a restauração: é aqui que tudo se decide

A direção é assinada por David Austin e Andrew Morahan. Num filme de show feito com material de arquivo, dirigir é um pouco diferente do que numa ficção: aqui contam a seleção, a montagem, o ritmo e, principalmente, o trabalho técnico. Um som mal mixado ou uma imagem polida demais, com cara de plástico, pode estragar uma lenda. Já uma restauração bem acertada te joga de volta para 1988 como se você estivesse na pista do Bercy.

A informação oficial é que o filme foi restaurado e remixado com cuidado, o que é promissor, mas por enquanto vejo isso com alguma reserva. Na remixagem existe sempre a tentação de entregar um som limpo demais, feito para agradar o ouvido moderno, e aí se perde a pulsação crua do ao vivo. Torço para que o barulho da plateia, a acústica do ginásio e as pequenas imperfeições continuem lá, porque é isso que faz um show ser show, e não um disco de estúdio com imagens.

Onde pode dar errado?

Vou ser sincero: filme de show não tem uma história clássica, e quem espera um arco dramático ou grandes revelações de documentário pode se decepcionar. Por isso mesmo dei uma nota mais cautelosa no quesito História. O prólogo de Mary McCartney pode trazer contexto, mas a espinha dorsal do filme vai ser o show.

O segundo risco é a duração e o ritmo: encarar um show inteiro na tela grande pode cansar quem não é fã. E o terceiro é a armadilha da nostalgia: esse tipo de filme às vezes trata o ídolo com tanta reverência que acaba transformando ele numa estátua. George Michael era muito mais vivo e atrevido do que isso. Espero que na ilha de edição ninguém tenha esquecido.

Isso pede cinema, não TV

Por que eu pagaria ingresso se posso ouvir o disco em casa? Porque show é experiência coletiva. Quando uma sala cheia ouve junta aquela voz renascendo na tela grande, rola algo que o fone de ouvido nunca vai dar. A força desses filmes evento está justamente aí: por um tempinho, eles trazem de volta a sensação de estádio.

A turnê Faith bateu recordes, e Paris sempre foi um palco especial. Se as imagens estiverem do jeito que eu espero de um material em 35 mm, esse pode ser aquele filme que a gente vai lembrar anos depois assim: eu estava lá quando vi de novo.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Bohemian Rhapsody (2018), Stop Making Sense (1984), Rocketman (2019), Amy (2015)

Perguntas frequentes

Quando George Michael: The Faith Tour estreia nos cinemas do Brasil?

A estreia no Brasil está marcada para 5 de novembro de 2026.

Sobre o que é George Michael: The Faith Tour?

O filme mostra o show de George Michael no Bercy, em Paris, em 1988, a partir de filmagens em 35 mm recém-descobertas e restauradas, com imagens e áudio inéditos.

Quem dirigiu o filme?

A direção é de David Austin e Andrew Morahan.

Que curta é exibido antes do show?

Um curta de Mary McCartney com material de som e imagem recém-descoberto, de 1986 a 1988, período em que George Michael compôs o álbum Faith e saiu em turnê com ele.

Vai valer a pena voltar a Paris com George em novembro?

Acho que sim, e muito. Em filme de show, a pergunta mais importante é sempre se a voz continua viva na tela, e no caso de George Michael a voz era tudo. Material em 35 mm restaurado, imagens inéditas e uma abertura com tom pessoal assinada por Mary McCartney: o pacote é mais promissor do que a maioria dos projetos nostálgicos. Se o trabalho técnico estiver no ponto, para os fãs isso não vai ser só um filme, vai ser uma noite para lembrar por anos. Eu vou estar lá, e não ia achar nada ruim se alguém na sala começasse a cantar junto.

Nota esperada: 8,2/10 · História 6 · Atuação 9 · Direção 7 · Visual 8 · Música e som 10 · Emoção 9