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Crítica · Estreia: 19/02/2020

O Chamado da Floresta, crítica: Harrison Ford e um cachorro que aprende a ser dono do próprio nariz

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Tem um cachorro que o destino arranca da varanda confortável na Califórnia e joga direto nas nevascas do Yukon, e, para ser bem sincero, o filme deve tudo a ele. O Chamado da Floresta é uma aventura à moda antiga, feita para mexer com o coração, que não tenta ser mais esperta que o público, mas sabe exatamente onde apertar para dar aquele nó na garganta. E a presença barbuda e cansada de Harrison Ford funciona como um cobertor quentinho numa noite gelada.

7,3/10
Nota
Não é perfeito e às vezes parece polido demais, mas é raro encontrar uma aventura para a família que conte com tanta clareza e carinho o que significa achar o nosso lugar no mundo.
História
7
Atuação
7
Direção
7
Visual
8
Música e som
7
Emoção
8

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalThe Call of the Wild
Estreia no Brasil19/02/2020
DireçãoChris Sanders
ElencoHarrison Ford, Dan Stevens, Colin Woodell, Karen Gillan, Omar Sy, Raven Scott
GêneroFilmes de aventura, Filmes para a família, Dramas
Duração100 min
Classificação12
PaísFilmes americanos

Onde assistir O Chamado da Floresta?

Por assinaturaDisney Plus

Dados de streaming: JustWatch · atualizado em: 13/10/2026

Do que se trata, sem spoilers: da varanda ao trenó do correio

Buck é um cachorrão adorável e um tanto mimado, com uma vida bem simples: mora na Califórnia, cercado de conforto, e sua maior aventura provavelmente é derrubar alguma coisa dentro de casa. Até que, de repente, é levado para longe de tudo o que conhece e vai parar no Yukon selvagem, no Alasca, em plena corrida do ouro dos anos 1890. Ali ninguém faz carinho na cabeça dele só porque ele é fofo.

Buck vira o mais novo integrante de uma matilha que puxa o trenó do correio e, mais adiante, o líder do grupo. No fundo, o filme é a história do amadurecimento dele: como o bichinho de estimação acomodado se transforma em alguém que se vira sozinho e, no fim, se torna dono do próprio destino. Melhor não contar mais do que isso, porque a força do filme está justamente em construir essa transformação aos poucos, cena a cena.

A fórmula é clássica: um mundo estranho, provas duras, gente boa e gente ruim, e um animal que sobrevive a tudo isso e sai mais forte. Quem já chorou em filme de cachorro na infância sabe muito bem onde está se metendo.

Harrison Ford, o coração ranzinza

Vamos combinar: muita gente vai ao cinema por causa do Harrison Ford. Depois de Han Solo e Indiana Jones, aqui ele aparece num papel bem diferente. John Thornton é um sujeito quebrado e calado, em quem o olhar fala mais que as palavras. Nessa fase da carreira, Ford já não é o herói da aventura, e sim o velho que caminha ao lado dele, e isso cai surpreendentemente bem. Existe nele um calor cansado sem o qual o filme ficaria bem mais vazio.

O resto do elenco também está bem encaixado. Omar Sy, como Perreault, traz aquele carisma ensolarado e desarmante que a gente adora desde Intocáveis, e Cara Gee, como Françoise, forma uma ótima dupla com ele. Do outro lado aparecem Dan Stevens como Hal, Karen Gillan como Mercedes e Colin Woodell como Charles. Stevens é o tipo de ator que adora carregar um pouco na tinta, e é exatamente o que ele faz aqui. Para alguns pode soar caricato demais, mas num filme para a família, para mim, cabe direitinho.

Raven Scott e Wes Brown também surgem em papéis menores, mas o verdadeiro protagonista, sem dúvida, é Buck. Tudo gira em torno dele, e o filme funciona melhor justamente quando os humanos servem só de moldura para a jornada do cachorro.

