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Crítica · Estreia: 28/09/1990

Gremlins, crítica: o bichinho mais fofo do mundo, que nunca pode comer depois da meia-noite

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Existe uma criaturinha peluda que vem com três regras simples, e é claro que todas elas são quebradas. Gremlins continua entre nós há décadas porque consegue ser, ao mesmo tempo, uma fábula familiar aconchegante e um terror atrevido e malvado. O filme de Joe Dante ainda morde como se tivesse sido rodado ontem.

8,2/10
Nota
Uma comédia de monstro anárquica, engraçada e surpreendentemente pesada, que segue como um dos cults mais adoráveis dos anos 80.
História
8
Atuação
7
Direção
9
Visual
9
Música e som
8
Emoção
8

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalGremlins 2: The New Batch
Estreia no Brasil28/09/1990
DireçãoJoe Dante
ElencoZach Galligan, Phoebe Cates, Hoyt Axton, Frances Lee McCain, Corey Feldman, Keye Luke
GêneroFilmes de fantasia, Filmes de terror, Comédias
Duração106 min
Classificação14
PaísFilmes americanos

Três regras que todo mundo quebra

A premissa de Gremlins é tão simples que parece conto de fadas. Billy ganha um bichinho de estimação, o Gizmo, que lembra um ursinho de pelúcia, e junto com ele um manual de instruções bem curto: não pode molhar, tem que ficar longe da luz forte e, o mais importante de tudo, por mais que chore e implore, nunca pode comer depois da meia-noite.

Quem já viu um filme na vida sabe muito bem que regras assim só existem para serem quebradas uma por uma. Billy quebra todas, e a partir daí tudo desanda. Em contato com a água, Gizmo começa a se multiplicar, e o lanchinho fora de hora transforma os filhotes em criaturas malvadas, sorridentes e cheias de más intenções. Esses gremlins saem para bagunçar a paz da cidadezinha, e quando invadem a piscina pública, passam a surgir aos milhares.

A genialidade está no fato de que o espectador enxerga o desastre chegando e mesmo assim se diverte vendo tudo se montar aos poucos. É como enfileirar dominós: a gente sabe que eles vão cair, a única dúvida é o tamanho do estrondo.

Joe Dante, o anarquista simpático

Joe Dante entende perfeitamente o que faz um filme de monstro ser assustador e ridículo ao mesmo tempo. Ele não quer escolher entre uma coisa e outra, e essa é a maior força do filme. Num momento Gremlins é um idílio de cidade pequena, no outro vira terror de verdade e, logo depois, uma palhaçada absurda que caberia num desenho dos Looney Tunes.

Dá para ver que Dante adora seus monstros. As criaturas malvadas não são feras sem rosto, e sim uns baderneiros folgados, desajeitados e festeiros, que curtem a destruição como uma turma de colégio curte um prédio abandonado. É isso que os torna engraçados, e também um pouco assustadores: não existe lógica nenhuma neles, só o prazer de quebrar alguma coisa.

O ritmo também é bem pensado. O filme não se joga de cara no caos, ele dá tempo para a gente se apegar ao Gizmo e ao clima da cidadezinha. Assim, quando o inferno se instala, existe algo a perder.

Gizmo e o elenco

Sejamos sinceros: a verdadeira estrela do filme é o Gizmo. Poucas criaturas do cinema conquistam o público tão rápido. Olhos enormes, pelo macio, carinha inocente, e quem não sai do filme querendo levar um desses para casa provavelmente tem um coração de pedra.

Entre os humanos, Zach Galligan vive Billy no papel clássico do adolescente gente boa, simpático e meio atrapalhado, do jeito que tem que ser. Phoebe Cates, como Kate, traz calor e pé no chão à história. Hoyt Axton como Rand Peltzer e Frances Lee McCain como Lynn Peltzer formam o núcleo familiar, e a personagem de McCain acrescenta muito ao lado mais pesado do filme.

