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Crítica · Estreia: 19/07/2013

Turbo crítica: o caracol que sonhava com as 500 Milhas de Indianápolis, e a gente quase acreditou nele

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Tem ideia de filme que, contada em uma frase, faz todo mundo rir, e mesmo assim a gente passa uma hora e meia torcendo pelo protagonista. Turbo é exatamente isso: um caracol que quer disputar as 500 Milhas de Indianápolis. É absurdo, barulhento, às vezes previsível, mas pisa no acelerador com tanta vontade que fica difícil não gostar.

7,0/10
Nota
Turbo não revoluciona a animação, mas é um filme família simpático e cheio de energia, com um protagonista cujo entusiasmo é contagiante.
História
6
Atuação
8
Direção
7
Visual
8
Música e som
7
Emoção
6

A nota geral é a média dos seis critérios.

Ficha do filme

Estreia no Brasil19/07/2013
DireçãoDavid Soren
ElencoRyan Reynolds, Paul Giamatti, Michael Peña, Samuel L. Jackson, Luis Guzmán, Bill Hader
GêneroFilmes de animação, Filmes para a família
Duração96 min
ClassificaçãoL
PaísFilmes americanos

Um caracol que não cabe na própria casca

A premissa de Turbo é tão simples que chega a ser genial. Nosso herói é um caracol obcecado por velocidade, apaixonado por corridas e convencido de que o lugar dele é na pista. O problema é que caracóis não são exatamente famosos por ultrapassar alguém, e a comunidade lenta e pacata dos caracóis olha sem entender aquele colega elétrico que vive querendo estar em outro lugar.

Aí acontece um acidente esquisito que deixa Turbo ainda mais rápido, e a partir daí não tem freio: o objetivo é nada menos que as 500 Milhas de Indianápolis, uma das corridas de carro mais famosas do mundo. Parece impossível, mas o filme mostra justamente como o caracol dispara rumo à vitória e vira uma estrela no caminho. Não precisa saber mais do que isso antes de assistir, o que importa é a jornada, ou melhor, a corrida.

A história tem uma mensagem bem clara, que o filme deixa explícita desde o começo: nenhum sonho é grande demais, se você for rápido o bastante. É o típico mantra de filme família americano, claro, mas aqui a piada visual, a rebeldia contra a lentidão como estado natural, dá um tempero a mais.

Vozes que merecem atenção

Se tem uma coisa em que Turbo é forte de verdade, é o elenco. Ryan Reynolds dá voz a Turbo e entrega mais ou menos aquela energia que a gente espera dele: descolado, meio falastrão, mas de bom coração. É o tipo de ator que sempre tem uma piscadela na voz, e isso cai muito bem num personagem que se recusa a aceitar os próprios limites.

Ao lado dele, Paul Giamatti faz Chet, a voz mais pé no chão e preocupada, e Giamatti é mestre em personagens azedos e cheios de angústia, então a dupla funciona sozinha. Michael Peña dá vida a Tito e transborda aquele charme caloroso e animado de grande ator coadjuvante.

E tem ainda a turma de apoio, que chega a ser um luxo para uma animação: Samuel L. Jackson é Whiplash, Snoop Dogg é Smoove Move, Maya Rudolph é Burn, Luis Guzmán é Angelo e Bill Hader é Guy Gagné. A voz de Samuel L. Jackson já é um gênero à parte, e só de ouvi-la num filme sobre caracóis dá para abrir um sorriso. É essa equipe que garante boa parte do ritmo do filme: parte das piadas está no texto, a outra parte está nas vozes.

David Soren e a lentidão como espetáculo

O diretor é David Soren, e o que ele faz muito bem é transmitir a sensação de velocidade do ponto de vista de um bicho que normalmente enxerga o mundo da base de uma folha de grama. Um dos maiores presentes da animação é poder brincar com a perspectiva, e Turbo aproveita isso: o contraste entre o bichinho e o mundo gigante e barulhento das corridas é a melhor ideia visual do filme.