Chris Sanders, alguém que sabe contar histórias de bichos

A direção é de Chris Sanders, e isso explica muita coisa. Ele assina Lilo & Stitch e Como Treinar o Seu Dragão, ou seja, passou boa parte da carreira contando como humanos e não humanos criam laços. Essa bagagem aparece aqui: Sanders não tem medo de emoções grandes e límpidas, nem sente vergonha quando uma cena quer simplesmente emocionar.

O ritmo é agradável, e os 100 minutos de duração são na medida certa para não cansar e ainda dar espaço para desenvolver a transformação de Buck. Por outro lado, a cabeça de animador de Sanders é uma faca de dois gumes. Às vezes o filme parece o irmão em live action de um desenho animado: tudo é um pouco mais brilhante, um pouco mais expressivo, um pouco mais fantasioso que a realidade. Para as crianças, é ótimo. Já o espectador adulto pode ficar pensando que uma versão mais dura e crua teria batido ainda mais forte.

Neve, luz e corrida do ouro: o visual

O Yukon é o outro protagonista do filme. As paisagens nevadas, o branco sem fim, os rios congelados e o mundo lotado e enlameado da corrida do ouro criam um contraste lindo. O momento em que Buck se dá conta pela primeira vez do tamanho daquela imensidão é cinema de verdade, daqueles que pedem tela grande.

As cenas de trenó têm pegada, velocidade e perigo, e mostram bem o trabalhão que era fazer a correspondência chegar naquele mundo. Em alguns momentos as imagens são perfeitas demais, como se a gente estivesse olhando um cartão-postal, mas confesso que é difícil apontar isso como defeito num filme cujo objetivo é justamente encantar.

Onde o trenó derrapa?

A grande questão é quanto você aguenta da sinceridade emocional do filme. Quem gosta de histórias claras, com mocinhos e vilões bem separados, vai achar um acerto em cheio. Já quem procura personagens mais complexos e sombrios pode achar os vilões muito de desenho animado e as reviravoltas previsíveis.

O outro risco é a previsibilidade. Este filme não quer surpreender, quer acalmar e tocar. Isso é qualidade e fraqueza ao mesmo tempo. Eu não me incomodei, mas entendo quem saia dando de ombros, com aquela sensação de já ter visto isso antes, só que com outro cachorro.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Caninos Brancos (1991), Balto (1995), Togo (2019), Quatro Vidas de um Cachorro (2017)

Perguntas frequentes

Quando O Chamado da Floresta estreou no Brasil?

O filme estreou nos cinemas brasileiros em 19 de fevereiro de 2020.

Qual é a história de O Chamado da Floresta?

Buck, um cachorro doméstico da Califórnia, vai parar de repente no Yukon selvagem, no Alasca, durante a corrida do ouro dos anos 1890. Lá ele entra para uma matilha que puxa o trenó do correio, vira o líder do grupo e, no fim, encontra seu lugar no mundo.

Qual é a duração de O Chamado da Floresta?

O filme tem 100 minutos.

Quem está no elenco de O Chamado da Floresta?

Harrison Ford interpreta John Thornton, ao lado de Omar Sy (Perreault), Cara Gee (Françoise), Dan Stevens (Hal), Karen Gillan (Mercedes) e Colin Woodell (Charles).

Quem dirigiu O Chamado da Floresta?

O filme foi dirigido por Chris Sanders.

Vale a pena seguir Buck até o Yukon?

Vale, se você souber o que vai encontrar. O Chamado da Floresta não é um filme revolucionário nem quer reescrever regra nenhuma, mas conta com honestidade e carinho uma história eterna sobre liberdade, lealdade e sobre como às vezes é preciso abrir mão do conforto para se tornar quem a gente realmente é. Harrison Ford é garantia, Buck conquista na hora, o Yukon impressiona e Chris Sanders sabe direitinho onde tocar o nosso coração.

Para uma tarde chuvosa de domingo, como programa da família inteira, é perfeito. Só deixe os lenços por perto, porque filme de cachorro raramente tem piedade da gente.

Nota: 7,3/10 · História 7 · Atuação 7 · Direção 7 · Visual 8 · Música e som 7 · Emoção 8