O Profissional crítica: o matador, a menina e um dos vilões mais insanos da história do cinema
Tem filme que envelhece e tem filme que simplesmente se recusa a envelhecer. O Profissional, que chegou aos cinemas brasileiros em fevereiro de 1995, está firme no segundo time: uma fábula dura, sombria e, ao mesmo tempo, estranhamente terna sobre como alguém que não tem nada pode encontrar um motivo para viver. O filme de Luc Besson continua acertando o espectador como um tiro certeiro.
Um drama policial duro, melancólico e lindamente dirigido, em que nenhum dos três protagonistas deixa você esquecê-lo.
Ficha do filme
| Original | Léon |
|---|---|
| Estreia no Brasil | 17/02/1995 |
| Direção | Luc Besson |
| Elenco | Jean Reno, Natalie Portman, Gary Oldman, Danny Aiello, Peter Appel, Michael Badalucco |
| Gênero | Filmes policiais, Dramas, Filmes de ação |
| Duração | 110 min |
| Classificação | 14 |
| País | Filmes franceses |
Um matador solitário e a menina da porta ao lado
A premissa é simples, quase de conto de fadas. Léon mora em Nova York, sozinho, em silêncio, e ganha a vida matando pessoas por dinheiro. Não há nada ao redor dele que lembre uma vida normal, e ele nem parece sentir falta disso. Até que a família que mora no apartamento vizinho é massacrada pelo detetive Stansfield, um policial mais cruel que qualquer gângster. A única sobrevivente é Mathilda, de 12 anos, que bate na porta de Léon em busca de abrigo.
A partir daí, o filme puxa para dois lados ao mesmo tempo. Um é o thriller policial tenso, em que a sombra de Stansfield chega cada vez mais perto e a gente sabe que a pequena testemunha não vai ser deixada em paz. O outro é uma peça surpreendentemente silenciosa, quase de câmara, sobre como o matador impassível começa, aos poucos, a cuidar da menina como se fosse sua filha. Não vale a pena saber mais do que isso antes de assistir: a força do filme está em como esses dois fios se entrelaçam e em como a aposta aumenta a cada cena.
Jean Reno, que diz tudo com poucas palavras
O Léon de Jean Reno é um dos melhores exemplos de como um personagem pode contar muita coisa praticamente sem falar. Reno o interpreta como um homem enorme e imóvel, que você percebe na hora ser extremamente perigoso e, ao mesmo tempo, quase infantilmente desajeitado em tudo o que não tem a ver com o trabalho. Essa dualidade é o coração do filme.
O maior mérito é que Reno nunca tenta tornar Léon simpático. Ele não pisca para a plateia, não pede desculpas. Simplesmente deixa que o espectador descubra sozinho o que existe dentro daquele homem esvaziado. Quando você percebe que está preocupado com ele, já é tarde: o filme já te pegou.
Natalie Portman: uma estreia impossível de esquecer
Natalie Portman ainda era criança, e no papel de Mathilda Lando entrega uma atuação de dar inveja a muito ator adulto. Mathilda não é aquele tipo de criança de cinema que só chora e espera ser salva. Ela é furiosa, esperta, ferida, às vezes imprevisível, e sabe exatamente o que quer: vingança. Portman torna tudo isso crível e, mais importante, a gente sente o tempo todo a menina por trás da personagem, alguém que teve a vida arrancada numa única tarde.
A relação entre Léon e Mathilda também é o ponto mais delicado do filme. Em alguns momentos, Besson entra num terreno que vai deixar o espectador de hoje desconfortável, e não seria honesto fingir que isso não existe. Ainda assim, a essência da relação é o cuidado, duas pessoas perdidas se agarrando uma à outra, e é a sensibilidade dos atores que segura os momentos mais espinhosos.
Gary Oldman, o vilão que rouba o show
Se alguém fosse ver O Profissional por um motivo só, esse motivo seria Gary Oldman. Norman Stansfield é um dos vilões mais memoráveis do cinema, e não por ser escandaloso, mas por ser completamente imprevisível. Num instante, Oldman sorri de um jeito quase sonolento e bonachão; no seguinte, explode numa violência que faz o espectador recuar na poltrona. É um policial para quem o distintivo não significa proteção, e sim licença para qualquer coisa.