O visual é colorido, ensolarado, vibrante, do jeito que um filme de corrida pede. O ritmo também está no ponto: os 96 minutos não se arrastam, e o filme sabe que o público dele não vai ficar quietinho diante de cenas longas e paradas. É irônico que a maior qualidade de um filme sobre um caracol seja o embalo, mas é exatamente disso que ele trata.

Por outro lado, Soren não arrisca muito. A estrutura segue a fórmula conhecida: herói sonhador que ninguém entende, uma reviravolta, ascensão, grande corrida. Quem já viu algumas animações para a família vai adivinhar o arco geral. Não é um problema, só não é surpresa.

O que funciona: humor, ritmo e coração

O maior trunfo de Turbo é levar a sério a própria ideia absurda. Ele não fica o tempo todo piscando para o público sobre como tudo aquilo é ridículo, e deixa a gente torcer pelo caracol. É por isso que a criançada vai adorar: elas não veem paródia nenhuma ali, veem um pequeno herói que quer chegar longe.

Também tem algo bem simpático no jeito como o filme retrata a lentidão da comunidade de caracóis: ela não é vilã, só vive em outro ritmo. E Turbo não se rebela porque detesta os seus, mas porque não cabe no papel que reservaram para ele. Para um filme infantil, é uma ideia surpreendentemente forte, e muita criança vai se reconhecer nela.

Onde a gasolina acaba

Agora vem a parte menos agradável. Turbo é um bom filme família, mas não é um grande filme. Não é aquele tipo de animação que faz adulto chorar ou que a gente continua comentando anos depois. Os momentos emocionantes estão lá, só que são previsíveis, e o filme aposta mais no clima e no embalo do que em personagens profundos.

Além disso, o terreno das animações de corrida já é bem lotado, o mundo dos heróis falantes viciados em velocidade não é novidade, e este filme inevitavelmente corre à sombra de antecessores ilustres. Quando ele dá uma cansada, isso fica evidente: algumas piadas dependem mais das vozes famosas do que da criatividade do roteiro.

Como adulto, às vezes tive a impressão de que o filme sabe o que precisa fazer e faz direitinho, mas sem sair da zona de conforto. Paradoxalmente, o caracol que quer superar seus limites a qualquer custo está num filme que justamente não tem coragem de fazer isso.

Para quem é?

Se gostar, veja também: Carros (2006), Ratatouille (2007), Kung Fu Panda (2008), Por Água Abaixo (2006)

Perguntas frequentes

Quando Turbo estreou no Brasil?

Turbo estreou nos cinemas brasileiros em 19 de julho de 2013.

Qual é a história de Turbo?

É sobre um caracol obcecado por velocidade que, depois de um acidente esquisito, fica ainda mais rápido e decide disputar as 500 Milhas de Indianápolis.

Qual é a duração de Turbo?

O filme tem 96 minutos.

Quem são os dubladores de Turbo na versão original?

Ryan Reynolds dá voz a Turbo, ao lado de Paul Giamatti (Chet), Michael Peña (Tito), Samuel L. Jackson (Whiplash), Luis Guzmán (Angelo), Bill Hader (Guy Gagné), Snoop Dogg (Smoove Move) e Maya Rudolph (Burn).

Quem dirigiu Turbo?

O filme foi dirigido por David Soren.

O caracol merece um lugar no grid da sessão de cinema em família?

Merece, sem medo. Turbo não vai ganhar o campeonato de melhores animações de todos os tempos, mas para uma sessão em família num domingo à tarde ele entrega exatamente o que precisa: ritmo, humor, um pequeno herói cativante e uma mensagem que as crianças entendem. Como adulto, às vezes você vai sentir que já percorreu esse caminho em outros filmes, mas as vozes famosas e a perspectiva do caracol bastam para não deixar a peteca cair. Para mim, um 6 bem firme; com olhos de criança, está mais para 8.

Nota: 7,0/10 · História 6 · Atuação 8 · Direção 7 · Visual 8 · Música e som 7 · Emoção 6