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Crítica antes da estreia

A Última Rodada, crítica antecipada: uma jornada de bar em bar pela planície vêneta, onde ninguém dispensa a saideira

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Tem filme cujo lema daria para pintar na parede de um boteco: nunca recuse a saideira. A comédia de Francesco Sossai, que estreou em Cannes, promete ser exatamente isso, com dois cinquentões falidos, mas mestres na arte de viver, e um rapaz que se mete com a turma errada, na hora errada e no lugar errado. E a gente está bem curioso para ver no que isso vai dar.

7,3/10
Nota esperada
Promete ser um road movie italiano encantador, melancólico e provavelmente de ressaca braba, capaz de evocar o espírito das grandes comédias italianas.
História
7
Atuação
8
Direção
7
Visual
7
Música e som
7
Emoção
8

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

OriginalLe città di pianura
DireçãoFrancesco Sossai
ElencoFilippo Scotti, Sergio Romano, Pierpaolo Capovilla, Roberto Citran, Andrea Pennacchi
GêneroComédias
Duração100 min
PaísFilmes italianos, Filmes alemães

Do que se trata? Duas raposas velhas e um cordeiro entre os bares

A premissa é tão simples que chega a ser suspeita, mas histórias assim nunca dependeram de reviravoltas mirabolantes. Temos dois sujeitos na casa dos cinquenta, sempre com o bolso vazio, Carlobianchi e Doriano, que seguem uma única filosofia de vida: nunca recuse a saideira. Essa frase sozinha já diz mais sobre eles do que uma página inteira de descrição. São aqueles caras que estão sempre encostados no balcão, que têm uma história para tudo e que, de algum jeito, ficaram um pouco para trás na própria vida.

No caminho deles aparece Giulio, um estudante de arquitetura tímido, que claramente tem seus planos, inclusive amorosos. Pela sinopse, o encontro vira uma aventura caótica pela planície vêneta, e os maus conselhos, a ressaca e uma amizade inesperada acabam bagunçando tudo o que o rapaz tinha imaginado. Para onde exatamente a história vai, não sabemos, e sinceramente nem queremos saber antes da hora. Metade da graça de filmes assim está em deixar o espectador ser levado junto com os personagens.

A planície vêneta, onde ninguém anda de gôndola

O que mais me deixou curioso foi o cenário. Não estamos falando da Veneza de cartão-postal, e sim da planície vêneta, daquela Itália do interior, das cidadezinhas e vilarejos que a gente raramente vê no cinema. Aqui não tem vista da Praça São Marcos, mas tem estrada vicinal, bar de vila, campo coberto de neblina e gente que não cabe em comercial de turismo.

O próprio filme se apresenta como uma homenagem à diversidade da Itália, e isso já se sente na escolha do lugar. Se Sossai souber trabalhar a paisagem, a planície pode virar personagem: um lugar onde o tempo corre mais devagar e onde uma noite rodando de bar em bar pode parecer uma vida inteira. Torço muito para que o filme tenha coragem de ser lento quando precisar.

Francesco Sossai e a sombra dos grandes mestres

O nome de Francesco Sossai provavelmente ainda não soa familiar para o público brasileiro, mas o currículo do filme fala por si: a estreia foi no Festival de Cannes, o que é uma baita carta de recomendação para uma comédia em coprodução entre Itália e Alemanha. Cannes não é lugar de simples desfile de piadas, então dá para esperar um humor mais fino e agridoce.

A maior ambição, porém, é que o filme se assume como uma homenagem aos grandes nomes do cinema italiano. É uma declaração ousada. A comédia italiana tem uma tradição impressionante, da commedia all'italiana a toda uma galeria de vagabundos e boas-vidas que são ao mesmo tempo ridículos e humanos de apertar o coração. Se Sossai bebe dessa fonte, parte de um bom lugar. O risco, claro, é a nostalgia escorregar para a mera citação. Eu aposto que não vai ser o caso.

O elenco: rostos pouco conhecidos que merecem atenção

No elenco, Filippo Scotti é o nome mais conhecido do público internacional: ele protagonizou A Mão de Deus, de Paolo Sorrentino, e ali traduziu com muita delicadeza a insegurança e a sensibilidade de um adolescente. Por isso parece uma escolha perfeita para o tímido Giulio, que vai sendo arrastado pelos acontecimentos.

Ao lado dele estão Sergio Romano, Pierpaolo Capovilla, Roberto Citran e Andrea Pennacchi. São nomes menos familiares por aqui, mas isso pode ser justamente um dos trunfos do filme: nesse tipo de história, convence muito mais ver rostos em quem a gente acredita do que estrelas fantasiadas de frequentadores de boteco cinquentões. A alma de uma comédia de parceiros é sempre a química, e se a dupla Carlobianchi e Doriano funcionar, metade do caminho já está feito.

O que pode dar muito certo e onde pode tropeçar?

Vamos ao que joga a favor:

E quais são os riscos?

Para quem é?

Se gostar, veja também: Aquele que Sabe Viver (1962), A Mão de Deus (2021), Sideways: Entre Umas e Outras (2004), Druk: Mais uma Rodada (2020)

Perguntas frequentes

Sobre o que é A Última Rodada?

Dois cinquentões sem dinheiro, Carlobianchi e Doriano, conhecem Giulio, um estudante de arquitetura tímido, e o encontro vira uma aventura caótica pela planície vêneta que vira de cabeça para baixo até os planos amorosos do rapaz.

Quanto tempo dura o filme?

A Última Rodada tem 100 minutos de duração.

Quem dirigiu A Última Rodada?

O filme é dirigido por Francesco Sossai e estreou no Festival de Cannes.

Quem está no elenco?

Os papéis principais ficam com Filippo Scotti, Sergio Romano, Pierpaolo Capovilla, Roberto Citran e Andrea Pennacchi.

Você topa sentar com eles para mais uma rodada?

Eu topo, com certeza. A Última Rodada não está entre os grandes blockbusters cheios de efeitos, e é justamente por isso que empolga. Promete ser uma comédia italiana pequena, do tamanho das pessoas, que pela estreia em Cannes e pela homenagem ousada quer mais do que só arrancar risadas. Se Sossai acertar o tom entre o riso e a melancolia, pode ser uma das boas surpresas da temporada. Minha nota esperada é um 7 bem firme, daqueles filmes que dão vontade de ligar para um velho amigo depois da sessão. Só cuidado com aquela saideira.

Nota esperada: 7,3/10 · História 7 · Atuação 8 · Direção 7 · Visual 7 · Música e som 7 · Emoção 8