Os coadjuvantes também têm rostos conhecidos: Corey Feldman aparece como Pete, ele que foi figurinha carimbada nos filmes adolescentes dos anos 80; Keye Luke faz o Avô, a figura misteriosa e sábia; e Dick Miller entrega um ótimo trabalho de ator de personagem como o Sr. Futterman. As atuações não são o principal atrativo, mas todo mundo faz exatamente o que o gênero pede.

Bonecos, gosma e caos de verdade

Gremlins vem de uma época em que os monstros estavam fisicamente no set de filmagem. Depois de décadas entupidas de efeitos digitais, esse é hoje um dos maiores tesouros do filme. As criaturas são palpáveis, gosmentas, enrugadas, e é justamente por isso que funcionam. Elas têm algo de desengonçado e mecânico que às vezes é cômico e às vezes dá arrepios.

As transformações e as cenas com multidões de bichos ainda impressionam, principalmente quando a gente pensa em quanto trabalho manual foi necessário. Pode ser que o espectador de hoje perceba aqui e ali os limites dos bonecos, mas isso soa mais como charme do que como defeito. É como um brinquedo antigo, meio gasto, que a gente não trocaria por dinheiro nenhum.

A trilha sonora reforça muito o clima: brincalhona e ameaçadora ao mesmo tempo, igualzinha ao próprio filme.

Onde a balança pende

Nem tudo resistiu ao tempo. A primeira parte pode parecer lenta para quem sentou só pelos monstros, e parte dos moradores da cidadezinha funciona mais como função do que como personagem de verdade. A trama humana às vezes soa apenas como moldura para as travessuras das criaturas.

Outra coisa para a qual vale se preparar: o filme não é infantil, por mais fofo que seja o pôster. Ele tem momentos cruéis, sangrentos e bem assustadores, capazes de abalar uma criança pequena. Muita família já caiu na armadilha de esperar um filminho fofo por causa do bichinho de pelúcia.

Mas são detalhes num filme que brinca com os tons com tanta segurança.

Por que ele nunca envelhece

O segredo de Gremlins é contar uma fábula de verdade: cuidado com o presente que você recebe e respeite as regras. Essa lógica antiga, quase de conto popular, se encontra com um filme de monstro atrevido e pop, e o resultado é algo muito particular. O filme pisca o olho para os fãs de terror, para o público dos filmes de família e para quem simplesmente gosta de ver um mundinho arrumado desmoronar em pedaços.

Não é à toa que o Gizmo virou um dos ícones dos anos 80 e que o filme passa de geração em geração. Na revisão ele continua funcionando, e talvez seja ainda mais divertido na vida adulta, quando dá para notar quanto humor negro e debochado existe ali.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Os Caça-Fantasmas (1984), Os Goonies (1985), E.T.: O Extraterrestre (1982), Gremlins 2: A Nova Geração (1990)

Perguntas frequentes

Sobre o que é Gremlins?

Billy ganha um bichinho de estimação parecido com um ursinho de pelúcia, o Gizmo, junto com três regras rígidas. Quando o garoto quebra as regras, Gizmo começa a se multiplicar e os filhotes viram gremlins malvados que tocam o terror na cidadezinha.

Quais são as regras para cuidar do Gizmo?

Ele não pode se molhar, precisa ficar longe da luz forte e nunca pode comer depois da meia-noite.

Qual a duração de Gremlins?

O filme tem 106 minutos.

Gremlins é para crianças?

Só para as mais velhas. Apesar do protagonista fofinho, o filme tem cenas assustadoras e violentas que não são adequadas para crianças pequenas.

Quem dirigiu Gremlins?

O filme foi dirigido por Joe Dante.

Vamos alimentar depois da meia-noite mais uma vez?

Com certeza. Gremlins está entre aqueles raros filmes que não envelhecem, só amadurecem. Fofo e malvado, engraçado e assustador, tudo feito com um cuidado artesanal que hoje quase não se vê. Se você ainda não assistiu, corra atrás; se já viu, está na hora de rever. Só um conselho: guarde o lanchinho antes de o relógio bater meia-noite.

Nota Kinoster: 8,5/10

Nota: 8,2/10 · História 8 · Atuação 7 · Direção 9 · Visual 9 · Música e som 8 · Emoção 8