Vista hoje, a atuação de Oldman pode parecer exagerada, mas é exatamente disso que o filme precisa. Léon é quieto e contido, Stansfield é barulhento e descontrolado, e o contraste entre os dois é a espinha dorsal da tensão. Quando o detetive prepara um grande ataque tático para invadir o apartamento de Léon, não há mais dúvida de que ali se enfrentam dois tipos completamente diferentes de profissional.
Entre os coadjuvantes, o Old Tony de Danny Aiello também merece menção: em poucas cenas, ele mostra com precisão o mundo em que Léon trabalha, um mundo onde a confiança sempre tem preço.
A Nova York de Luc Besson: olhar europeu, rua americana
Luc Besson, um diretor francês, filmou uma história policial em Nova York, e esse olhar de fora é uma das armas secretas do filme. O Profissional não tem cara de filme de ação americano comum. É mais lento, mais contemplativo, dá muito mais tempo aos personagens e só explode quando realmente precisa. Mas, quando explode, explode com vontade.
As cenas de ação são precisas, limpas, e mostram o trabalho de Léon quase como uma coreografia. Besson entende que o profissionalismo já é espetacular por si só, não é preciso explodir tudo para impressionar. Enquanto isso, o clima é melancólico do começo ao fim: os apartamentos decadentes, os corredores apertados, a sensação de solidão impregnam cada cena. Não é um filme de ação heroico, e sim uma fábula triste que, por acaso, tem armas.
Onde o filme tropeça
Não seria justo fingir que O Profissional é perfeito. O roteiro, em vários momentos, segue de perto os clichês do gênero, a estrutura da trama é previsível, e quem já viu alguns filmes de matador de aluguel vai mais ou menos adivinhar para onde a história vai. O filme não vive de surpresas, e sim de emoção.
O outro ponto são alguns momentos da relação entre Léon e Mathilda, que já comentei acima. Eles não destroem o filme, mas hoje é mais difícil passar por eles sem comentar, e é justamente por isso que muita gente considera a obra controversa. Para mim, o filme continua forte, mas é totalmente compreensível se isso atrapalhar a experiência de alguém.
- O que funciona: os três protagonistas, a atmosfera, a tensão, o peso emocional.
- O que funciona menos: a estrutura previsível da trama e algumas cenas delicadas.
Para quem é?
- É para você se: Para quem curte filmes policiais sombrios e centrados nos personagens, em que a ação tem emoção de verdade por trás, e para quem quer ver três atores no auge da forma.
- Melhor pular se: Para quem se incomoda com violência crua ou fica realmente desconfortável com a forma às vezes delicada como o filme retrata a relação entre um adulto e uma criança. E, claro, para quem procura um filme de ação ágil e leve.
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Perguntas frequentes
Do que trata O Profissional?
De Léon, um matador de aluguel solitário em Nova York, que acolhe Mathilda, a vizinha de 12 anos, depois que a família dela é massacrada pelo detetive Stansfield. Léon começa a cuidar da menina, enquanto Stansfield sai no encalço da pequena testemunha.
Quanto tempo dura O Profissional?
O filme tem 110 minutos.
Dá para assistir com crianças?
Não é recomendado. O filme tem cenas de violência e temas adultos, e não foi feito para o público infantil.
Quando O Profissional estreou no Brasil?
O filme chegou aos cinemas brasileiros em 17 de fevereiro de 1995.
Quem dirigiu O Profissional e quem está no elenco principal?
O filme foi dirigido por Luc Besson e tem nos papéis principais Jean Reno (Léon Montana), Natalie Portman (Mathilda Lando) e Gary Oldman (Norman Stansfield).
Ainda vale a pena rever Léon e Mathilda hoje?
Vale, e se você ainda não viu, vale mais ainda. O Profissional não sobreviveu tantas décadas por causa de uma trama cheia de reviravoltas, e sim porque entrega três personagens impossíveis de apagar da memória: o matador silencioso que nunca aprendeu a viver, a menina que precisou crescer cedo demais e o policial que é pura destruição imprevisível. E Besson junta tudo isso com tanta sensibilidade que, no fim, você não vai lembrar da ação, e sim do que sentiu. Há momentos discutíveis, mas poucos filmes policiais conseguem doer tanto e ficar tanto tempo com a gente. Obrigatório para quem gosta do gênero.
