La La Land: Cantando Estações, crítica: o musical que ainda dói quase dez anos depois, e é exatamente por isso que a gente ama
Tem filme que não dá para ver uma vez só, porque na segunda você já espera outra coisa dele, e recebe outra coisa também. La La Land: Cantando Estações é desse tipo: na superfície, um conto colorido, dançante e ensolarado sobre Los Angeles; por baixo, uma pergunta brutalmente honesta sobre quanto vale um sonho quando, no caminho, você perde alguém. O filme de Damien Chazelle chegou aos cinemas brasileiros em janeiro de 2017 e, desde então, nunca saiu de moda.
Um musical moderno de partir o coração, composto com um cuidado lindo, que é ao mesmo tempo carta de amor à velha Hollywood e um aviso pé no chão para quem vive de sonhar.
Ficha do filme
| Original | La La Land |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 12/01/2017 |
| Direção | Damien Chazelle |
| Elenco | Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, Rosemarie DeWitt, Finn Wittrock, Callie Hernandez |
| Gênero | Comédias, Dramas, Filmes românticos |
| Duração | 128 min |
| Classificação | L |
| País | Filmes americanos |
Onde assistir La La Land: Cantando Estações?
| Por assinatura | |
|---|---|
| Para alugar | |
| Para comprar |
Café, jazz e testes de elenco: do que trata o filme?
A história acompanha duas pessoas que, na mesma cidade e com a mesma fome, tentam virar alguém. Mia (Emma Stone) é uma aspirante a atriz que, entre um teste e outro, serve café com leite para astros de cinema. Ou seja, todo dia ela vê de pertinho a vida que tanto deseja, só que do lado errado do balcão. Sebastian (Ryan Gosling) é um músico de jazz que toca em festas e bares meio decadentes, enquanto carrega na cabeça um universo musical completamente diferente.
O amor entre os dois não é romance de algodão-doce, e sim uma aliança entre duas pessoas ambiciosas. E aí vem a virada que a própria premissa já anuncia: conforme o sucesso se aproxima, eles se veem diante de escolhas que começam a corroer a relação frágil e também os sonhos pelos quais tanto ralaram. Não vou contar mais nada, porque esse filme precisa ser vivido com as surpresas no lugar.
Gosling e Stone: a química que não se ensaia
Vou dizer sem rodeios: essa dupla é uma das melhores do cinema dos anos 2010. Ryan Gosling e Emma Stone já tinham trabalhado juntos antes (na comédia romântica Amor a Toda Prova), e isso se sente. Não tem constrangimento, não tem flerte calculado; a brincadeira e o atrito entre os dois simplesmente convencem.
O Sebastian de Gosling é meio arrogante, meio purista ressentido, alguém que defende o jazz como se estivesse cuidando de um parente à beira da morte. Ele consegue irritar, e é justamente isso que funciona. Já Emma Stone é o verdadeiro coração do filme: nas cenas de teste da Mia cabe tanta pequena humilhação e tanta esperança que a gente quase sua junto com ela. Não são as vozes perfeitas nem uma dança nível Broadway que tornam os dois inesquecíveis, e sim a vulnerabilidade presente em cada gesto.
Entre os coadjuvantes, John Legend como Keith merece destaque: o personagem dele encarna o dilema que atormenta Sebastian, isto é, até onde dá para abrir mão dos próprios princípios em nome do sucesso. Rosemarie DeWitt como Laura, Finn Wittrock como Greg, além de Callie Hernandez, Sonoya Mizuno e Jessica Rothe como as amigas de Mia, enriquecem a paleta, embora o filme seja, sem dúvida, dos dois protagonistas.
Damien Chazelle, obcecado por ritmo
Quem viu o filme anterior de Chazelle, Whiplash: Em Busca da Perfeição, sabe que esse diretor trata a música não como pano de fundo, mas como questão de vida ou morte. Em La La Land a mesma obsessão está lá, só que com roupa mais colorida. Lá sangravam as baquetas; aqui, sangra o coração.
