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Crítica · Estreia: 02/10/2002

Carga Explosiva, crítica: Jason Statham, um BMW e três regras que ele quebra rapidinho

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Tem aquele momento em que um britânico careca dobra o paletó com todo o cuidado antes de quebrar meio porto na porrada, e aí você entende que o filme sabe exatamente o que quer. Carga Explosiva não tenta parecer mais inteligente do que é, mas dentro do que se propõe a fazer, é surpreendentemente seguro de si. Foi aqui que Jason Statham virou herói de ação.

6,2/10
Nota
Bobo, estiloso, rápido e divertido demais, com um Statham que já se move como se tivesse passado a vida inteira se preparando para esse papel.
História
5
Atuação
7
Direção
7
Visual
7
Música e som
6
Emoção
5

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalThe Transporter
Estreia no Brasil02/10/2002
Direção元奎, Louis Leterrier
ElencoJason Statham, 舒淇, François Berléand, Matt Schulze, Ric Young, Doug Rand
GêneroFilmes de ação, Filmes de crime, Thrillers
Duração92 min
Classificação12
PaísFilmes americanos, Filmes franceses

Regra número um: nunca abra o pacote

Frank Martin é um profissional solitário. Ele entrega qualquer coisa, em qualquer lugar, no horário exato, e depois some. Não faz perguntas, não erra e vive de acordo com regras próprias das quais não abre mão. Essa é a premissa, e sinceramente, para um filme assim, ela basta. O carro é rápido, os clientes são suspeitos e o sujeito é frio como gelo no copo de uísque.

Até que, uma vez, ele abre exceção. Abre um dos pacotes que recebeu e encontra dentro do saco uma linda jovem chinesa amordaçada com fita adesiva. Mesmo contrariado, faz a entrega. Só que pouco depois seu adorado carro explode, e Frank volta ao destinatário. A partir daí as regras deixam de importar: ele resgata a encomenda e, por insistência da moça, tenta descobrir quem quer os dois mortos, e por quê.

Não vou contar mais do que isso, nem precisa. Carga Explosiva não fica na memória por causa da trama, e sim pelo jeito como serve essa trama.

Statham e o nascimento do cavalheiro careca

Até então Jason Statham era conhecido principalmente pelos filmes de gângster de Guy Ritchie, como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch: Porcos e Diamantes, nos quais fazia o tipo falastrão de fala acelerada. Aqui fica claro que ele funciona num registro completamente diferente. Frank Martin fala pouco, observa muito, e quando se mexe, é para valer.

A maior virtude de Statham é não exagerar. Ele não pisca para a plateia, não tenta ser mais engraçado do que a situação pede. Simplesmente convence de que esse homem leva o trabalho a sério e de que suas regras não são pose, e sim técnicas de sobrevivência. De quebra, ele está visivelmente à vontade nas lutas, o que não é pouca coisa para um herói de ação.

Shu Qi, como Lai, fica com a tarefa mais difícil: tirar Frank da sua rotina organizada. A química entre os dois não pega fogo, fica mais na brasa, mas o filme também não depende muito disso. Já François Berléand, como o inspetor Tarconi, é a arma secreta do filme: um policial seco, simpático e meio cansado, e cada cena dele faz bem. Matt Schulze (Wall Street) e Ric Young (Mr. Kwai) cuidam do lado vilão, com a dose de ameaça que o gênero exige.

Coreografia de Hong Kong sob o sol francês

A direção é assinada por Corey Yuen e Louis Leterrier, e essa dupla explica a mistura estranha, mas eficiente, do filme. A escola de ação de Hong Kong de Corey Yuen aparece em cada briga: cenas criativas, que aproveitam o espaço, às vezes francamente cômicas, em que qualquer elemento do cenário pode virar arma. Se você já viu alguém distribuindo socos enquanto escorrega num chão coberto de óleo, é exatamente esse tipo de cinema.

O lado francês traz o clima: litoral ensolarado, estradas cheias de curvas, direção elegante e uma descontração bem europeia. E os 92 minutos de duração são uma bênção: o filme não se arrasta, não se enche de subtramas inúteis, resolve rápido o que dá para resolver e parte para a próxima sequência de ação.

O que funciona, e o que não funciona nem um pouco

Começando pelo lado bom, que é maior:

Os pontos fracos também não são segredo. O roteiro muitas vezes é só pretexto para a próxima cena de ação, a motivação dos vilões é rasa, e a segunda metade descamba cada vez mais para o exagero espalhafatoso, quase de desenho animado. O romance está ali por obrigação, nada além disso. Quem procurar lógica vai se decepcionar rápido. Agora, quem quer uma boa ação de sábado à noite, com cerveja e salgadinho, recebe exatamente isso.

Quanto vale este filme hoje, tantos anos depois?

É curioso rever Carga Explosiva agora, quando o nome Statham praticamente virou um gênero. Os filmes de ação ficaram muito mais duros, sombrios e longos, e perto deles esta produção de 2002 soa quase refrescante de tão leve. Tem algo da elegância ingênua da ação europeia do fim dos anos 90 e um pouco da molecagem do cinema de Hong Kong.

Não é perfeito, em alguns momentos é bem bobinho, mas tem estilo e sabe onde está sua força. E o mais importante: foi aqui que tomou forma aquele personagem de Statham que depois veríamos mil vezes. Se você tem curiosidade de saber onde essa carreira começou, este é o ponto de partida obrigatório.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Ronin (1998), Busca Implacável (2008), Drive (2011), Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998)

Perguntas frequentes

Sobre o que é Carga Explosiva?

Frank Martin é um transportador profissional que nunca faz perguntas e nunca abre os pacotes. Um dia ele abre, e encontra uma jovem chinesa amarrada. Depois que seu carro é explodido, ele resgata a moça e tenta descobrir quem quer matar os dois.

Quando Carga Explosiva estreou no Brasil?

O filme chegou aos cinemas brasileiros em 2 de outubro de 2002.

Qual é a duração de Carga Explosiva?

O filme tem 92 minutos.

Quem é o protagonista de Carga Explosiva?

Frank Martin é vivido por Jason Statham, ao lado de Shu Qi (Lai), François Berléand (Tarconi) e Matt Schulze (Wall Street).

Quem dirigiu Carga Explosiva?

O filme foi dirigido por Corey Yuen e Louis Leterrier, numa coprodução entre Estados Unidos e França.

Vale a pena sentar de novo no banco do carona ao lado de Frank Martin?

Vale, se você sabe no que está entrando. Carga Explosiva não é um grande filme, mas é diversão das boas: rápido, estiloso, às vezes ridiculamente exagerado, e com um protagonista que dá gosto de assistir. Não compensa gastar muitas palavras com a história, mas com as lutas e com o profissionalismo frio de Statham, sim. Para uma noite tranquila, com pipoca, continua funcionando muito bem, e como curiosidade da história do cinema também tem seu valor: foi aqui que uma carreira inteira de ação engatou a marcha.

Nota: 6,2/10 · História 5 · Atuação 7 · Direção 7 · Visual 7 · Música e som 6 · Emoção 5