Rocky Balboa crítica: o velho leão sobe no ringue uma última vez
Chega um momento em que uma lenda precisa escolher: sair de cena com dignidade ou provar mais uma vez por que virou lenda. Em 2006, Sylvester Stallone foi pelo segundo caminho, e o resultado é Rocky Balboa, um filme silencioso, melancólico e, mesmo assim, daqueles que fazem a gente torcer de punho fechado. Quem riu da notícia de que Stallone, já perto dos sessenta, ia calçar as luvas de novo provavelmente ainda não assistiu a este filme.
Rocky Balboa é uma despedida digna e cheia de coração para um personagem icônico, muito mais um drama sobre solidão e velhice do que um filme de boxe.
Ficha do filme
| Estreia no Brasil | 09/02/2007 |
|---|---|
| Direção | Sylvester Stallone |
| Elenco | Sylvester Stallone, Burt Young, Antonio Tarver, Geraldine Hughes, Milo Ventimiglia, Tony Burton |
| Gênero | Dramas, Filmes de ação |
| Duração | 102 min |
| Classificação | 12 |
| País | Filmes americanos |
Do que trata Rocky Balboa, sem spoilers?
Rocky Balboa já não é aquele boxeador jovem e faminto que a Filadélfia inteira chamava pelo nome. Hoje ele é dono de um pequeno restaurante, onde adora contar aos clientes histórias das lutas antigas, mas raramente pensa na glória. Mora sozinho, enterrou a esposa anos atrás e não se dá bem com o filho. É um homem que vive mais de lembranças do que de planos.
Até que surge uma oportunidade. Com mais de cinquenta anos, sozinho e sem dinheiro, Rocky volta aos holofotes e desafia o atual campeão mundial dos pesos-pesados, Mason "The Line" Dixon. Ele tem chance? O próprio filme responde: claro que não. E, claro, Rocky tenta mesmo assim, com a ajuda do filho. A premissa é essa e, sinceramente, basta. A franquia nunca ficou famosa por tramas cheias de reviravoltas, e sim por contar uma história humana simples de um jeito que faz o espectador levantar o punho sentado no sofá.
Stallone, finalmente interpretando a si mesmo de novo
Aqui Sylvester Stallone acumula funções: ele escreveu o personagem, dirige o filme e vive Rocky. Esse tipo de controle autoral muitas vezes descamba para projeto de vaidade, mas não é o que acontece aqui. Stallone entende perfeitamente quem é esse homem e não quer pintá-lo como herói. Rocky é desajeitado, meio tímido, sentimental, e carrega uma tristeza que torna impossível não gostar dele.
A atuação de Stallone é contida, quase frágil. No lugar do astro de ação de Rambo e dos anos 80, vemos um homem envelhecendo, que sabe que o tempo passou por ele e não sabe direito o que fazer com o que sobrou. É um Stallone que raramente aparece, e cuja existência surpreendeu muitos críticos. Eu incluso.
Rostos antigos e novos no corner
Entre os coadjuvantes, Burt Young volta como Paulie Pennino, aquele cunhado rabugento, adorável e um tanto patético sem o qual o universo de Rocky não existiria. A relação entre os dois é uma das camadas mais humanas do filme: dois homens envelhecendo, unidos pela mesma perda.
Milo Ventimiglia vive o filho de Rocky, Robert Balboa Jr., e o conflito entre pai e filho é a espinha dorsal emocional da história. Ventimiglia convence como o rapaz que tenta construir a própria vida à sombra de um pai lendário, e essa tensão soa real, não apenas um recurso de roteiro. Geraldine Hughes, como Marie, é uma presença calma e calorosa, e Tony Burton, como Tony 'Duke' Evers, traz a dureza de treinador que faz as cenas de preparação funcionarem de verdade.
O adversário, Mason "The Line" Dixon, fica a cargo de Antonio Tarver, totalmente crível dentro do ringue. Não é a figura mais complexa, mas em filme do Rocky isso é quase regra do gênero: o oponente encarna o desafio mais do que um drama próprio.
O que funciona de verdade: o silêncio antes da luta
A maior surpresa de Rocky Balboa é que a maior parte do filme não acontece no ringue. Stallone dá tempo ao personagem para andar pelas ruas da Filadélfia, conversar, lembrar e viver o luto. Essas cenas são lentas, às vezes sentimentais até demais, mas é justamente por isso que a luta final tem tanta força. A gente não torce por um boxeador, torce por um homem que já conhece.
- A atmosfera: a Filadélfia não é cenário, é parte do personagem: gasta, invernal, acolhedora.
- O treino: a montagem de preparação segue a tradição da série e funciona, e sim, a música arrepia na certa.
- O que está em jogo: a luta não é pelo cinturão, e sim pela chance de alguém mostrar que ainda está vivo.
E o icônico tema de Bill Conti está lá, no lugar certo. Quando ele começa a tocar, não existe espectador cínico que não sinta alguma coisa.
Onde dói um pouco: não dá para nocautear os clichês
Não vamos nos enganar: Rocky Balboa é um filme muito previsível. Quem já viu um drama esportivo sabe exatamente quais altos e baixos vêm pela frente, e o filme nem tenta mudar isso. Os diálogos às vezes explicam o que as imagens já disseram, e há cenas que parecem mais palestra motivacional do que drama.
O miolo também se perde um pouco: na primeira hora o filme às vezes fica só enrolando, e quem espera ação pode perder a paciência. Mas, convenhamos, ninguém vai ver um filme do Rocky em busca de surpresas. Vai pela sensação que este filme entrega por completo no final.
Para quem é?
- É para você se: Para todo mundo que gostou dos filmes anteriores do Rocky e também para quem curte dramas humanos e silenciosos sobre envelhecimento, luto e segundas chances.
- Melhor pular se: Quem espera ação frenética e pancadaria o tempo todo, ou tem alergia a sentimentalismo e clichês motivacionais, provavelmente vai se entediar na primeira hora.
Se gostar, veja também: Rocky: Um Lutador (1976), Creed: Nascido para Lutar (2015), O Lutador (2008), Menina de Ouro (2004), Guerreiro (2011)
Perguntas frequentes
Do que trata Rocky Balboa?
Com mais de cinquenta anos e sozinho, Rocky Balboa é dono de um restaurante na Filadélfia que, diante de uma oportunidade, volta ao ringue e desafia o campeão mundial dos pesos-pesados, Mason "The Line" Dixon.
Quanto tempo dura Rocky Balboa?
O filme tem 102 minutos.
Quando Rocky Balboa estreou no Brasil?
O filme estreou nos cinemas brasileiros em 9 de fevereiro de 2007.
Quem dirigiu Rocky Balboa?
O filme foi dirigido por Sylvester Stallone, que também interpreta o protagonista, Rocky Balboa.
Quem interpreta o filho de Rocky?
Robert Balboa Jr. é interpretado por Milo Ventimiglia.
Vale a pena calçar as luvas mais uma vez com Rocky?
Vale, e não só por nostalgia. Rocky Balboa não é o melhor filme da série, o primeiro continua intocável, mas é o capítulo mais maduro e mais honesto. Stallone não tenta revender a glória antiga; ele mostra o que sobra de um homem quando os aplausos acabam. É um filme previsível, às vezes meio meloso, mas feito com o coração, e que no final acerta exatamente onde precisa. Se numa noite chuvosa você estiver procurando algo que te faça acreditar um pouco mais em si mesmo, vai ser difícil achar escolha melhor.