A direção é simplesmente brilhante. A câmera dança com os personagens, e os longos planos sem corte dão a sensação de cair dentro de um musical da velha Hollywood, só que com um tom moderno e meio melancólico. Chazelle sabe quando soltar a realidade e quando puxar a gente de volta para o chão. É essa alternância que dá pulso ao filme: num instante flutuamos entre as estrelas, no seguinte estamos sentados num jantar constrangedor.
O que encanta: cores, melodias e uma cidade que vira personagem
Los Angeles aqui não é cenário, é personagem. No céu lilás e laranja do pôr do sol, nos bares iluminados por neon e nas autoestradas sem fim, a cidade é ao mesmo tempo sedutora e cruel. O visual mergulha em cores saturadas, e os figurinos (principalmente os vestidos da Mia) praticamente falam uma língua própria.
- A música: as melodias ficam na cabeça por dias, não daquele jeito barato de chiclete de rádio, mas porque cada tema que retorna ganha um significado novo.
- A coreografia: o objetivo não é a perfeição, e sim que a dança seja a continuação natural das emoções.
- O clima: nostálgico e moderno ao mesmo tempo, uma façanha rara.
Confesso: na primeira sessão fiquei arrepiado várias vezes, e esse efeito não se desgastou quando revi.
Onde a magia vacila?
Eu não seria honesto se só derramasse elogios. A parte do meio é visivelmente mais lenta, os 128 minutos nem sempre se justificam, e tem gente que sente a segunda metade, mais voltada para a realidade, como uma mudança de clima brusca demais. Quem espera um musical clássico, alegre do começo ao fim, pode se decepcionar, porque o filme não doura a pílula sobre o preço da ambição.
Os monólogos do Sebastian, o purista do jazz, também dividem opiniões: em alguns momentos soam mais como sermão do que como paixão. E sim, a voz dos protagonistas não é de casa de ópera. Para mim isso é mais qualidade do que defeito, porque os torna humanos, mas entendo se incomodar alguém.
Para quem é?
- É para você se: Para quem ama música, romance e aqueles filmes que deixam você com vontade de conversar sobre eles por dias. Especialmente indicado para sonhadores, artistas e qualquer pessoa que já teve que escolher entre a carreira e o amor.
- Melhor pular se: Para quem não suporta musicais ou está a fim de uma comédia romântica simples, leve e com final feliz garantido. O ritmo mais lento e o tom melancólico também não descem bem para todo mundo.
Se gostar, veja também: Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014), Cantando na Chuva (1952), Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), O Rei do Show (2017), Nasce Uma Estrela (2018)
Perguntas frequentes
Do que trata La La Land: Cantando Estações?
Mia, uma aspirante a atriz, e Sebastian, um músico de jazz, tentam realizar seus sonhos em Los Angeles. Conforme o sucesso cresce, eles enfrentam escolhas que colocam à prova a relação e os objetivos de cada um.
Quando La La Land: Cantando Estações estreou no Brasil?
O filme estreou nos cinemas brasileiros em 12 de janeiro de 2017.
Qual é a duração de La La Land: Cantando Estações?
O filme tem 128 minutos.
Quem dirigiu La La Land: Cantando Estações?
O filme foi dirigido por Damien Chazelle, que antes já tinha assinado Whiplash: Em Busca da Perfeição.
Quem são os protagonistas de La La Land: Cantando Estações?
Ryan Gosling interpreta Sebastian e Emma Stone vive Mia; ao lado deles, John Legend aparece como Keith.
Ainda vale a pena mergulhar de novo em La La Land: Cantando Estações?
Com certeza. La La Land está entre aqueles filmes raros que não envelhecem, só amadurecem. Na primeira vez ele encanta, na segunda você começa a reparar nos detalhes e, na terceira, se pega pensando nas próprias escolhas. Chazelle não pegou o caminho fácil: em vez de um conto cheio de açúcar, entregou uma confissão linda e agridoce sobre como o preço dos nossos sonhos muitas vezes é mais alto do que imaginamos. Coloque uma boa caixa de som, apague a luz e deixe a melodia te pegar debaixo do céu lilás de Los Angeles. Para mim, nota 9 de 10, e essa nota eu não dou à toa.
